Por Cláudio Chaves Em Palavra do Associado Atualizada em 07 JUN 2018 - 09H52

José de Anchieta: Patrono da Academia Marial de Aparecida

José de Anchieta nasceu em São Cristóvão de Laguna na Ilha de Tenerife (uma das Ilhas Canárias, possessão espanhola no litoral africano) em 19 de março de 1534.

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Tendo demonstrado desde criança vocação para o sacerdócio, em 1548, estudando no Colégio das Artes em Coimbra, Portugal, onde se destacava pela facilidade de compor versos em latim, passou a integrar a Companhia de Jesus – ordem religiosa criado por seu parente Íñigo López de Loyola (Santo Inácio de Loyola) em 15 de agosto de 1534 –, tornando-se noviço Jesuíta em 1º de maio de 1551.

Durante seus estudos filósofos foi vítima de um grave acidente – uma escada caiu-lhe sobre os ombros e arqueando-lhe a coluna – que o levou a interromper os estudos e a recolher-se à enfermaria como paciente de prognóstico sombrio.

Em 8 de maio de 1553, já curado, porém com cifose (sequela que persistiu por toda a vida), e contando com 19 anos de idade, fez opção pelo Brasil e integrou-se a frota chefiada pelo Padre Luiz de Grã que partiu de Lisboa com o Segundo Governador Geral da Terra de Santa Cruz, Duarte da Costa. Essa expedição, cinquenta e sete dias depois, aportou em terras brasileiras, e aqui Anchieta juntou-se a outros 5 Jesuítas liderados por Manuel de Nóbrega (que veio para o Brasil quatro anos antes) pregar o Evangelho no novo continente.

O missionário Anchieta desembarcou em Salvador em 13 de julho de 1553, ali ficou por cerca de três meses, e em outubro desse mesmo ano atendendo chamamento de Nóbrega para servir nas florestas da Capitania de São Vicente, partiu da Baía de Todos os Santos rumo ao sudeste brasileiro, tendo aportado nessa localidade, no dia 24 de dezembro de 1553. Antes, porém, sobreviveu após tempestades que quase fizeram seu barco naufragar, obrigando-o a fazer escalas em Caravelas e Vitória.

Anchieta escolheu o Brasil para viver por toda a sua existência e aqui morou por 44 anos, vindo a falecer aos 63 anos de idade no dia 9 de junho de 1597 na cidade de Reretiba (ES) que hoje é denominada com o seu nome.

Registra a história que houve quem testemunhasse que no seu funeral, um enorme cortejo de 150 km se formou em que pássaros se calaram e os rios secaram.

Seus feitos foram inúmeros e a seguir descrevemos uma síntese dos considerados como os mais importantes, segundo os historiadores:

No dia 25 de janeiro de 1554, fundou a palhoça entre o rio Tamanduateí e o riacho Anhangabaú (Colégio do Planalto), batizada com o nome de São Paulo, (dia que a Igreja comemora a conversão do Apóstolo Paulo), a qual serviu de base para denominar posteriormente a Cidade e o Estado de São Paulo;

Em 5 de maio de 1563, chegou à Praia de Iperoig em Ubatuba, em companhia do Padre Manuel da Nóbrega, a fim de negociar uma trégua com os índios Tupinambás.

No mesmo ano, nessa localidade, após ter permanecido ali como refém, compôs em latim o Poema da Virgem com 5.732 versos, em língua Tupi, estabelecendo a paz entre os indígenas em 14 de setembro de 1563;

Presente à fundação de São Sebastião do Rio de Janeiro em 1º de março de 1565, ali construiu o Colégio Jesuíta em 1567, o primeiro hospital – Santa Casa de Misericórdia, em 1582 – e também participou ativamente da expulsão definitiva dos franceses, no mesmo ano de 1567, após ter pacificado a Confederação dos Tamoios;

Contribuiu decisivamente para que a Nação brasileira tivesse um território indivisível, um único idioma e seu povo um convívio harmonioso;

