Por Pe. José Luis Queimado, C.Ss.R. Em Igreja Atualizada em 27 ABR 2018 - 09H53

Conhecendo os Evangelhos: Até mesmo na boca do Leão

Jo 15, 26-16, 4a

Mas, quando vier o Consolador, que eu da parte do Pai vos hei de enviar, aquele Espírito de verdade, que procede do Pai, ele testificará de mim. E vós também testificareis, pois estivestes comigo desde o princípio. Tenho-vos dito estas coisas para que vos não escandalizeis. Expulsar-vos-ão das sinagogas; vem mesmo a hora em que qualquer que vos matar cuidará fazer um serviço a Deus. E isto vos farão, porque não conheceram ao Pai nem a mim. Mas tenho-vos dito isto, a fim de que, quando chegar aquela hora, vos lembreis de que já vo-lo tinha dito.

Até mesmo na boca do Leão

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As palavras de Jesus nesta perícope (pequeno corte do Evangelho) deixam-nos assustados e agoniados, pois são palavras duras e amargas. Imagine o quanto mais dolorosas elas foram para os apóstolos e discípulos que as ouviam naquele dia! Ele promete enviar o Consolador, o Espírito de Amor que acompanhará as obras de seus continuadores – é ele que manterá a chama da missionariedade acesa.

Digo que essas palavras são fortes porque elas descrevem como serão recebidos os pregadores da Boa-Nova. Haverá perseguições, massacres e mortes! Lembremo-nos de que o Evangelho de João foi escrito no final do século I, ou seja, num período de 60 ou 70 anos depois da morte de Jesus; a implacável perseguição do imperador romano Domiciano (81-96 d.C.) deixou muito mais fortes e compreensíveis as palavras que Jesus havia dito sobre as grandes batalhas que os seus seguidores enfrentariam no decorrer da caminhada.

Hoje, ao menos em algumas partes do Ocidente, temos tranquilidade em professar a nossa fé e gritar para os quatro cantos do mundo aquilo em que nós acreditamos (veja por exemplo que alguns pastores evangélicos pregam até mesmo nas praças das grandes catedrais católicas). Mas será que realmente acreditamos no que falamos? Será que realmente temos alguma segurança sobre os nossos pensamentos? E se estivéssemos sendo caçados, como foram os cristãos da origem? E se a Inquisição estivesse atrás de nós, para nos torturar? Continuaríamos sendo cristãos?

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Quando formos perseguidos devido aos nossos pensamentos, à nossa crença ou à nossa forma de vida, devemos agradecer a Deus por já sentirmos na pele o que o seu Filho nos havia avisado. Ninguém está obrigado a seguir Jesus, mas aqueles que ousam fazer isso devem saber das inúmeras consequências que os esperam. Seguir Jesus não é uma tarefa fácil, pois podemos nos dizer cristãos sem mesmo amar a quem seguimos. E como já salientou o Papa Francisco, existem alguns que até desprezam a religião cristã, mas se aproximam mais dos ensinamentos de Jesus do que alguns de seus próprios seguidores.

Que nós, cristãos, sejamos pessoas dóceis com os irmãos e, ao mesmo tempo, ríspidas com as injustiças; sejamos amáveis com todos os seres humanos, mas radicais na defesa do mais necessitado. Sejamos misericordiosos com o pecador, mas carrascos contra os pecados! Ser cristão não é ser bonzinho ou subserviente, mas é ser capaz de entrar na “boca do leão” apenas para denunciar uma estrutura de morte e salvar a vida de muitos inocentes!

Escrito por
Pe. José Luis Queimado, C.Ss.R. (Arquivo Santuário Nacional)
Pe. José Luis Queimado, C.Ss.R.

Redentorista, formado em Filosofia e Teologia. Pesquisador das Sagradas Escrituras e História. Acumulou experiência nas Missões Populares e no Santuário Nacional de Aparecida.

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