Sinodalidade

Como formar líderes para uma Igreja sinodal?

Em conversa com Dom Antônio Ribeiro, SDB, o A12 aborda a formação contínua e permanente de lideranças pastorais para uma Igreja Sinodal

Escrito por Laís Silva

24 ABR 2026 - 15H42 (Atualizada em 24 ABR 2026 - 17H53)

Rawpixel.com / AdobeStock

Vivemos em um mundo que muda o tempo todo, em diversos aspectos, sociais, culturais, comportamentais, entre tantos outros adventos como, por exemplo, a internet que interfere diretamente na construção de nossa sociedade e dentro das paróquias, isso não é diferente.

A Igreja é constantemente desafiada a formar lideranças capazes de responder, com discernimento e fidelidade ao Evangelho, a todas as demandas da atualidade. A missão pastoral hoje exige não apenas vocação e experiência, mas também escuta atenta da realidade e abertura ao aprendizado contínuo.

O A12 deu continuidade à conversa com Dom Antônio de Assis Ribeiro, SDB, Bispo da Diocese de Macapá (AP), que nos ajuda a compreender como formar lideranças pastorais fortes e como a formação continuada e permanência contribui com esta missão.

O Bispo explicou sobre a necessidade de refletir sobre a identidade do serviço, porque se trata do investimento num processo de aprofundamento da identidade da liderança.

Liderança não é cargo, não é status, não é uma função. A liderança, antes de tudo, é um dinamismo pessoal que nos leva a ter um relacionamento capaz de influenciar os outros. Muitas pessoas têm cargos e funções, mas não são líderes. Hoje, muitas pessoas lutam por cargos e status, mas isso passa. No entanto, quem é líder levará o espírito de liderança para onde for, porque este reside no seu coração e na sua mente. É um jeito de ser!”

E complementou que um bom líder reflete sobre as atitudes de Jesus Cristo, e não se isola, ele partilha e está em comunhão com os irmãos.

O bom líder pastoral deve estar com os olhos fixos em Jesus para captar sua mentalidade, observar suas atitudes, refletir sobre suas opções, acolher seus conselhos, imitar suas atitudes, perceber a força de suas palavras, observar em suas atitudes, a contínua conjugação entre ternura e firmeza. Enfim, a reflexão sobre a importância da liderança na pastoral contribui para nos livrar de muitas tentações, como aquela da autorreferencialidade, do isolamento, do individualismo, da vaidade, do populismo, da ostensividade, da negligência, da corrupção, da negligência."

Formação continuada e permanente

Diante das diversas realidades encontradas nas comunidades, a formação de um bom líder se torna cada vez mais necessária. E existem tipos de formação que contribuem nesta jornada, como por exemplo, a formação continuada e a permanente, elementos fundamentais para o fortalecimento das lideranças pastorais.

Antes de tudo, é bom diferenciar a formação continuada da formação permanente. A primeira pressupõe a participação de um sujeito em atividades, cursos, eventos formativos; a formação continuada acontece em grupos, assembleias, eventos institucionais, através da formação acadêmica, cursos de atualização em geral, participação em palestras, seminários, feiras, congressos, workshops, treinamentos, retiros. Por outro lado, a formação permanente não é algo eventual, mas atitudinal; a formação permanente é uma atitude de reflexibilidade, de contínuo interesse pela própria formação e crescimento pessoal, de qualificação da própria mentalidade, de acompanhamento das realidades sociais, leitura e estudo pessoal”, explicou Dom Antônio.

O caminho da formação permanente na Igreja reafirma que o aprender nunca se encerra, especialmente para aqueles chamados a servir o povo de Deus.

A formação permanente é muito mais profunda e ampla do que a formação continuada. A formação permanente nos garante a sensibilidade que nos leva a adquirir a capacidade de refletir, de pensar e interpretar os fenômenos da história, os sinais dos tempos, problematizar as coisas do cotidiano. A formação permanente nos leva a amadurecer em valores, a nos fortalecer no treino de virtudes, a crescer no senso de propositividade, nos capacita para relacionamentos e nos possibilita a inovação”, disse o Bispo.

Ambas podem contribuir de modo decisivo para a construção de lideranças pastorais mais preparadas, coerentes e enraizadas na missão evangelizadora.

“Tanto a formação continuada quanto a formação permanente nos capacitam para a gestão de conflitos e crises; nos sensibilizam para a percepção de necessidades; nos proporcionam mais profundidade de reflexão e análise da realidade que está diante de nós; nos possibilitam mais clareza, firmeza nas intervenções e bom senso pedagógico para tratar de questões difíceis”, pontuou Dom Antônio.

:: Como ser uma liderança pastoral facilitadora?

Os desafios de formar lideranças

Dom Antônio explicou que, na reflexão sobre a formação e o exercício da liderança pastoral, é fundamental reconhecer que os desafios enfrentados pelos líderes não são apenas circunstanciais, mas também enraizados na condição humana e nas dinâmicas comunitárias.

“Em todos os tempos, houve e haverá muitos desafios para as lideranças, alguns clássicos desafios são o individualismo, a vaidade, a ostentação, a dominação! Essas são questões antropológicas, porque são tentações que estão sempre presentes no coração humano. Mas eu apontaria ainda outros desafios, como, por exemplo, o deleguismo, consequente da dificuldade de acompanhar pessoas e processos; por causa disso, muitos líderes se veem bloqueados e boicotados, porque não foram capazes de educar seus liderados, sobretudo, de acompanhar e orientar seus colaboradores mais próximos.”

Além desses desafios, o Bispo também destacou que “a falta da visão pluridimensional”, influencia a focar somente em um determinado grupo, esquecendo do todo. E a dificuldade de “cultivar uma mentalidade aberta, ousada e empreendedora. Quando essa mentalidade é ausente, o líder tende a se fixar, acomodar-se, fazendo a experiência do conformismo, do quietismo, tornando-se insensível diante dos novos desafios.”

Como a sinodalidade contribui na formação de lideranças pastorais?

Nesse caminho sinodal que a Igreja no mundo percorre, é importante compreender que a sinodalidade está presente não só quando falamos em missão e participação de leigos em suas paróquias, mas também no ato de fazer com que todos tenham a consciência dessa jornada que somos convidados a percorrer. Isso inclui o clero, os leigos e todos que assumem o papel de líderes em suas comunidades.

“A consciência da importância da sinodalidade favorece um líder a cultivar a convicção de que os líderes da Igreja devem estar todos em conexão, interagindo entre si. Isso naturalmente contribui para que ele evite toda e qualquer forma de dispersão, isolamento, fechamento e autocracia. A cultura da sinodalidade contribui para o fortalecimento da consciência de pertencimento eclesial de todos os líderes; todos na diversidade de vocações, atividades e carismas pertencem ao mesmo corpo, e por isso deve estar em comunhão com a cabeça, que é Cristo. Na Igreja, isso significa comunhão com o magistério eclesial. [...] A sinodalidade contribui para o surgimento da cultura do discernimento comunitário; onde não há o discernimento comunitário em geral, há decisões fragilizadas”, finalizou o Bispo.

:: Saiba mais sobre o caminho sinodal, acessando nossa página a12.com/sinodalidade

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