Nesta sexta-feira, 1º de maio, dia em que celebramos a memória de São José Operário, o Santuário Nacional acolheu os fiéis e os presbíteros vindos de todo o Brasil para rezar na Casa da Mãe Aparecida.
A celebração eucarística das 9h, no Altar Central, marcou o encerramento do 20º Encontro Nacional dos Presbíteros, foi presidida pelo arcebispo de Porto Alegre e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Cardeal Jaime Spengler, e concelebrada pelos demais bispos e sacerdotes presentes.
Ao iniciar sua reflexão, Dom Jaime direcionou uma mensagem aos presbíteros.
“O ministério presbiteral é um ministério de comunhão. É para este horizonte que apontam as conclusões do último Sínodo dos Bispos, mas também as novas Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja do Brasil, aprovadas e aplaudidas de pé, na última Assembleia Geral da CNBB. Foi a primeira vez que vi a Assembleia aplaudir de pé a aprovação de um documento na nossa Conferência. Fruto de um trabalho intenso de três anos, onde se buscou envolver as forças da nossa Igreja em todo o Brasil. Comunhão, participação e missão, é esse o caminho. O caminho, não ilhas, não grupos sectários, não projetos individualistas, não autorreferencialidades, não pseudo-espiritualidades, não expressões midiáticas, não discursos para plateias ideologizadas, fanáticas, desinteressadas do Evangelho de Jesus e de sua mensagem de salvação.”
Ao refletir sobre a primeira leitura, o arcebispo de Porto Alegre nos lembrou que Jesus deve estar no centro de nossas vidas.
“É a Ele, Jesus, que sempre de novo, isto é, sempre de forma nova, nos dirigimos. É a Ele que trazemos em nossos corações. Ele tem palavras de vida eterna, não palavras passageiras. Nele, nós colocamos a nossa esperança. Ele é o nosso horizonte de vida. Ele é para nós todos Mestre e Senhor. Ele é a porta para a vida. Ele é o Bom Pastor. Ele é o pão da vida, a videira, a luz do mundo. A ressurreição, o Filho amado do Pai. Ele é o caminho, a verdade e a vida.”
Todos os cristãos batizados carregam no coração a missão de evangelizar, uma bonita e importante missão, e os sacerdotes, além de evangelizar, devem reacender nos cristãos essa chama de missionariedade.
“Nós, nesse mundo, nesta realidade, somos anunciadores do Evangelho da Vida, promotores de esperança. Esperança que não é teoria, esperança que é uma pessoa, que tem nome, identidade, e como presbíteros que somos, cultivamos a escuta dos sinais dos tempos. E isso requer, pressupõe de todos nós, silêncio, sensibilidade, mística, oração, intimidade com a palavra de vida, ou seja, com o Evangelho.”
O cardeal também apresentou um pensamento aos corações não só dos presbíteros, mas também dos fiéis presentes.
“Este modo de ser e viver pode fazer de nós não só bons sacerdotes, presbíteros, mas também cidadãos honestos, disponíveis, construtores de paz e de amizade social, como nos recordava o Papa Leão XIV [...] Eu creio que na minha, nas nossas vidas, não faltam dificuldades, não faltam tentações. Precisamos ter em mente que só crescemos, humana e espiritualmente, quando nos deixamos desafiar. Sem desafios, não há crescimento humano ou espiritual.”
Ao mencionar o tema do 20º Encontro dos Presbíteros, “Presbíteros no contexto digital”, que reuniu 500 padres em Aparecida, Dom Jaime alertou os religiosos sobre a missão que eles assumiram em seu sacerdócio.
“Não podemos esquecer que o Povo de Deus está sedento de testemunhas de fé, de palavras seguras, desejosos de orientação e de esperança. E nós sabemos, nós conhecemos o caminho, somos ministros do caminho. Por isso, por mais interessante que alguns discursos ou presenças nas mídias e redes sociais usem de palavras encantadoras, discurso conveniente para a publicidade, que pode até ser monetizado, mas conivente às vezes, ou cego diante das injustiças, a vergonhosa desigualdade social. Diante disso, não podemos esquecer que somos homens de Igreja, homens que promovem, que alimentam, testemunham a comunhão, a participação ativa nos processos de evangelização, para que a missão por nós assumida e a nós confiada por Jesus seja levada a termo.”
Ao finalizar sua reflexão, o cardeal destacou o dia de São José Operário, quando também celebramos no Brasil, o dia do trabalhador, enfatizando que os presbíteros também são trabalhadores e pedindo a intercessão de Nossa Senhora nesta missão.
“Que sejamos construtores de caminhos de comunhão e participação, de unidade e paz em vista da nossa missão comum de batizados: testemunhar e anunciar o Evangelho. Que a Mãe Santíssima interceda por cada presbítero do nosso Brasil, para que possa levar a termo o sonho que cada um tinha e tem no exercício do Ministério. Que o bom Deus, a todos ilumine e conceda a força necessária para perseverar no caminho até quando Deus nos chamar. Assim seja.”













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