Por Pe. Antonio Clayton Sant´Anna, C.Ss.R. Em Grão de Trigo Atualizada em 09 NOV 2017 - 08H54

Dedicação da Basílica de Latrão

Basílica de Latrão

A liturgia no dia 09 de novembro nos surpreende com uma celebração curiosa. Em vez de fazer memória de um santo ou santa, comemora a consagração de uma igreja, a dedicação de um edifício destinado ao culto com o nome de basílica. É a Basílica de São João de Latrão. Inicialmente dedicada a Jesus Cristo com o título: o Santíssimo Salvador. No caso trata-se da sede do papa como bispo de Roma. Esta solenidade prevalece até sobre o domingo. A história dessa consagração nos leva ao século IV, ano 311-314. Com o fim das perseguições os cristãos respiraram aliviados, principalmente em Roma, a capital do império. Puderam construir igrejas e locais públicos de culto. A inauguração e bênção dessas igrejas era festiva. Era a consagração daquele edifício, como espaço sagrado de culto a Deus. E celebrava-se também a alegria da liberdade religiosa. Os cristãos tinham a sua “casa de oração” onde se reuniam conscientes de serem os membros vivos do Corpo de Cristo. Alegravam-se com a pertença à comunidade cristã visível.

 A basílica do Papa em Roma é considerada a igreja-mãe dos católicos. Após eleito, o papa toma posse de sua sé episcopal. Mas, esta festa litúrgica, a dedicação da basílica papal, superou o sentido meramente histórico. Tornou-se um símbolo da igreja-espiritual ou do seu mistério como Corpo de Cristo vivo e ressuscitado. Mais do que uma data celebramos a nossa unidade espiritual, o mistério de nossa comunhão em Cristo, o Senhor. Consagrados pelo nosso batismo nele, somos templos vivos de um Deus uno e trino. O texto de São João, lido hoje na missa, nos ajuda a compreender a realidade da nossa consagração batismal e da nossa pertença comum ao corpo de Cristo. Leia: João, 2,13-22.

O Templo em Jerusalém era o lugar mais sagrado dos judeus. Ali se renovava a Aliança dos 10 mandamentos através de sacrifícios de animais e aves, salmos, orações, louvores, festas. A grande festa da Páscoa relembrava a sua dedicação. Ao visitar o Templo numa Páscoa Jesus não gostou do que viu. Na verdade, o culto próprio da Lei de Moisés tinha se desvirtuado. Os interesses do dinheiro e do comércio se infiltraram nos atos religiosos e na organização do local. Os líderes e as autoridades religiosas criavam uma estrutura comercial lucrativa em volta dos sacrifícios de animais. Um verdadeiro mercado acabava explorando o povo a pretexto dos cultos. A maneira de observar as leis religiosas enriquecia as lideranças. Assim, a oração, o respeito ao local sagrado, a união com Deus não prevaleciam e não fundamentavam a consciência religiosa.

Jesus irou-se contra a degeneração do culto e com gestos enérgicos exigiu o respeito ao lugar enquanto “casa de oração”, memorial da aliança com Deus.

Indignado com a exploração e comércio em lugar do serviço a fé, Jesus insurgiu-se contra os abusos e purificou o local das deformações. Agiu com decisão, firmeza e sem pedir licença. Com um chicote expulsou vendedores, cambistas, animais e condenou a cobiça das classes sacerdotais. Ao cobrarem do Mestre quem o autorizara a agir daquele modo ele os desafiou: “Destruí este Templo e em três dias eu o levantarei”. Aqui está a mensagem central do episódio. A interpretação dos dirigentes, aparentes donos da “instituição religiosa”, foi ao pé da letra: era impossível reconstruir em três dias um edifício que demorara 46 anos para ser construído. De fato, o texto de João alerta que Jesus não só estava moralizando o Templo material, sanando o culto sujeito à ambição das elites. O texto nos explica: “Mais tarde, após a ressurreição os discípulos entenderam o desafio de Jesus: ele falava do templo do seu corpo” (v. 21s). Falava da sua ressurreição. Ela é o alicerce da construção de Deus em nós!

Qualquer celebração, rito, ato religioso da Igreja tem seu fundamento no mistério de Cristo Salvador, o ressuscitado que venceu o pecado e a morte. O espaço sagrado do culto em qualquer lugar nunca pode servir de pretexto para proveito pessoal ou busca de vantagens materiais. Nós católicos não vamos à igreja, não ajudamos as suas obras, não pagamos o dízimo para “comprar a salvação”. As festas religiosas nunca devem favorecer negócios e vantagens. Em relação a Deus não há lugar para esse tipo de culto.

Por Maria, a cheia da graça, dedicamo-nos a Jesus!

Maria revela relação profunda com Jesus. Seu papel no Evangelho é de Participação única no mistério pascal do Filho. Jesus ressuscitou como Senhor da sua Igreja-povo. O corpo crucificado de Jesus Cristo glorificado junto a Deus passou a ser para nós o “templo único e verdadeiro” do perdão, da graça e do amor divino. Nele somos a “igreja viva”, o “corpo do Senhor”. Esse mistério de Cristo e da Igreja tornou-se lugar concreto de início no “sim” de Maria a Deus aceitando a encarnação de Jesus. Maria foi a primeira igreja viva, o Templo sagrado plenificado da Graça do Filho do Altíssimo, acolhida por ela antes de todos os santificados. A união eclesial entre nós começou e está representada na unidade especial e única entre Maria e o Verbo. Ela foi comparada à Arca da Aliança. Quanto mais a veneramos mais nos identificaremos com seu Filho. Ela que se dedicou totalmente a Deus nos ajude a preservar a vida divina em nós e na sociedade e a fazer da vida um culto agradável a Ele.

 

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