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Um Missionário Paulista na Amazônia

Uma das reportagens do Informativo da Província do mês de novembro e dezembro destaca a experiência missionária no Amazonas do redentorista, padre Antonio Carlos Vanin, da Comunidade Ir. Bento de Potim (SP). 

Em seu relato, padre Antonio conta como essa etapa de sua vida foi vivida intensamente junto ao povo amazônida. 

Uma das experiências mais marcantes e fecundas em minha vida redentorista foi o tempo em que vivi e trabalhei na Vice-Província de Manaus. Foram cinco anos, de fevereiro de 2003 a dezembro de 2007, que marcaram profundamente minha vida.

Minha ida para o Amazonas deveu-se ao apelo da URB para que as unidades redentoristas do Brasil assumissem o compromisso de enviar reforços à Vice-Província de Manaus, tendo em vista a importância e a continuidade da presença redentorista naquela fronteira missionária. Apresentei-me e fui enviado por nossa Província. Fui o primeiro a chegar, depois de mim chegaram Pe. Nei, da Província de Goiás, e Pe. Odair, da Província de Campo Grande. Atualmente, de nossa Província de São Paulo, continua lá, na cidade de Coari, o Pe. João Batista de Almeida.

REALIDADE DA VICE-PROVÍNCIA

Iniciada no ano de 1943 com a chegada do grupo pioneiro vindo da então Província de Saint Louis, dos Estados Unidos da América (hoje, Província de Denver), a Vice-Província de Manaus vem marcando o chão da Amazônia com o carisma missionário de Afonso de Ligório e seus primeiros companheiros. O grupo pioneiro cresceu rapidamente com a chegada de outras levas de jovens missionários, de tal maneira que a Missão expandiu-se para os Estados do Pará, Maranhão e Piauí, chegando a contar com quase setenta confrades.

 

"Os redentoristas do Amazonas têm uma bonita história de pioneirismo e arrojo missionário". 

A partir dos anos 70, contudo, o grupo paulatinamente foi reduzindo por causa da perda de confrades e a diminuição do envio de novos missionários pela Província-mãe. Assim, a presença de confrades de outras unidades brasileiras na Vice-Província de Manaus tornou-se urgente e vem contribuindo significativamente para a continuidade da presença redentorista na Amazônia, além de ser uma resposta aos novos ventos da reestruturação e solidariedade entre as unidades da Congregação.

Os redentoristas do Amazonas têm uma bonita história de pioneirismo e arrojo missionário, assumindo com heroísmo os imensos desafios daquela região. Florestas sem fim, rios que parecem mar e inúmeros igarapés compõem a paisagem amazônica. Cidades e vilas se localizam todas à margem dos rios.

O porto é o lugar onde acontece o cotidiano da vida, o lugar do comércio, das chegadas e partidas, das boas e más notícias. Das águas se tira o peixe abundante. Nas beiras dos rios e igarapés se planta a mandioca, da qual se faz a farinha. Peixe e farinha constituem a alimentação básica das comunidades ribeirinhas. As grandes distâncias se tornam ainda maiores porque, com exceção das duas estradas, que ligam Manaus a Porto Velho e a Itacoatiara, todo transporte é feito pelas águas.

Trabalho Missionário

Foi nesse chão de florestas imensas, de muitas e grandes águas, que os redentoristas norte-americanos se encarnaram na realidade e na cultura cabocla e indígena de nosso povo.

Quando lá cheguei fui designado para assumir, juntamente com Pe. Ronaldo, jovem padre amazonense, o setor das Missões Populares. Em sua estrutura básica, com as adaptações necessárias, o modelo de Missão lá implantado segue o modelo que realizamos também aqui. Os confrades norte-americanos tiveram a sabedoria de buscar com os confrades brasileiros do sul inspiração e ajuda para implantar lá um modelo de Missão já adaptado à realidade de nossa gente. Parece-me oportuno relacionar alguns aspectos do nosso trabalho que, ao longo desses cinco anos, me pareceram mais significativos.

O primeiro é que contávamos com um grupo de leigos redentoristas e algumas religiosas, bem capacitados e treinados, que colaboravam conosco em todo o processo da Missão. Especialmente na etapa final, que envolve a convocação de toda a população, esse grupo tinha uma participação rica e significativa nas celebrações, nos encontros com as crianças, jovens e casais e até mesmo nas pregações. Sem a presença e participação desse grupo seria quase impossível para nós realizar o trabalho das Missões.

Outro aspecto sobremaneira rico era a participação das lideranças e agentes pastorais das paróquias ou comunidades a serem missionadas em todo o processo de preparação da Missão. Por causa das distâncias e do número reduzido de nossa equipe só podíamos contar com eles. Em dois ou mais fins de semana, realizávamos uma capacitação para o trabalho missionário. Assim, eram os próprios leigos das paróquias e comunidades que, num primeiro momento, assumiam o trabalho do levantamento sóciorreligioso e depois a visitação missionária das casas e das famílias e a organização dos setores, lá chamados de “grupos de fé católica”. O que parecia uma dificuldade acabava se tornando uma riqueza em nossa estratégia. As lideranças e agentes pastorais se tornavam verdadeiros colaboradores e missionários em todo o processo da Missão.

Um terceiro aspecto interessante era a maneira de fazermos os encontros com mulheres, homens, casais e jovens. Em vez da fala em forma de palestra, os encontros eram feitos de forma dinâmica e participativa, com bons resultados na assimilação dos conteúdos que desejávamos transmitir.

Um último aspecto que me pareceu também sobremaneira significativo era a participação dos demais confrades da Vice-Província que, deixando suas atividades pastorais ordinárias, assumiam conosco a etapa final da Missão. Havia a consciência de que, sendo poucos, todos deviam colaborar para que as Missões pudessem acontecer e o anúncio da copiosa redenção continuasse chegando a todos, especialmente às populações mais distantes e carentes.

E para terminar transcrevo o verso de um canto que embalava nossas quase intermináveis viagens pelos rios e nossas celebrações com o povo:

'Nesses campos, nessas matas, nesses lagos e igarapés vou anunciar. De barco ou canoa, de remo na proa atender teu chamar!'

 

Pe. Antonio Carlos Vanin, C.Ss.R.
Comunidade Ir. Bento
Potim (SP)

 

Leia mais do Informativo da Província clicando aqui. 

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