Por Academia Marial Em Catequese Atualizada em 02 OUT 2017 - 11H04

Por que Jesus chamou sua mãe de MULHER?

Por que Jesus chamou sua mãe de MULHER?Existem termos na língua e na cultura de um povo que parecem comuns para seus membros, até um elogio, mas, para outros, uma falta de respeito de delicadeza; é o caso da palavra ”mulher”, pela qual Nossa senhora, em algumas situações, foi chamada por seu filho Jesus.

Na cultura hebraica, à qual pertenciam Jesus e Sua mãe, a palavra “mulher” (yshah) entedia-se em alguns contextos como o feminino de “homem”, porém, em outros, adquiriu novo sentido. Nestes, envolvendo Nossa Senhora, o termo expressa a sua função de filha predileta de Deus, sua vocação e missão no mundo.

Em outros momentos vimos Jesus trocar o nome de algumas pessoas para sutilmente lhes conferir uma nova missão; assim é, por exemplo, com Simão, cujo nome Jesus troca por Pedro; de Saulo, que se tornou Paulo, ambos o propósito de que suas funções estivessem a partir dali voltadas à propagação da Boa-Nova, e, no caso especial de São Pedro, que se tornasse o guia espiritual de todos os cristãos, nosso primeiro Papa. Com Maria, aconteceu algo semelhante quando Jesus chamou-a de “mulher” em dois momentos.

Em João 2,4, no casamento em Caná, disse Jesus à Sua mãe: “Que queres de mim. Mulher? A minha hora ainda não chegou!”. Aqui podemos observar e supor que, pelo carinho e amor que Jesus sentia por Sua mãe, jamais a desrespeitaria, ainda mais em público. Por certo em suas palavras subentendido estava: “mulher” tu és a predileta do Pai, a que disse sim a Deus, que aceitou ser minha mãe, que foi sempre obediente, ao contrário da outra mulher (Eva), que disse não. Tu és a mulher que contribuirá para a vida, por isso mereces que eu até apresse a minha missão. De certa forma, Jesus, com Sua atitude, propiciou à Sua mãe o privilégio de tornar-se discípula, apóstola, mediadora, intercessora e mãe, facilitando e antecipando o contato de Cristo com as pessoas a partir daquela festa.

Também em João 19,26, na cruz, Jesus,  mesmo sofrendo no corpo e na alma, lembra-se da vontade do Pai, de que seus filhos não poderiam ficar órfãos de mãe; dirigindo-se a Ela, na presença do apóstolo João, diz: “Eis aí a tua Mãe!”.  Neste  momento, por decreto do Filho de Deus, Maria recebe a função e a vocação de ser a mãe de todos que a aceitarem como tal.

Assim se deu a grande descoberta: a função e missão materna, amorosa e cuidadora de Maria, passam muito além de João, elas se dirigem aos outros apóstolos. Podemos formar a ideia de que, a partir daquela festa. Podemos formar a ideia de que a partir do mistério pascal, Nossa Senhora recebe de seu Filho, além de mãe, também a vocação e a missão de evangelizadora, discípula e missionária. A mãe que ama e ajuda no crescimento espiritual dos que vão ao encontro de Jesus. Podemos dizer sem dúvida que ali ao pé da cruz, de certa forma, nasce na maternidade de Maria, a transformação na maternidade da Igreja.

Assim, podemos perceber, conforme São João, amigo, discípulo e agora eleito por ele como irmão de Jesus, que o termo “mulher”, longe de ser uma referência pejorativa à Sua mãe, possui um significado bem mais profundo e teológico, simbolizando-a como mãe da Igreja, da comunidade dos cristãos, os quais têm em Maria o seu modelo materno.

Que Maria, a mulher fiel a Deus, que disse sim ao projeto da Salvação e aceitou ser a mãe do  Messias e nossa, possa nos ensinar a sermos seus verdadeiros filhos.

Professora Dita Souza

Teóloga, biblista e autora das

Histórias de Maria que a Bíblia não conta

www.professoradita.com.br 

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