Foi o maior divulgador do Evangelho nas terras do Novo Mundo tanto aos nativos e recém-chegados quanto aos seus descendentes miscigenados, utilizando-se sempre do lema da Companhia de Jesus – Ad maiorem Dei gloriam (Para maior glória de Deus) –, o que patenteia a dimensão do seu trabalho apostólico;

Foi considerado também como o primeiro professor de latim das Américas e autor da primeira gramática publicada na língua tupi-guarani (Arte de Gramática da Língua mais usada na Costa do Brasil) editada em 1595, além de ser considerado como fundador da literatura e da dramaturgia colonial brasileira por ter escrito e musicado as primeiras peças do teatro no idioma de então;

A ele são atribuídos milagres como cura de doenças graves com ervas medicinais e ressurreição de mortos, o que lhe valeu pelos índios a alcunha de Paye-Guaçu (grande pajé);

Por todo esse meritório trabalho, José de Anchieta recebeu um rosário de louvores, onde se incluem:


O Apóstolo do Brasil;

O Primeiro Professor Brasileiro;

O Fundador da Literatura Brasileira;

O Menestrel da Virgem;

O Orfeu do Brasil;

O Iniciador da Vida Mental Brasileira;

O Cavaleiro da Mística Aventura;

O Colonizador Obstinado;

O Apóstolo do Cristianismo no Novo Mundo;

O Despertador do Sentimento Nativista;

O Desbravador Cultural do Brasil;

O Pacificador dos Tamoios;

A Maior Figura do Brasil Colonial;

O Pioneiro da nossa Poesia;

O Pai dos Aflitos e Enfermos;

O Embaixador da Paz;

O Conselheiro Espiritual;

O Incansável e Onipresente;

A Personalidade Polimorfa;

O Epistológrafo;

O Tupinólogo;

O Teatrólogo;

O Primeiro Ecologista do Brasil;

O Iniciador de nossas Estradas;

O Defensor dos Direitos Humanos.

Tendo sido ordenado padre em terras brasileiras no ano de 1556 (pontificado de Paulo IV), o seu processo de beatificação começou em 1617 (vinte anos após o seu falecimento) com o pedido que os jesuítas da Bahia fizeram à Santa Sé (Papa Paulo V), o qual foi aceito em 1624 pelo Papa Urbano VIII. Em 1738, o Papa Clemente XII confere a Anchieta o título de venerável (o primeiro passo para a beatificação).

Entretanto, com a expulsão dos jesuítas de todos os territórios da Coroa Portuguesa por Marques de Pombal em 1760 a época do papado de Clemente XIII e a supressão da Companhia de Jesus em 1773 durante o pontificado de Clemente XIV, todos os processos de beatificação e canonização de jesuítas foram suspensos.

Em 1842, quando o Papa era Gregório XVI, com a chegada ao Brasil dos primeiros jesuítas após o restabelecimento da Companhia em Jesus em 1814 pelo Papa Pio VII, o processo de beatificação de Anchieta foi reaberto em 1875, por iniciativa de Dom Vital Maria Gonçalves de Oliveira, bispo de Olinda e Recife no papado de Pio IX.

Cortes epistemológicos, respectivamente, nos pontificados de Leão XIII (1897 e 1899) e Paulo VI (1969, 1974 e 1977), registram pedidos da maioria do episcopado brasileiro ao Vaticano para a consumação da beatificação de José de Anchieta.

Em 1965 o Presidente Castelo Branco, por decreto define o dia 9 de junho como o 'Dia Nacional de Anchieta'.

Em 22/6/1980 por João Paulo II quando o Sumo Pontífice empreendeu sua 1ª viagem ao Brasil, a proclamação da beatificação de José de Anchieta é oficializada, no momento em que os brasileiros passaram a considerá-lo como Santo José de Anchieta, Apóstolo do Brasil.

No dia 3 de abril de 2014 o papa Francisco assinou no Vaticano, a canonização do padre José de Anchieta (1534 – 1597) e o tornou oficialmente o terceiro santo brasileiro.  O Pontífice assinou um decreto, servindo-se da chamada “canonização equipolente”, pela qual não é necessária a comprovação de milagre, levando em conta o decurso de vida do então beato.

 * Cláudio Chaves - membro da Academia Marial de Aparecida.


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