Espiritualidade

O que é a inveja e como identificá-la no coração?

Na série Vícios e Virtudes, saiba o que é a inveja e como a cultura da comparação nas redes sociais pode intensificá-la.

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Escrito por Giovana Marques

14 AGO 2026 - 09H53 (Atualizada em 14 AGO 2026 - 11H17)

Antonioguillem/Adobe Stock

Quer-se o mal do outro, mas secretamente deseja-se ser como ele, assim disse o Papa Francisco na sua catequese sobre Vícios e Virtudes, a respeito da inveja. Isso é o que acontece no interior da pessoa invejosa, tentação na qual todos podemos cair.

Para falarmos sobre a inveja, é importante citarmos outro vício que, segundo o papa Francisco, caminha de mãos dadas: a vanglória. Os dois são característicos de alguém que aspira ser o centro do mundo, o que pode tornar mais difícil para a pessoa reconhecer que, no seu interior, encontra-se esse mal. Vamos então entender como o vício se apresenta e formas para vencê-lo.

O que é a inveja?

O catecismo da Igreja, no parágrafo 2539, diz que esse vício é a tristeza que se sente perante o bem alheio, como também o desejo de possuí-lo. O documento ainda enfatiza que desejar um mal grave ao próximo é um pecado mortal, pois:

“Da inveja nascem o ódio, a maledicência, a calúnia, a alegria causada pelo mal do próximo e o desgosto causado pela sua prosperidade.” CIC 2539

Como identificá-la na realidade?

Existe hoje uma realidade que precisa de atenção quando falamos deste pecado capital: as redes sociais. Isso porque o ambiente digital pode intensificar a inveja, uma vez que estamos diante do “sucesso” dos outros a todo instante. O problema, contudo, não está na plataforma, mas no modo como o coração interpreta o que vê e no uso que se faz.

Ao usar o Instagram, muitas pessoas caem na comparação e tristeza por não possuir algo que o outro mostra, seja a beleza, um bem material, um status, um reconhecimento profissional, dentre tantas outras coisas. Por outro lado, muitos usam com sabedoria, tornando este um espaço para exercitar a gratidão e a caridade com os demais.

A inveja não permanece apenas como sentimento interior. Ela pode produzir competição egoísta, comentários maldosos, difamação, prazer diante da desgraça alheia e tentativa de desvalorizar o próximo.

Um bom exame para identificar o vício em nosso coração é responder: quais sentimentos as redes sociais têm despertado no meu coração? Me comparo com outras pessoas a partir do que vejo? Fico triste ou desejo mal ao ver o bem de alguma pessoa? O mesmo exame pode ser feito fora do contexto das telas, como no trabalho, na família e no convívio social.

Como vencer a inveja?

O primeiro passo para chegarmos à virtude é a humildade, ou seja, assumir a verdade de que todos somos fracos e podemos, em algum momento, ceder aos vícios. A humildade é a base da vida cristã; ela, segundo o Papa Francisco, “repõe tudo na dimensão certa: somos criaturas maravilhosas, mas limitadas, com qualidades e defeitos”.

A inveja, segundo o catecismo, é uma forma de tristeza e também uma recusa da caridade. Por isso, todo batizado deve buscar vencê-la pela humildade e benevolência. A primeira é o amor à verdade, como citamos acima, enquanto a segunda significa boa vontade e ânimo para realizar o bem ao outro.

“Quereríeis ver Deus glorificado por vós? Pois bem, alegrai-vos com os progressos do vosso irmão e, assim, será por vós que Deus é glorificado. Deus será louvado, dir-se-á, pelo fato de o seu servo ter sabido vencer a inveja, pondo a sua alegria nos méritos dos outros” CIC 2540

A “matemática” de Deus

Na conclusão da catequese, o papa Francisco ainda apontou que, na raiz do vício, há uma falsa ideia de Deus: “não aceitamos que Deus tenha a sua “matemática” diferente da nossa". Nós possuímos uma lógica egoísta, enquanto Deus vive a lógica do amor. Devemos, como disse o apóstolo Paulo, amar uns aos outros com afeto fraterno, concorrendo na estima recíproca (Rm 12,10).

Qual santo pode me ajudar?

Um exemplo para nós é São João Batista, que não tentou competir com Jesus ao perceber que muitos de seus seguidores estavam seguindo o mestre. Pelo contrário, João reconheceu com humildade:

“É necessário que Ele cresça e eu diminua.” Jo 3,30

Ele nos ensina que o valor de uma pessoa não depende de ser o centro das atenções. É importante alegrar-nos quando o outro recebe reconhecimento, sem considerar isso uma ameaça à própria dignidade.

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