Espiritualidade

Uma Sociedade Sentimental

Como estamos administrando nossos sentimentos?

Fr. Rafael Peres Nunes de Lima C.Ss.R. (Arquivo Pessoal)

Escrito por Fr. Rafael Peres Nunes de Lima, C.Ss.R.

30 JUN 2022 - 09H33 (Atualizada em 30 JUN 2022 - 09H50)

Lilanakani/ Shutterstock

Podemos imaginar um mundo sem sentimentos, onde a sociedade olha para um individuo e passa adiante? Onde a morte já não causa mais comoção, mas gera “likes” em uma postagem no Instagram, Facebook? Podemos imaginar uma sociedade em que a comoção pela morte de um artista ou cantor gera mais comoção que a morte de milhares de pessoas que passam fome?

Sim, podemos ter várias reflexões sobre os sentimentos sociais e particulares das pessoas, já que o ser humano é tão complexo e modifica-se a cada instante.

Leia MaisO mundo digital como instrumento de evangelização Ambiente digital não é uma rede de fios, mas de pessoasDiante de tantas perguntas que surgem a respeito dos sentimentos, observamos que a humanidade ainda patina nestas questões. Nos tornamos menos ou mais sentimentais a partir do momento em que determinada situação nos acarreta uma reação.

Um grande exemplo está no uso das redes sociais para mostrar o sofrimento do outro, a morte do outro e, ao redor, uma gama de pessoas que demonstram estar comovidas com a cena (foto ou vídeo) compartilhada. Mas na vida real, fora do mundo fictício da internet, tais sentimentos desaparecem.

Kit8.net/ Shutterstock
Kit8.net/ Shutterstock

A complexidade dos sentimentos nos seres humanos, em cada singularidade, ou seja, em cada pessoa, mostra que a partir de algo que estimule determinado sentimento, este pode se tornar tão comum entre as pessoas, que pode gerar raiva, comoção e tristeza em nível de sociedade.

 Os sentimentos não estão fora do ser humano. Eles estimulam a pessoa a uma ação. Porém, dentro de uma sociedade líquida, onde tudo modifica-se a cada instante, os sentimentos não ficam de fora desta barca. Em um instante, pode-se comemorar um aniversário e pouco depois estar num velório, ou vendo a morte de uma pessoa ao atravessar a rua. Os sentimentos mudam instantaneamente.

Leia MaisRedes sociais escondem as emoções?A missão do cristão nas redes sociaisNa correria das grandes cidades, onde a pessoa não tem tempo para vivenciar seus sentimentos, passar por um morador de rua e não sentir nenhuma comoção, ou por algum cadáver na rua, vítima do frio, calor, bala perdida, Torna-se "normal", e cada vez mais a sociedade passa do sentimental ao "insentimental" (sem sentimentos), em questão de segundos.

A questão que nos fica é: Como estamos administrando nossos sentimentos?

Escrito por
Fr. Rafael Peres Nunes de Lima C.Ss.R. (Arquivo Pessoal)
Fr. Rafael Peres Nunes de Lima, C.Ss.R.

Missionário Redentorista, Bacharel em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas e estudante de Teologia no Instituto São Paulo de Estudos Superiores – ITESP.

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Por Redação A12, em Espiritualidade

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