História da Igreja

Igreja Medieval: Novo vigor missionário

Padre Inácio_3 (Juan Ribeiro / Rede Aparecida)

Escrito por Pe. Inácio de Medeiros, C.Ss.R

07 JAN 2021 - 09H07 (Atualizada em 07 JAN 2021 - 10H22)

Shutterstock monge-medieval (Shutterstock)

PÁGINAS DE HISTÓRIA DA IGREJA

HISTÓRIA MEDIEVAL 05

Passado o primeiro susto provocado pelas invasões dos Povos Germânicos e pela queda do Império Romano, a Igreja percebeu que sua missão precisava continuar. Os pastores da Igreja começaram a se perguntar: nossa missão não é a acolher os novos povos em nossas igrejas? Então não podemos nos entregar ao medo e ao desânimo, pois a missão precisava continuar.

A partir daí a Igreja começou um grande trabalho, levando a todos os povos uma primeira evangelização e contato com as verdades do evangelho. Mas não foi nada fácil integrar esses "bárbaros" desorganizados, supersticiosos e violentos aos quadros católicos. Grandes missionários lançaram-se então à tarefa de evangelizar provocando um esforço que hoje é chamado de “inculturação”.

• No ano 500, o rei franco Clodoveu recebeu o batismo e com ele todo o seu povo.

• Em 587, o rei visigodo Recaredo foi batizado, levando consigo a Espanha quase que por completo.

• A mais forte obra missionária, porém, viria da Irlanda católica, onde tinha missionado São Patrício (+461). Ele estabeleceu um tipo de Igreja onde o centro não era a catedral, mas o mosteiro. Os missionários irlandeses, quase todos monges, tendo à frente São Columbano (+615), saíram da ilha, partindo para o continente europeu evangelizando, organizando e formando as igrejas nas Gálias, Suíça, Alsácia e em outras regiões até alcançar o norte da Itália.

Os anglo-saxões, na Inglaterra, por sua vez, também queriam receber a fé cristã. Seu grande missionário foi Santo Agostinho de Cantuária, enviado pelo papa Gregório em 596, juntamente com mais 40 monges. Na solenidade de Pentecostes do ano 597, o rei Etelberto e a rainha Berta receberam o batismo. No Natal seguinte, mais 10 mil súditos também foram batizados. Com isso, a fé cristã estava reimplantada na Grã-Bretanha.

Atuação de grandes missionários

Os povos germânicos, nos séculos IX e X, continuavam a ser o terror da Europa. Vários deles, porém, foram evangelizados pelo maior missionário do continente europeu, Wynfrith (Vinfrido), mais conhecido como São Bonifácio (+ 754 aprox.). Ele converteu a maior parte da Alemanha, implantando dioceses e mosteiros, criando estruturas de Igreja e sempre conservando estreita ligação com Roma. Por esse grande esforço recebeu o cognome de “Apóstolo da Alemanha”.

Leia MaisPrimeira evangelização dos Povos GermânicosPor sua vez, os países escandinavos do norte da Europa onde hoje temos a Noruega, Dinamarca, Suécia e outros receberam a fé cristã entre os séculos IX e XII. Ali aturam grandes missionários como Santo Oscar (+865), apóstolo da Dinamarca, e o rei Santo Olavo (+1030), na Noruega. A partir do ano 780, outras partes da Alemanha foram convertidas à força por Carlos Magno. Após a conquista militar, era proposta a opção entre o batismo ou a morte.

Em relação ao território do antigo Império Romano, podemos dizer que o retorno à fé católica estava praticamente concluído em meados do século VII, com o retorno das Gálias, Espanha, Itália e Inglaterra ao mundo católico. Mas a dimensão nem sempre correspondia à intensidade, pois muitas pessoas desses povos recém-convertidos mantinham, mesmo que às escondidas, sua primitiva religião. Essa realidade de duplicidade religiosa se mantém ainda hoje na Igreja onde a fé nem sempre alcança a densidade ou a intensidade necessária.

Métodos Missionários

Aos poucos a Igreja foi aprimorando seu método evangelizador e, de forma resumida, podemos elencar ao menos três métodos missionários empregados na evangelização da Europa medieval. O primeiro método era o do convencimento: o missionário anunciava o Evangelho nos povoados e cidades, convencendo e batizando, depois organizava as estruturas da Igreja. É o método praticado por São Bonifácio na Alemanha, por exemplo. Ele é mais demorado, porém, muito mais profundo e duradouro, gerando constância e perseverança. Nesse método os missionários fixam residência no meio do povo, convivendo e assumindo parte de seus costumes e de sua cultura. O testemunho do missionário é fundamental na conversão das pessoas.

O segundo método era o da conversão dos chefes, reis ou príncipes, que depois traziam seu povo à nova fé. Assim aconteceu nas Gálias, na Espanha e na Inglaterra. Esse método muitas vezes era mais rápido, mas não gerava o convencimento e nem a profundidade suficiente. Muitas vezes as pessoas se convertiam mais por conveniência do que convicção.

O terceiro método, sem justificativa na história missionária anterior, foi o das conversões forçadas, aplicado por Carlos Magno e seus sucessores aos saxões e outros povos. Depois de uma vitória militar restava aos derrotados uma dupla opção: batismo ou morte. Conversões forçadas, fingidas, por interesse, longe da mansidão e do convencimento da tradição crista aconteciam com mais frequência nesse método missionário.

Inaugurava-se, com isso, uma prática que não tem justificativa e que traria repercussão extremamente negativa na história: a violência posta a serviço do Evangelho ou da unidade da Igreja. Por vezes, chegava a acontecer a destruição dos lugares sagrados e de templos dos que não aceitavam a fé cristã. Às vezes, a intenção até que era boa, mas, no fundo, acontecia uma grande falta de respeito pelas antigas culturas. A justificativa por parte de muitos é que, dessa forma, se evitava a tentação do retomo ao paganismo.

A partir da visão ecumênica ou de diálogo religioso hoje praticado, essa atitude de alguns seguimentos da Igreja foi totalmente deplorável.

Escrito por
Padre Inácio_3 (Juan Ribeiro / Rede Aparecida)
Pe. Inácio de Medeiros, C.Ss.R

Redentorista da Província de São Paulo, graduado em História da Igreja pela Universidade Gregoriana de Roma, já trabalha nessa área há muitos anos, tendo lecionado em diversos institutos. Atuou na área de comunicação, sendo responsável pela comunicação institucional e missionária da Província de São Paulo, atualmente é diretor da Rádio Aparecida

Seja o primeiro a comentar

Os comentários e avaliações são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site.

0

Boleto

Reportar erro! Comunique-nos sobre qualquer erro de digitação, língua portuguesa, ou
de informação equivocada que você possa ter encontrado nesta página:

Por Redação A12, em História da Igreja

Obs.: Link e título da página são enviados automaticamente.

Bem vindo!


Para completar seu cadastro, por favor, verifique seu e-mail e defina sua senha.
Caso não encontre o e-mail na sua caixa de entrada, por favor, verifique na caixa de SPAM/TRASH/LIXO ELETRÔNICO.