A Arquidiocese de Aparecida celebrou com alegria os 80 anos de vida e missão de Dom Orlando Brandes, Administrador Apostólico. A Missa em ação de graças, realizada no Santuário Nacional nesta segunda-feira, 13 de abril, reuniu familiares, amigos, fiéis de Londrina, onde exerceu o ministério como arcebispo por dez anos, além de cardeais, arcebispos, bispos, sacerdotes, missionários redentoristas, religiosas, seminaristas e leigos. A celebração expressou comunhão e reconhecimento pelo pastoreio exercido ao longo de décadas.
A liturgia recordou que anunciar o Reino de Deus exige coragem missionária e renovação constante da fé. Foram recordados os dons pascais concedidos pelo Ressuscitado: a paz, a misericórdia, a comunidade e o Espírito Santo. No dia 13 de abril, data de seu nascimento, a Igreja Particular de Aparecida elevou o louvor pelo dom da vida daquele que será lembrado como um pastor próximo, missionário incansável e testemunha de Jesus Cristo.
Estiveram presentes diversos bispos do país, entre eles Dom Rubens Sevilha, Dom Geraldo de Paula Souza, Dom Marcos José dos Santos, Dom Geremias Steinmetz e Dom José Valmor Cesar Teixeira. Também participaram bispos eméritos e o Cardeal Raymundo Damasceno Assis, reforçando o caráter de unidade episcopal que marcou a celebração.
Dois momentos simbólicos conduziram a assembleia ao agradecimento pela sua vocação. A entronização de Nossa Senhora foi realizada por familiares de Dom Orlando, acompanhada pelo canto do Magnificat.
A história do menino nascido em Urubici (PR), que trabalhou em serraria aos oito anos de idade e mais tarde respondeu ao chamado sacerdotal, foi recordada como expressão de uma vocação amadurecida na simplicidade. Em seguida, a entronização da Palavra destacou o lema missionário que acompanha seu episcopado: “Bíblia na mão, no coração e pé na missão”.
Após cantar tradicionalmente “A nós descei divina Luz”, Dom Orlando dirigiu-se à assembleia com palavras de gratidão:
“Obrigado pela gentileza a fraternidade e a sinodalidade das suas presenças, bispos e arcebispos, muito obrigado, Nossa Senhora vai recompensá-los. Na pessoa do vigário geral, saúdo todos os padres da nossa arquidiocese que trouxeram seu povo nessa segunda-feira. Estou lembrando de São Paulo que olhando para os ministros da comunidade do seu tempo e dizia ‘vocês são a minha alegria e a minha coroa’, obrigada leigos e leigas pela sua presença.”
Ao recordar a própria juventude, revelou uma experiência decisiva:
“Eu fui ameaçado de ir embora do seminário. Eu tinha trabalhado numa madeireira com 8 anos de idade até 11 anos, e eu era bagunceirinho. Fui ameaçado a ficar em casa nas férias e dali comecei a rezar e até hoje a oração me salvou. Essa é uma frase de Santo Afonso Maria de Ligório: ‘a oração me salvou’.”
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Dirigindo-se aos sacerdotes, reforçou a centralidade da vida espiritual:
“Padres, permitam dizer-lhes, a oração salvará o vosso sacerdócio e a vossa missão. E essa oração é para missão, para pregar a palavra com coragem. Deus, através da oração, realizou no meio do povo prodígios, milagres, maravilhas, mas a base de tudo: a oração.”
Ao falar sobre a dignidade cristã, destacou o primado do Batismo:
“Não pense que ser Arcebispo de Aparecida é a maior gloria, não é, é a minha certidão de batismo lá de Urubici (PR), a maior condecoração: somos filhos de deus. E se nós bispos não nos sentirmos filhos de Deus antes de tudo, falta alguma coisa na nossa missão.”
Sobre o jubileu pessoal, afirmou:
“Celebrar esses 80 anos é a festa da graça, festa da divina providência, festa da misericórdia. Me ajudem a agradecer o amor do pai, a grande amizade fiel de jesus, ‘estarei convosco todos os dias’, a graça do Espírito Santo, advogado e consolador, e a intercessão de maria que não esquece de nós.”
Em tom de humildade, reconheceu a importância da Igreja em sua história:
“O que seria de mim sem a Igreja? Sem a mãe Igreja eu seria um zé ninguém. Foi ela que me batizou, me crismou, me deu os sacramentos e projetou a nossa vida. Hoje dobro os joelhos agradecido por essa mãe.”
Em uma oração espontânea, Dom Orlando sintetizou sua trajetória como dom recebido:
“Senhor, minha vida, a nossa vida, a minha e dos amados bispos é uma história de amor. Senhor, eu já existia nos teus sonhos e fui concebido no seio da minha mãe porque eu já era teu desejo desde a eternidade. A vida é sempre bela, mesmo no ocaso. A velhice é um tempo no qual se olha para o limiar da eternidade, e esse tempo é um grande mestre.”
Ao final da celebração, representantes da vida consagrada e do clero expressaram gratidão pública.
Ir. Aparecida destacou o testemunho vocacional do arcebispo:
“O seu zelo apostólico e presença em nossas comunidades, o cuidado e incentivo com as vocações são testemunho do seguimento a cristo, o bom pastor. O apoio ao estudo da palavra revela um missionário autêntico, pois a palavra deve ser refletida e vivida. Só temos a agradecer a deus pelo dom da sua vida.”
O Pe. José Ferreira, da Paróquia Senhor Bom Jesus, afirmou:
“Elevamos hoje nossa voz em total gratidão a Deus pelo dom de sua vida e vocação. Ao longo de sua caminhada à frente dessa igreja particular de aparecida o senhor se fez verdadeiramente missionário, pastor e pai. Missionário porque impulsionou essa igreja ao encontro dos mais pobres e vulneráveis. Pastor porque conduziu o rebanho com sabedoria e proximidade. Pai porque nos acolheu e sustentou com seu testemunho de fé. Somos gratos por tê-lo no meio de nós.”
Já o Pe. Marlos Aurélio, C.Ss.R., superior provincial dos missionários redentoristas, ressaltou a firmeza em tempos desafiadores do também Oblato Redentorista:
“Agradecer a Dom Orlando pelos 80 anos é reconhecer a sua bondade e presença fiel, especialmente a nós missionários redentoristas e ao povo romeiro. O senhor foi uma presença firme, equilibrada e sensata, sobretudo nos momentos difíceis da igreja e da sociedade. Elevamos do fundo do coração nossa gratidão por tudo aquilo que o senhor é para cada um de nós.”
A celebração foi concluída com a entronização de 80 rosas que percorreram o corredor central do Santuário Nacional. Cada flor simbolizou um ano de vida.
A imagem das rosas recordou os caminhos pelos quais a graça conduziu a história de Dom Orlando, hoje entrelaçada à caminhada do povo de Aparecida.























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