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80 anos de Dom Orlando Brandes são celebrados no Santuário Nacional

Em ação de graças, o povo de Aparecida rezou pelo dom da vida de seu pastor, Dom Orlando Brandes, que completa 80 anos nesta segunda-feira, 13 de abril

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Escrito por Beatriz Nery

13 ABR 2026 - 11H20 (Atualizada em 14 ABR 2026 - 07H49)

Thiago Leon/Santuário Nacional

A Arquidiocese de Aparecida celebrou com alegria os 80 anos de vida e missão de Dom Orlando Brandes, Administrador Apostólico.

A Missa em ação de graças, realizada no Santuário Nacional nesta segunda-feira, 13 de abril, reuniu familiares, amigos, fiéis de Londrina (PR), onde exerceu o ministério como arcebispo por dez anos, além de cardeais, arcebispos, bispos, sacerdotes, missionários redentoristas, religiosas, seminaristas e leigos.

A celebração expressou comunhão e reconhecimento pelo pastoreio exercido ao longo de décadas.

Thiago Leon/Santuário Nacional Thiago Leon/Santuário Nacional


A liturgia recordou que anunciar o Reino de Deus exige coragem missionária e renovação constante da fé. Foram recordados os dons pascais concedidos pelo Ressuscitado: a paz, a misericórdia, a comunidade e o Espírito Santo. No dia 13 de abril, data de seu nascimento, a Igreja Particular de Aparecida elevou o louvor pelo dom da vida daquele que será lembrado como um pastor próximo, missionário incansável e testemunha de Jesus Cristo.

Estiveram presentes diversos bispos do país, entre eles Dom Rubens Sevilha, Dom Geraldo de Paula Souza, Dom Marcos José dos Santos, Dom Geremias Steinmetz e Dom José Valmor Cesar Teixeira. Também participaram bispos eméritos e o Cardeal Raymundo Damasceno Assis, reforçando o caráter de unidade episcopal que marcou a celebração.

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Dois momentos simbólicos conduziram a assembleia ao agradecimento pela sua vocação. A entronização de Nossa Senhora foi realizada por familiares de Dom Orlando, acompanhada pelo canto do Magnificat.

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A história do menino nascido em Urubici (SC), que trabalhou em serraria aos oito anos de idade e, mais tarde, respondeu ao chamado sacerdotal, foi recordada como expressão de uma vocação amadurecida na simplicidade. Em seguida, a entronização da Palavra destacou o lema missionário que acompanha seu episcopado: “Bíblia na mão, no coração e pé na missão”.

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Homilia marcada por gratidão e memória vocacional

Após cantar tradicionalmente “A nós descei divina Luz”, Dom Orlando dirigiu-se à assembleia com palavras de gratidão:

Obrigado pela gentileza, a fraternidade e a sinodalidade das suas presenças, bispos e arcebispos. Muito obrigado, Nossa Senhora vai recompensá-los. Na pessoa do vigário-geral, saúdo todos os padres da nossa arquidiocese que trouxeram seu povo nessa segunda-feira. Estou lembrando de São Paulo, que, olhando para os ministros da comunidade do seu tempo, dizia: "Vocês são a minha alegria e a minha coroa". Obrigado, leigos e leigas, pela sua presença.

Ao recordar a própria juventude, revelou uma experiência decisiva:

Eu fui ameaçado de ir embora do seminário. Eu tinha trabalhado numa madeireira com 8 anos de idade até 11 anos, e eu era bagunceirinho. Fui ameaçado a ficar em casa nas férias e dali comecei a rezar, e até hoje a oração me salvou. Essa é uma frase de Santo Afonso Maria de Ligório: ‘a oração me salvou".

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Dirigindo-se aos sacerdotes, reforçou a centralidade da vida espiritual:

Padres, permitam-me dizer-lhes: a oração salvará o vosso sacerdócio e a vossa missão. E essa oração é para missão, para pregar a palavra com coragem. Deus, através da oração, realizou no meio do povo prodígios, milagres, maravilhas, mas a base de tudo: a oração.

Ao falar sobre a dignidade cristã, destacou o primado do Batismo:

“Não pense que ser arcebispo de Aparecida é a maior glória; não é, é a minha certidão de batismo lá de Urubici (SC), a maior condecoração: somos filhos de Deus E se nós, bispos, não nos sentirmos filhos de Deus antes de tudo, falta alguma coisa na nossa missão.”

Sobre o jubileu pessoal, afirmou:

Celebrar esses 80 anos é a festa da graça, festa da divina providência, festa da misericórdia. Me ajudem a agradecer o amor do pai, a grande amizade fiel de Jesus, ‘estarei convosco todos os dias’, a graça do Espírito Santo, advogado e consolador, e a intercessão de Maria, que não se esquece de nós.”

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Em tom de humildade, reconheceu a importância da Igreja em sua história:

O que seria de mim sem a Igreja? Sem a mãe Igreja, eu seria um zé-ninguém. Foi ela que me batizou, me crismou, me deu os sacramentos e projetou a nossa vida. Hoje dobro os joelhos, agradecido por essa mãe.”

Agradecimentos destacam zelo pastoral e coragem missionária

Em uma oração espontânea, Dom Orlando sintetizou sua trajetória como dom recebido:

“Senhor, minha vida, a nossa vida, a minha e dos amados bispos, é uma história de amor. Senhor, eu já existia nos teus sonhos e fui concebido no seio da minha mãe porque eu já era teu desejo desde a eternidade. A vida é sempre bela, mesmo no ocaso. A velhice é um tempo no qual se olha para o limiar da eternidade, e esse tempo é um grande mestre.”

Ao final da celebração, representantes da vida consagrada e do clero expressaram gratidão pública.

Ir. Aparecida destacou o testemunho vocacional do arcebispo:

O seu zelo apostólico e presença em nossas comunidades, o cuidado e incentivo com as vocações são testemunho do seguimento a Cristo, o bom pastor. O apoio ao estudo da palavra revela um missionário autêntico, pois a palavra deve ser refletida e vivida. Só temos a agradecer a Deus pelo dom da sua vida.”

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O Pe. José Ferreira, da Paróquia Senhor Bom Jesus, afirmou:

“Elevamos hoje nossa voz em total gratidão a Deus pelo dom de sua vida e vocação. Ao longo de sua caminhada à frente dessa igreja particular de Aparecida, o senhor se fez verdadeiramente missionário, pastor e pai. Missionário porque impulsionou essa igreja ao encontro dos mais pobres e vulneráveis. Pastor, porque conduziu o rebanho com sabedoria e proximidade. Pai, porque nos acolheu e sustentou com seu testemunho de fé. Somos gratos por tê-lo no meio de nós.”

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Já o Pe. Marlos Aurélio, C.Ss.R., superior provincial dos missionários redentoristas, ressaltou a firmeza em tempos desafiadores do também Oblato Redentorista:

Agradecer a Dom Orlando pelos 80 anos é reconhecer a sua bondade e presença fiel, especialmente a nós, missionários redentoristas, e ao povo romeiro. O senhor foi uma presença firme, equilibrada e sensata, sobretudo nos momentos difíceis da igreja e da sociedade. Elevamos do fundo do coração nossa gratidão por tudo aquilo que o Senhor é para cada um de nós.”

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A celebração foi concluída com a entronização de 80 rosas que percorreram o corredor central do Santuário Nacional. Cada flor simbolizou um ano de vida.

A imagem das rosas recordou os caminhos pelos quais a graça conduziu a história de Dom Orlando, hoje entrelaçada à caminhada do povo de Aparecida.

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Veja mais fotos da missa:

Assista à celebração de ação de graças:


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