Formação

Meditação dos Mistérios Dolorosos com a Mãe das Dores - III

Escrito por Academia Marial

10 MAR 2026 - 19H15 (Atualizada em 11 MAR 2026 - 14H25)

Thiago Leon

4º mistério: Jesus carregando a Cruz

A violência e a dor infligidas ao Senhor ainda não tinham sido suficientes. O Senhor é condenado à morte de cruz. Como se não bastasse a condenação de morte na cruz, era preciso satisfazer o gosto pela crueldade, obrigando o Senhor a carregar publicamente seu instrumento de tortura.

A cruz era uma das formas mais dolorosas e humilhantes de se executar uma pessoa. Tão humilhante que os romanos não permitiam que seus compatriotas sofressem essa punição, ficando reservada aos escravos, a estrangeiros, a subversivos, e, portanto, a pessoas consideradas extremamente perigosas. Também o povo de Israel dizia ser maldito o homem que fosse pregado numa cruz (Dt 21,23).

Jesus carregando a cruz em público é assim apresentado a todos. Contudo, ainda não tinha sido revelado que, levando a cruz até o Calvário, suportava todo o peso dos pecados do mundo em seu ombro (Jo 19, 17).

A piedade mariana nos diz que nesse momento da via-sacra Jesus se encontra com sua mãe. Não existe palavra no mundo que possa descrever os sentimentos que se sustentam nesse olhar. E é sob esse olhar materno que Jesus permanece carregando sua cruz até a “hora” em que Ele vai glorificar o Pai com sua total entrega.

5º mistério: Crucificação e morte de Jesus

Na hora da dor, lembranças delicadas duelam contra a brutalidade. Um paradoxo da alma humana que nos permite manter a firmeza nos momentos mais difíceis. Assim, Maria se lembra de que, aquele homem, quando recém-nascido, seu filho querido, foi também posto sobre o madeiro. Nesse caso, o madeiro da manjedoura. O lugar onde os animais encontravam alimento, foi o trono daquele que é o alimento a saciar a “fome” de toda a humanidade.

Novamente o Senhor é posto no madeiro, mas não com delicadeza, mas selvageria. Não foi envolto em faixas com cuidado materno, mas teve suas roupas tiradas para aumentar a humilhação. Ao invés do doce movimento para embalar seu sono, deseja-se que com atroz dor, ele mergulhe no sono da morte e sirva de exemplo para todos os que se levantam contra o império, que se traduz na política romana, no ritualismo homicida e tantos outros impérios de morte.

No alto da cruz, Jesus entrega sua vida pela salvação da humanidade (Lc 23, 44-46).

Thiago Leon Thiago Leon Jesus é crucificado

Em profunda compaixão estava de pé sua mãe e o discípulo amado. Não resignados, mas como quem está disponível a também dar a própria vida (Jo 15,13). Por isso que a presença de Maria na “hora” da cruz é muito maior do que o testemunho da dor de uma mãe, mas o testemunho da corajosa discípula disposta a ter o mesmo fim que seu mestre.

E ainda mais, Maria nesse momento declara abertamente sua rejeição a qualquer forma de religião assassina, na qual quem mata crê “prestar culto a Deus” (Jo 16,2).

E Jesus recebe essa oferta. A sua mãe é dada ao discípulo amado e este à Maria. O discípulo amado é figura coletiva, pois representa a comunidade que nasceu e cresceu ao redor de Jesus. Tanto a mãe quanto o discípulo amado são representações da Igreja e um passa a ser para o outro um “bem” irrenunciável e inseparável.


“Na “hora” da morte do Senhor, a Mãe e o discípulo amado confessam que Deus é o Deus da vida. Absolutamente, o Deus da vida!”


Thiago Leon  Thiago Leon Primeira das aparições do Ressuscitado


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