Em janeiro de 1923, os Redentoristas começavam em Campos dos Goytacazes a 5ª fundação da então Vice-Província do Rio e logo constataram uma situação de deplorável abandono espiritual. Além de ser frio o catolicismo, havia uma maçonaria atuante e numerosos batistas, que com seu importante colégio faziam um proselitismo enorme.
Um início retumbante
Em março de 1925 realizaram-se na cidade as Santas Missões, com um sucesso absoluto. As igrejas ficaram lotadas de homens, e foi grande o número de primeiras confissões e comunhões de adultos. Um pastor batista comentou: “Campos está perdida para nós; chegaram uns padres que trabalham como diabos”.
Mãos à obra
Mediante um contrato com a Ordem Terceira de São Francisco, nossos Confrades atuavam na igreja deles, residindo no edifício anexo. Mas a situação não era ideal e por isso veio de Roma em 1945 a ordem de construir edifícios próprios ou deixar a cidade. Quando soube desse ultimatum, o povo da cidade se mobilizou com todos os meios possíveis para arrecadar fundos e dar início às obras, que foram dirigidas pelo dinâmico Pe. Gabriel van Wijk. Em dois anos estava concluída a atual residência e a comunidade passou a morar na casa nova, cujo andar térreo foi usado para as celebrações litúrgicas.
Pe. Gabriel van Wijk, C.Ss.R.
Logo em seguida, começou a construção da igreja, dedicada à Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. E então aconteceu um testemunho admirável: dois confrades, os Padres Gabriel e Ambrósio Wijnen, vestiram macacões e trabalharam junto com os operários em pé de igualdade. A bênção solene da igreja foi dada no dia 6 de novembro de 1955 pelo Bispo diocesano de Campos, Dom Antônio de Castro Mayer. A majestosa igreja tem o formato de duas mãos postas em oração e nas laterais oito grandes vitrais com cenas da vida de Maria.
Novas iniciativas
Nasceu em 1967 a Escola Sagrada Família, um projeto realizado com a colaboração de professoras voluntárias. Funcionava em três turnos, no subsolo da igreja e chegou a ter uns 700 alunos. Continua existindo, no mesmo lugar, mas como Escola Municipal da Prefeitura, tem 435 alunos e é uma das mais conceituadas da cidade. Para propagar a devoção a Nossa Senhora foi criada em 1957 a revista “Perpétuo Socorro”, publicada durante algumas décadas. Pela mesma época funcionou também a Rádio Campista Afonsiana, auxiliando na pregação do Evangelho. Nos dias de hoje, as redes sociais nos permitem atingir um público ilimitado.
Inauguração do Santuário de Campos (RJ) em 1955
A renovação conciliar
Terminado o Vaticano II, a Igreja devia implementar as decisões tomadas para o seu “aggiornamento”. Dom Castro Mayer foi um dos prelados que rejeitaram as mudanças. Sobre a resistência do Bispo à renovação informam as Crônicas do Convento: “Tudo o que depende do Bispo é barrado. Há Padres que o defendem e atacam os que vivem o Concílio.” Nossos confrades abraçaram as novas normas, e o povo que frequentava nossa igreja aceitou com prazer caminhar com o Papa e a CNBB. Dizem as Crônicas: “O ano de 1969 foi de muita atividade apostólica. Em grande parte, temos de atribuir à renovação litúrgica e à pregação renovada a frequência cada vez maior de pessoas.”
Uma verdadeira família
No dia 7 de maio de 1996, numa grandiosa solenidade o bispo diocesano Dom Roberto Gomes Guimarães concedeu à nossa igreja o título de Santuário, enumerando no Decreto as atividades pastorais que o motivaram.
Comunidade de Campos (RJ) durante a visita canônica do Governo Geral, em 2025
O Santuário continua se destacando pelo atendimento das confissões e a direção espiritual. A liturgia celebrada com esmero atrai um número crescente de fiéis. Aqui os pais têm o belo costume de trazer seus filhos, desde pequenos, para as celebrações. A fim de facilitar-lhes o acesso, abrimos em nossos espaços vagas gratuitas para 120 carros. As 300 crianças da nossa catequese nos fazem sonhar com um futuro promissor. Além de associações religiosas e grupos de oração, o povo tem à sua escolha 25 pastorais das quais é convidado a participar. Procuramos criar um clima de confiança e boa acolhida. É bonito o laço afetivo que une os fiéis numa verdadeira Família Redentorista. Sob as bênçãos do Cristo Redentor e de Sua Mãe Santíssima, a nossa comunidade – Padres Evaldo, Lúcio, José Carlos, Carrilho e Vidigal – procura continuar a obra missionária com o ardor do zelo afonsiano.
.:: Santuários e paróquias Redentorisas que celebram Nossa Senhora do Perpétuo Socorro ::.
Fonte: Texto escrito originalmente para a revista "Focus Provincialis"
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