Por Elisangela Cavalheiro Em Notícias Atualizada em 08 SET 2020 - 11H16

Padre Antão Jorge, o missionário pioneiro na construção de Aparecida

A vida do missionário redentorista Padre Antão Jorge não pode ser resumida em poucas linhas.

Sempre alegre, disposto, um líder nato, homem de palavras e obras, viveu cada missão e função em sua vida de forma única, inteira e completa e, incontestavelmente, devotado para a sacerdócio para ser a presença de Cristo para todos.

A seguir vamos recordar alguns acontecimentos históricos que marcaram a vida deste grande discípulo de Santo Afonso. 

CDM / Santuário Nacional de Aparecida
CDM / Santuário Nacional de Aparecida


Padre Antão Jorge Hechenblaickner
nasceu no dia 5 de Junho de 1880, em Ampass, na Áustria, sendo batizado no mesmo dia. Entrou para o Noviciado Redentorista no dia 19 de agosto de 1899 e recebeu o hábito no dia 8 de setembro do mesmo ano. Foi ordenado sacerdote aos 31 de Julho de 1904, aos 24 anos.

Com uma saúde de ferro e uma extraordinária capacidade de trabalho, achou que na Europa não teria campo suficiente para a sua atividade. Trocou a província austríaca pela alemã e veio para o Brasil, logo após sua ordenação. Ele nunca mais voltou a rever a sua terra natal e chegou a renunciar a licença para retornar.

Tinha escrito no cabeçalho de seu caderno de viagem uma frase que resume seu comprometimento como o povo brasileiro: “Sanctifica te pro Brasilianis, ut et ipsi sanctificentur per te”. De outra forma, “Quero santificar-me, ajudando os brasileiros a se tornarem santos”.

Em toda a sua vida, a impressão é que tinha um “voto” de não perder tempo.

Chegou em Aparecida no dia 16 de setembro de 1904. Depois seguiu para São Paulo, onde ficou até 18 de novembro de 1909 como coadjutor na Paróquia da Penha e no trabalho das Santas Missões.

Foi transferido para Goiás onde teve participação decisiva na história da cidade ao construir o primeiro Santuário do Divino Pai Eterno, conhecido como Igreja Matriz de Trindade. Inaugurada em 1912, a igreja buscava atender o número crescente de devotos. Também construiu a Matriz de Bela Vista.

Padre Antônio Queiróz (falecido em 2016) conta, em uma de suas memórias, que nessas construções o próprio Padre Antão “ia ao mato, cortava a madeira e trazia”, tal era seu ímpeto. Era um missionário dentro e fora das sacristias no que fosse preciso.

Ainda em Goiás, foi um missionário pacificador na Revolução de Maio de 1909, na luta entre Bulhonistas e Xavieristas.

Em 1915, voltou para Aparecida, para trabalhar com os romeiros e nessa época construiu o Lar Nossa Senhora Aparecida, onde contou com a parceria de Santa Paulina do Coração Agonizante de Jesus. Até hoje, as irmãzinhas da congregação fundada pela santa cuidam dos idosos nesta casa de acolhida.

CDM/Santuário Nacional
CDM/Santuário Nacional
Ao centro da foto, padre Antão nas escadarias do Seminário Bom Jesus. Algumas pessoas alegam que uma das freiras seria Madre Paulina


Retornou para São Paulo, onde atuou duas vezes como reitor da Penha, dirigiu a paróquia, pregou missões e socorreu o povo na Gripe Espanhola. Nesse tempo, sua atuação mais relevante foi durante a Revolução Paulista, de 5 a 28 de Julho de 1924, quando novamente socorreu a população do bairro com gêneros alimentícios. Novamente, se viu na missão de ser um mediador entre o então, Presidente do Estado de São Paulo, Carlos de Campos e o general revoltoso, Isidoro Dias Lopes, em 26 e 27 de Julho. Ficou como reitor até maio de 1927.

A construção do Santuário Nacional de Aparecida

Em 1927, retorna para Aparecida e ali vive um período brilhante de sua missão.

Assume como reitor do Santuário e fica nesse cargo até 1933. Toma parte ativa no Movimento Constitucionalista de 9 de Julho de 1932, principalmente quando Aparecida torna-se o quartel general da zona norte e voluntários aparecidenses formam o Pelotão da “Padroeira do Brasil”. Rapidamente, organizou com os Vicentinos um hospital militar, com sede na atual escola Chagas Pereira, chamado Hospital da Revolução, para o atendimento de feridos.

:: A Revolução de 1932 e o Batalhão Padroeira do Brasil

Foi ele também quem promoveu o Congresso Mariano de 1929, e trabalhou intensamente para que Nossa Senhora Aparecida fosse declarada Padroeira do Brasil, em 16 de julho de 1930.

[De 1933 a 1938 foi para o Rio Grande do Sul onde pregou missões em 176 localidades]

De 1950 a 1956, foi pela segunda vez reitor de Aparecida e se empenhou durante seis anos para o início da construção do Santuário Nacional.

A pedra fundamental da Basílica Nova havia sido lançada em 10 de setembro de 1946, mas o início efetivo da construção ocorreu em 11 de novembro de 1955. 

Nessa época, já alcançava os seus 76 anos, e sua saúde já não era a mesma, quando, então, retirou-se para o convento da Penha, em São Paulo. Lá celebrava missas, rezava quase o dia inteiro e acompanhava a vida no convento. Nos seus últimos anos, já não conseguia celebrar a santa Missa, mas não perdia tempo, atendia confissões.

Morreu no dia dia 28 de setembro de 1965, com 85 anos de idade, cumprindo o seu "voto" de nunca perder tempo. 

No Santuário Nacional existe em sua homenagem o Centro de Documentação e Memória - Padre Antão Jorge, que busca preservar a memória do Santuário e a difusão da devoção de Nossa Senhora Aparecida.

Ele foi criado no final da década de 90 e abriga um arquivo de mais de vinte mil imagens, slides, filmes, negativos (vidro e acetato). Conta também com inúmeros documentos textuais, incluindo a vinda dos primeiros Missionários Redentoristas ao Brasil, a construção do Santuário Nacional, os Papas que visitaram Aparecida, diversos acontecimentos históricos, entre outros.


Fonte: Pesquisa histórica: CDM/Santuário Nacional de Aparecida, Ecos Marianos, Aqueles que nos precederam (CERESP), Santuário de Trindade

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