Por Padre Luiz Carlos de Oliveira - Redentorista Em Notícias

Homilia do 23º Domingo Comum

“A liberdade que salva”

 

Desapegar-se – não odiar

 

 

Quando se fala de religião, fé, moral e espiritualidade, dá-se a impressão de proibição, com um solene não. Embora pareça bloqueio, é libertação do que nos oprime para a escolha de algo que liberta. Quando ouvimos Não matar, entendemos libertar para dar vida e ter vida. Jesus, ao mostrar as exigências de seu seguimento, quer tudo ou nada. Tem que pensar antes de assumir o seguimento, como explica através das parábolas do rei que vai para a guerra e tem que avaliar seu poder de força e o construtor da torre analisar suas condições para a construção.

E completa com a explicação: “Do mesmo modo, portanto, qualquer um de vós, se não renunciar a tudo o que possui, não pode ser meu discípulo” (Lc 14,33). Não dá para seguir Jesus pela metade, colocando reservas a seu ensinamento. Isso é um péssimo contributo para a evangelização, apresentando um Jesus retalhado e um evangelho espedaçado. O desapego não significa ódio à família nem a si mesmo nem aos bens.

A cultura do tempo de Jesus falava por opostos. Trata-se de dar preferência, de acordo com a o pensamento hebraico. Que Jesus e sua Palavra sejam o ponto de partida da vida e o sentido de tudo que fazemos. É isto que dá vida. Vimos na história do jovem rico que a exigência de Jesus não lhe agradou.

 

Jesus gostou dele. O moço era uma pessoa boa (Mt 19,17). A solução está em colocar família, bens e a própria vida no seguimento de Jesus. Nossa fé perde a força de testemunho quando a vivemos por pedaços. Apresenta a cruz como o modo de segui-lo: “Quem não carrega sua cruz e não caminha atrás de mim, não pode ser meus discípulos” (Lc 14,27). Carregar a cruz significa caminhar com o mesmo amor de serviço com o qual Ele nos deu a redenção.

O corpo pesa sobre a alma

Vivemos a condição humana marcada pela fragilidade espiritual fruto do pecado original e dos pecados que acrescentamos à maré de males que há no mundo. Ensinados pela Sabedoria podemos conhecer o desígnio de Deus. Ela nos ensina que, se temos dificuldades de conhecer o que há na terra, como investigar os céus? (Sb 9,16). O autor reconhece que o corpo corruptível torna pesada a alma e a tenda de argila oprime a mente que pensa (Sb 9,15). O salmo 89 reflete esta fragilidade do ser humano comparando-o à erva e ao sono da manhã. Tudo passa e tudo é frágil.

 

Mas já podemos conhecer o desígnio de Deus, pois nos foi dada a Sabedoria do Espírito Santo. O homem é frágil, mas tem a consistência do Espírito que age nele. E o Sábio conclui que nossos caminhos se tornam retos e aprendemos a agradar a Deus. É o que pudemos ver na carta de Paulo a Filemon. Nela mostra que a fé penetra as decisões humanas. A fé pode orientar nossa vida em todos seus segmentos. Mesmo que pese sobre nós a fragilidade, podemos ter a força da fé.

A fé destrói barreiras

Rezamos no salmo: “Ensinai-nos a contar nossos dias dai ao nosso coração sabedoria” (Sl 89). E rezamos na oração da missa: “Concedei aos que creem em Cristo a verdadeira liberdade e a herança eterna”. Depois de fazermos a mudança de vida nós o escolhemos. A fé em Jesus destrói as barreiras e os pesos que sofremos por conta da natureza humana frágil e pecadora. Depois de termos escolhido Jesus, temos mais condições de acertar do que riscos de errar. Os erros que cometemos não atingem a substância de nossa alma no seu relacionamento com Deus. Em cada missa recebemos o Corpo do Senhor que é purificação e sustento. Somos ensinados por Deus.

Leituras:Sabedoria 9.13-18;Salmo 89; Fm 9b-10.12-17; Lucas 14,25-33

Ficha nº 1264 - Homilia do 23º Domingo Comum (08.09.13)

 

Religião não tem o sentido negativo, mas libertador Para seguir Jesus é preciso pensar bem porque segui-lo pela metade não dá certo. Chama a isso renúncia. Não significa ódio, mas a preferência que damos a Ele. A solução é colocar família, bens no seguimento de Jesus. Carregar a cruz significa caminhar como o mesmo amor de serviço pelo qual nos deu a redenção.

 

Vivemos a fragilidade humana marcada pelo pecado. Ensinados pela Sabedoria podemos conhecer os desígnios de Deus. O corpo corruptível torna pesada a alma. Pela Sabedoria do Espírito Santo podemos conhecer o desígnio de Deus. Ele orienta a vida em todos os segmentos.

 

Rezemos no salmo: “Ensinai-nos a contar nossos dias e dai ao nosso coração sabedoria”. A fé em Jesus destrói as barreiras e os pesos que sofremos por conta da natureza frágil e pecadora. Temos mais condições de acertar do que de errar. Os erros que temos não atingem a substância de nossa alma.  

 

Vai dar com os burros n’água!

 

É triste a gente fazer um projeto sem pensar bem e ver que errou por falta de juízo. Sem sabedoria não podemos ir longe, como Jesus explica através da parábola do construtor sem calculo e do rei guerreiro sem previsão.

Jesus propõe que O sigam. Se aceitarmos temos que assumir para valer, pois do contrário, não vai dar certo. Ter a sabedoria é seguir Jesus. Temos dificuldades no seguimento de Jesus porque “o corpo corruptível torna pesada a alma a tenda de argila oprime a mente que pensa” (Sb 9,14). Quando nos dispomos seguir Jesus temos que calcular se vamos assumir a renúncia total do que temos. Se não, não podemos ser seus discípulos. Não há fé pela metade. Ela orienta tudo, como podemos ver em Paulo e Onésimo, o escravo fugido que Paulo convertera

Seguir Jesus significa desapegar-se dos afetos, dos bens, de si mesmo e seguí-lo carregando a cruz que é caminhar como Ele caminhou.

  

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