É comum que cada paróquia tenha seus grupos de atividade pastorais, e em cada um desses grupos nós encontramos um líder. Essa liderança é essencial para garantir uma organização dentro de qualquer grupo, mas também precisa ser exercida de forma próxima: um líder facilitador, que caminha junto e acompanha o seu grupo no dia a dia.
Esse líder pastoral cria espaços de diálogo, confiança e participação, onde cada pessoa pode contribuir com seus dons. Sem autoritarismo, mas com autoridade em seguir o exemplo de Jesus, que liderou servindo.
Percorrendo este caminho sinodal que a Igreja tanto nos convida a seguir, é importante pensarmos na vivência de nossas comunidades, refletindo também como a autoridade e o serviço de um líder pastoral influenciam nesta busca pela sinodalidade.
O A12 conversou com Dom Antônio de Assis Ribeiro, SDB, bispo da Diocese de Macapá (AP), que ajuda a compreender a autoridade no contexto pastoral.
“Antes de tudo, a autoridade pastoral é experiência de serviço; não é status e nem poder! A autoridade pastoral é aquela que assume o dinamismo do Bom Pastor, por isso, se dedica com generosidade ao cuidado de suas ovelhas e à promoção da totalidade do rebanho. A força da autoridade pastoral não vem das normas, mas da capacidade de assumir as atitudes de Jesus Cristo. Ele é a nossa regra suprema de vida que veio para que todos tenham vida e a tenham em abundância.”
:: Você sabe o que significa sinodalidade?
De acordo com o bispo, nos Evangelhos podemos ver que “Jesus pediu a opinião dos seus discípulos e os corresponsabilizou em muitas ocasiões”. Ele explica que uma autoridade autêntica exige habilidade nas relações humanas e senso estratégico.
“O bom líder pastoral deve tomar consciência de que não sabe tudo, e nem pode tudo. Por outro lado, deve crescer na capacidade de perceber talentos, virtudes, capacidades e dons dos seus liderados. Quanto mais o líder motiva, envolve e corresponsabiliza seus liderados, psicologicamente se torna mais leve, seguro e com mais recursos para realizar a sua missão. A solidão, no exercício de liderança, é consequência da autorreferencialidade e isso empobrece a todos e leva o líder a fazer a experiência do cansaço, estresse, esgotamento, desânimo.”
Uma liderança facilitadora deve ser, antes de tudo, um líder que serve a Deus e aos irmãos, que facilita e contribui para o desenvolvimento dos liderados.
“A liderança facilitadora é caracterizada pela consciência de que o outro é sujeito, rico de recursos e é portador de condições para dar a sua contribuição para o bem comum. Somente a liderança facilitadora será capaz de promover a corresponsabilidade numa comunidade, porque acolhe e trata cada liderado como sujeito, e não como um objeto pacífico que só tem a receber. A liderança facilitadora promove sujeitos maduros e novos líderes”, afirma Dom Antônio.
Escutar atentamente os problemas, vivências, desafios e elogios do grupo faz parte deste caminho sinodal. E Dom Antônio destacou isso ao falar sobre a escuta ativa como fortalecimento desta autoridade pastoral.
“A escuta ativa é envolvente e isso enriquece a autoridade de muitas formas, como por exemplo: somando com a inteligência aplicada em busca de soluções para os problemas, ampliação dos horizontes e dimensões da realidade do serviço, aprofundando questões em discernimento, consolando afetivamente (solidariedade), tranquilizando psicologicamente, somando com ideias e mão de obra, ampliando as múltiplas formas de cuidado, reduzindo riscos, aumentando a poupança de energia. Quanto mais acompanhada, a autoridade mais se fortalece; quanto mais isolada e autocrática, mais se enfraquece e gera insegurança e perigo de colapso”.
:: Como o caminho sinodal pode superar divisões na Igreja
Nessa longa jornada sinodal, somos convidados a caminhar juntos, em comunidade, na Igreja em Saída e na vida. Todos com suas vocações e carismas, assumindo suas responsabilidades; e quando a liderança pastoral compreende isso, a engrenagem começa a funcionar.
“O caminho sinodal se torna muito mais rico, dinâmico e criativo quando todas as lideranças pastorais dão a própria contribuição para o enriquecimento da comunidade. As lideranças pastorais contribuem decisivamente para o caminho sinodal quando assimilam os Evangelhos, compreendem a dinâmica da comunidade primitiva, conhecem a doutrina da Igreja e sua missão, reconhecem que a meta da Igreja é a promoção do Reino de Deus, servem com alegria, generosidade, espírito de comunhão e obediência”, pontua o bispo.
A liderança pastoral, quando vivida como serviço e corresponsabilidade, se torna um instrumento fundamental para fortalecer as comunidades e impulsionar o caminho sinodal da Igreja.
:: Saiba mais sobre o caminho sinodal em a12.com/sinodalidade
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