Após mais de 600 anos sem intervenções, ou reformas estruturais, a "Gruta da Natividade", em Belém, tradicionalmente venerada como o local do nascimento de Jesus, irá passar por um delicado processo de restauração, marcando um gesto que guarda mais do que séculos de história, é a exibição, segundo a fé cristã, do local onde Deus entrou na história humana.
O anúncio foi feito pelo Patriarcado Ortodoxo Grego de Jerusalém e pela Custódia da Terra Santa, com a colaboração do Patriarcado Ortodoxo Armênio. O território é considerado patrimônio da humanidade, e abriga religiões além do catolicismo, respeitando o histórico status quo que rege os lugares santos cristãos.
A iniciativa acontece também sob os cuidados da Presidência do Estado da Palestina, respeitando o local histórico. Trata-se de um passo aguardado há décadas para o local venerado em todas as religiões cristãs como o lugar da Encarnação.
O presidente palestino Mahmoud Abbas referiu-se à retomada das obras como “um sinal de grande esperança e renascimento para toda a Terra Santa”. A fala ocorreu no contexto de seu encontro com o Papa Leão XIV e da inauguração da exposição Belém Renascida, reforçando o caráter simbólico e internacional do projeto.
“Restaurar este lugar santo significa salvaguardar a continuidade da fé, da memória e da devoção na terra da Natividade”, afirma a nota conjunta.
Cuidados com o local histórico
A execução do projeto foi confiada a uma empresa italiana da cidade de Prato, a mesma responsável pelo trabalho de restauração da Basílica da Natividade.
A escolha justifica-se para assegurar uma continuidade metodológica de um espaço de valor espiritual inestimável. Segundo informações da Custódia da Terra Santa, as etapas preparatórias já foram concluídas e as obras devem começar em breve.
As intervenções na gruta incluem: o local da rocha exposta, os pisos de mármore, colunas, decorações e a estrela que marca o local exato do nascimento de Jesus.
Trabalhadores da própria região, formados em técnicas de conservação, serão envolvidos na obra, o que representa um auxílio positivo para a economia de Belém, duramente afetada pelo conflito entre Israel e Hamas e pela interrupção das peregrinações.
Com o início gradual da chamada “Fase 2” do plano de paz anunciado pelo presidente Donald Trump, a expectativa é de uma retomada lenta, porém contínua, do fluxo de peregrinos.
Mais do que um gesto de preservação, a restauração da Gruta da Natividade carrega um forte significado ecumênico. A colaboração entre greco-ortodoxos, armênios e franciscanos testemunha um compromisso comum com a proteção do patrimônio espiritual, histórico e cultural da fé cristã.
Em comunicado conjunto, as Igrejas envolvidas destacaram que o projeto “incorpora um compromisso cristão unido”, voltado à preservação do patrimônio espiritual, histórico e cultural da Gruta Sagrada para as gerações futuras.
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Fonte: Vatican News
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