Por Joana Darc Venancio Em Brasil Atualizada em 14 JUN 2019 - 10H10

Festas juninas: cultura de alegria e de vida

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Chegou o tempo privilegiado para a cultura brasileira! Chegou o tempo da alegria! Chegou o tempo da saudade! Não podemos deixar morrer o costume das festas juninas. As gerações futuras precisam saber e experimentar a alegria dos arraiás:

O baile lá na roça foi até o sol raiar,
A casa estava cheia mal se podia andar.
Estava tão gostoso aquele reboliço,
Mas é que o sanfoneiro só tocava isso.

De vez em quando alguém vinha pedindo pra mudar;
O sanfoneiro ria querendo agradar.
Diabo que a sanfona tinha qualquer enguiço,
Mas é que o sanfoneiro só tocava isso.

Vamos colaborar para que as festas juninas mantenham suas características originais (com exceção de soltar balões) nas escolas, nas igrejas, nas ruas, nas nossas famílias. Promovamos nossa cultura!

Leia MaisSanto Antônio, São João e São Pedro: os santos juninosAs festas juninas têm origem em Portugal e França e acontecem no Brasil desde 1600. Estudos afirmam que depois do carnaval são as festas mais marcantes e celebradas no Brasil. Três referenciais da Fé transformaram o mês de junho no mês do reboliço da ternura: Santo Antônio, dia 13; São João, dia 24; São Pedro, dia 29. A Fé e a Vida misturam-se numa celebração de alegria.

O medo gerado pela violência e por outras complexidades, tentam gelar nossos corações, mas as fogueiras juninas relembram-nos o quanto podemos ser aquecidos pelo encontro, pela alegria, pelo modo simples e intenso de celebrar nossa cultura. As “quadrilhas do bem” renovam a alegria que as "quadrilhas do mal" tentam nos roubar. É um tempo de esperança, de emoção e de alegria. Papa Francisco, na Exortação Gaudete et Exsultate (Alegrai-vos e Exultai), nos ensina que o cristão deve ser alegre e não mal-humorado. Diz ele:

"Normalmente a alegria cristã é acompanhada pelo sentido do humor,
tão saliente, por exemplo, em São Tomás Moro, São Vicente de Paulo, ou São Filipe Néri.
O mau humor não é um sinal de santidade: «lança fora do teu coração a tristeza» (Ecl 11, 10).
É tanto o que recebemos do Senhor «para nosso usufruto» (1 Tm 6, 17),
que às vezes a tristeza tem a ver com a ingratidão, com estar tão fechados em nós mesmos
que nos tornamos incapazes de reconhecer os dons de Deus. (126)"

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As festas juninas ainda resistem ao tempo, à pós-modernidade, aos apelos das mídias, aos amontoados de eletrônicos, às redes sociais e ao medo. Elas resgatam sentimentos e costumes adormecidos. Fortalecem os laços de amizade, provocam encontros, exercitam a criatividade e enchem-nos de saudades do que já vivemos e nos fazem projetar para o que de bom podemos viver.

As festas juninas são exercício para a liberdade interior, a volta às raízes: a simplicidade do caipira, a comida típica, a terra cultivada, as roupas simples, o sorriso livre, a alegria espontânea, a fé celebrada nas quermesses das capelinhas dos vilarejos, as bandeirinhas, as pindobas, as fogueiras, os casais enamorados, as famílias unidas, ninguém na solidão. E o sanfoneiro tocando sem parar.

Escrito por
Joana Darc Venancio (Redação A12)
Joana Darc Venancio

Pedagoga, Mestre em educação e Doutora em Filosofia. Especialista em Educação a Distância e Administração Escolar, Teóloga pelo Centro Universitário Claretiano. Professora da Universidade Estácio de Sá. Coordenadora da Pastoral da Educação e da Catequese na Diocese de Itaguaí (RJ)

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