Por Elisangela Cavalheiro Em Notícias Atualizada em 16 SET 2019 - 14H12

6 curiosidades do beato redentorista que viveu entre leprosos

Pedro Donders é um beato redentorista holandês que deixou sua terra para ser missionário no Suriname, entre indígenas, negros, pobres e leprosos. Sua vida se tornou um exemplo para este país e, por isso, ele é considerado seu maior apóstolo.

Intrépido e incansável foram os adjetivos que São João Paulo II usou para lembrar sua vida e missão e, de fato, essas foram características marcantes na vida deste homem santo e vamos poder conferir isso com algumas curiosidades de sua vida. Veja a seguir.

:: João Paulo II e os Redentoristas

Reprodução.
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Ilustração mostra cuidado do beato com os leprosos da Batávia, no Suriname.


Pagou seus estudos no seminário

Pedro queria ser padre desde os cinco anos. Mas este era um sonho muito difícil, já que tinha uma saúde muito frágil e era muito pobre. Depois de tanto insistir com seu pároco para ajudar a realizar seu sonho, um dia conseguiu ser aceito em um seminário. Mas para isso, precisou pagar por seus estudos, sendo considerado mais um empregado do que um seminarista.

Ele também não era um aluno muito inteligente, então precisou se esforçar muito para conseguir terminar os estudos e ser ordenado padre, o que aconteceu apenas aos 33 anos.

Foi o único do seminário que quis ir para o Suriname

Ainda hoje, ser missionário é um desafio. Imagina na época de Pedro Donders. Viajar era sempre um grande desafio e até perigoso, seja pelas longas viagens e pelos lugares, que quase sempre necessitavam de muito desapego da parte do missionário.

Quando o seminário foi visitado pelo Prefeito Apostólico do Suriname, que buscava ajuda para uma realidade crítica, apenas Pedro se ofereceu. Um ano depois que foi ordenado padre partiu para a cidade de Paramaribo, enfrentando 46 dias de viagem por terra e mar, chegando no dia 16 de setembro de 1842.

Se tornou padre redentorista para não abandonar o seu povo

26 anos depois de viver como padre diocesano e vivendo no Suriname, Pedro Donders se consagrou um missionário redentorista. Ele o fez por vocação, mas também para não abandonar o Suriname. Como a Congregação Redentorista iria assumir a missão nestas terras, os padres foram convidados a assumir a vocação religiosa ou voltar para a Holanda. Pedro já amava o seu povo e amou também aquela ordem, que vinha somar forças para ajudar a diminuir o sofrimento deles. 

Serviu os doentes de lepra sem nunca ser contagiado

Pedro Donders chegou ao Suriname sabendo o que iria enfrentar, ou em parte, pois nunca sabemos de tudo que Deus tem planejado para a nossa vida. Ele chegou em Paramaribo e ali teve que amparar escravos, índios e, principalmente os leprosos que estavam abandonados. A colônia para leprosos teve início naquela região em 1824, e chegou a ter 500 leprosos, e em média, morriam 150 por ano.

O que é mais inacreditável nesta história é que o beato nunca contraiu a lepra. Um estudo divulgado há alguns anos pela Universidade Anton de Krom do Suriname provou que ele nunca teve a doença, mesmo vivendo entre os leprosos do jeito que vivia. A pesquisa mostra a importância que a sociedade dá a este missionário de Deus. Todo o trabalho de pesquisa pode ser atestado a partir da amostra de DNA de um pedaço de osso retirado do beato, e ali não foram encontrados vestígios de bactérias provenientes da doença.

Um relato de um bispo mostra bem como era desafiador o trabalho de Donders:

“Pela primeira vez tive repugnância pela lepra. Eu ministrei a crisma a uma senhora leprosa, que jazia em tábuas no chão da sua cabana. Não havia um ponto sequer no seu corpo que não tivesse sido atingido pela doença incurável. O odor era forte e repugnante, como o de um corpo em pleno apodrecimento. De tal maneira eu estava tão sensível, que eu tive que abrir as duas portas externas para poder cumprir a minha função até o fim”, disse Dom Jan Swinkels, C.Ss.R.

Reprodução.
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Em foto antiga, cruz indica túmulo do beato. Atualmente, ele está enterrado na Catedral de Paramaribo.


Sua memória ganhou destaque na UNESCO

O arquivo da Diocese de Paramaribo e nele a história do Beato Pedro Donders estão agora no Programa Memória do Mundo da Unesco. O programa ajuda a preservar a memória e tornar acessíveis toda e qualquer informação de arquivo e documentos de um determinado tema, para proteger e conscientizar o patrimônio cultural do mundo. Com esse marco, o Suriname entra no mapa do mundo e a ainda destaca o trabalho amoroso do padre Donders neste país.

Morreu na hora que disse que iria morrer

Se a gente soubesse a hora que iria morrer, talvez ficássemos aterrorizados. Mas para Pedro Donders foi diferente! A serenidade com que enfrentava a doença nos últimos dias de sua vida foi sinal da presença de Deus para todos que estavam junto dele.

Com uma grave infecção nos rins, Pedro já não podia mais andar, vivenciou dores terríveis que os medicamentos já não conseguiam diminuir e, mesmo assim, mostrava-se sereno e confiante. “Seja feita a vontade de Deus. Em tudo seja feita a vontade Dele”, era o que repetia.

Dois dias antes de sua morte, disse ao irmão que cuidava dele, Gustavo Bles, que iria partir para junto de Deus às 15h, na sexta-feira. E de fato, ele morreu, às 15h30 do dia 14 de janeiro de 1887, uma sexta-feira.

:: Conheça mais sobre a vida do beato Pedro Donders


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