Por Luciana Gianesini Em Brasil

Inclusão deficiente

Leia MaisIgreja busca ações concretas para inclusão da pessoa com deficiência Dia Internacional da Pessoa com Deficiência: legislação exige acessibilidade digitalDireitos fundamentais da Pessoa com DeficiênciaO trabalho de inclusão realizado pela Pastoral da Pessoa com DeficiênciaPastoral da Pessoa com Deficiência: uma Igreja mais inclusiva e acolhedora

“Perguntaram-lhe os seus discípulos: Rabi, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego? Respondeu Jesus: Nem ele pecou nem seus pais; mas foi para que nele se manifestem as obras de Deus.” (João 9, 2-3)

Nos últimos dias (coincidentemente ou não, próximos ao meu aniversário), passei por algumas situações que me fizeram pensar e repensar bastante sobre meus próprios limites, mas principalmente sobre os limites da sociedade em relação às políticas e práticas de inclusão de pessoas com deficiência.

Pelo menos quem me conhece pessoalmente, sabe que tenho uma deficiência locomotora, que limita um pouquinho o meu caminhar. Trata-se de uma má-formação da coluna vertebral chamada mielomeningocele, que pode comprometer vários níveis da saúde, dependendo da altura da coluna em que o problema acontece. Meu caso, se não for o mais leve, é um dos mais leves já registrados.

:: Conheça Rodrigo, testemunho vivo de graças pela intercessão da Mãe Aparecida

Lassedesignen/ Shutterstock
Lassedesignen/ Shutterstock


Mas este post não foi pensado para falar de mim. É que me chamou muita atenção o fato de que
pessoas que, teoricamente, deveriam estar preparadas para lidar com deficientes, ficam totalmente constrangidas e desorientadas quando se deparam conosco. Na intenção de incluir ou de "não tratar diferente", acabam dando muito menos atenção do que seria o ideal, ficando muito aquém do que se espera de sua atuação profissional.

Estabelecimentos comerciais, transporte público, empresas, médicos... é um despreparo assustador. Ou, no mínimo, falta de misericórdia (que é o colocar-se no lugar do outro).

O que aconteceu comigo - e que nem vale a pena detalhar - mostra o quanto o conceito de inclusão está distorcido ou falho. Pode parecer estranho que seja necessário, numa sociedade que se intitula tão evoluída como a nossa, a determinação de cotas, por exemplo. Mas hoje eu vejo o quanto isso ainda é necessário, não por nós que estamos dentro da fatia, mas muito mais por quem não está, para que preste mais atenção nisso.

Aquém do ideal ainda está a acessibilidade. Ora, é impensável nos dias atuais, imaginar uma construção não adaptada a todo e qualquer tipo de deficiência! Mas elas existem, por toda a parte, e continuam sendo feitas sem que se dê atenção a isso.

Aí comecei a ler algumas coisas na internet e vi que, infelizmente, eu não fui um caso isolado. Sim, eu queria que o azar tivesse sido só meu. Imediatamente quando passei por tais situações, pensei em amigos que têm muito mais dificuldades que eu e exigiriam muito mais cuidados.

Num mundo onde se faz tanto alarde para outras questões "inclusivas", ainda tem gente que simplesmente não pensa que, no mesmo lugar onde há escadas, há que se ter uma rampa ou um elevador ao lado. Onde há texto escrito, deve haver a tradução em braile. Onde há som, deve haver imagem, tradução em libras ou legendas. Mas, principalmente, onde há SERES HUMANOS, tem que haver acolhimento, na forma que estes necessitem.

Shutterstock
Shutterstock


Com isso foi que percebi que, aos 30 e poucos anos, eu posso me considerar muito mais evoluída e realizada que muita gente de 50,
graças a Deus, à família que eu tenho e que permitiu chegar a todos os lugares em que já cheguei. E eu também aprendi que, depois de me preparar para o mundo e estar pronta pra ele, agora o mundo que se prepare pra mim.

Eu não vou parar de defender o que acho certo e de ir atrás do que eu tenho direito. Afinal, se Deus fez o mundo, Ele o fez pra mim também

“Então os olhos dos cegos serão abertos, e os ouvidos dos surdos se desimpedirão. 
Então o coxo saltará como o cervo, e a língua do mudo cantará de alegria". (Isaías 35, 5-6)

Seja o primeiro a comentar

Os comentários e avaliações são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site.

0

Boleto

Anterior
Próximo
Reportar erro! Comunique-nos sobre qualquer erro de digitação, língua portuguesa, ou
de informação equivocada que você possa ter encontrado nesta página:

Por Luciana Gianesini, em Brasil

Obs.: Link e título da página são enviados automaticamente.