O Papa Leão XIV presidiu, no último domingo (25), às Vésperas na Basílica de São Paulo Fora dos Muros, em Roma. A celebração marcou o encerramento, no Hemisfério Norte, da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. A data coincidiu com a festa da Conversão do Apóstolo São Paulo. No hemisfério Sul, a celebração costuma ocorrer numa data próxima de Pentecostes, no dia 24 de maio.
Ao lado de representantes de diversas denominações cristãs, o Pontífice recordou que a missão confiada a Paulo permanece atual.
“Ao estarmos reunidos junto dos restos mortais do Apóstolo das Gentes, deste modo nos é recordado que a sua missão é também a missão dos cristãos de hoje: anunciar Cristo e convidar todos a depositarem a sua confiança Nele”.
Segundo Leão XIV, a Semana de Oração é um momento que ocorre todos os anos para renovar o compromisso com o anúncio do Evangelho. As divisões entre os cristãos, explicou, não impedem a ação de Cristo, mas “tornam mais opaco o rosto que a deve refletir no mundo”.
Participaram das Vésperas representantes do Dicastério para a Promoção da Unidade dos Cristãos e líderes de diversas Igrejas e comunhões cristãs. Entre eles estavam o Metropolita Polykarpos, do Patriarcado Ecumênico de Constantinopla; o arcebispo Khajag Barsamian, da Igreja Apostólica Armênia; e o bispo Anthony Ball, da Comunhão Anglicana. Também estiveram presentes estudantes do Instituto Ecumênico de Bossey, ligado ao Conselho Mundial das Igrejas.
Durante a homilia, o Papa recordou a viagem à Turquia, realizada em novembro, por ocasião dos 1700 anos do Concílio de Niceia. No local onde foi formulado o Credo Niceno, cristãos de diferentes tradições o recitaram juntos.
“Recitar juntos o Credo Niceno no próprio local onde fora redigido constituiu um testemunho precioso e inesquecível da nossa unidade em Cristo”, disse. Para o Pontífice, esse gesto expressa um caminho possível para o diálogo ecumênico hoje, com a ação do Espírito Santo, capaz de conduzir os cristãos a uma fé proclamada “a uma só voz”.
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Leão XIV comentou ainda o trecho da Carta aos Efésios (Ef 4,4-6), escolhido como tema da Semana da Unidade deste ano. O texto bíblico repete o chamado à unidade: um só corpo, um só Espírito, uma só esperança, um só Senhor, uma só fé, um só batismo, um só Deus.
“Queridos irmãos e irmãs, como poderão estas palavras inspiradas não nos tocar profundamente? Como poderá o nosso coração não arder perante o seu impacto? (...) Somos um! Já o somos! Reconheçamo-lo, experimentemo-lo, manifestemo-lo!”, exortou.
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O Papa situou o futuro do diálogo ecumênico no caminho sinodal vivido pela Igreja. Ele recordou as Assembleias do Sínodo dos Bispos de 2023 e 2024, que contou com a presença de delegados fraternos de outras Igrejas cristãs.
Para Leão XIV, essa experiência indica uma via concreta de aproximação. “Considero que este seja um caminho para crescermos juntos no conhecimento mútuo das respetivas estruturas e tradições sinodais”, afirmou.
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O Papa também relacionou esse percurso com a preparação para o Jubileu de 2033, quando se celebram os dois mil anos da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo.
“Enquanto aguardamos os 2000 anos da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor Jesus em 2033, comprometamo-nos a desenvolver ainda mais as práticas sinodais ecumênicas e a partilhar reciprocamente o que somos, o que fazemos e o que ensinamos”.
Antes do encerramento da celebração, Leão XIV agradeceu às delegações presentes e destacou a contribuição das Igrejas da Armênia, responsáveis pelo material da Semana de Oração deste ano. O Papa recordou o testemunho histórico do cristianismo armênio, marcado pelo martírio.
“Com profunda gratidão, pensamos no corajoso testemunho cristão do povo armênio ao longo da história: uma história em que o martírio foi uma marca constante”, afirmou, citando São Nerses Snorkhali, conhecido como “o Gracioso”, defensor da unidade da Igreja no século XII.
Metropolita Polykarpos, do Patriarcado Ecumênico de Constantinopla
Ao mencionar a Armênia como a primeira nação oficialmente cristã, com o batismo do Rei Tiridates em 301, Leão XIV afirmou, em ação de graças, que “rezemos para que as sementes do Evangelho continuem a produzir neste continente, frutos de unidade, justiça e santidade, também em benefício da paz entre os povos e as nações do mundo inteiro”, concluiu.
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Fonte: Vatican News
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