Por Padre Luiz Carlos de Oliveira, C.Ss.R Em Notícias

Homilia do 29º Domingo Comum

Padre Luiz Carlos de Oliveira, C.Ss.R

“Do Senhor vem o socorro”

 

Insistência na oração

 

 

Ao ver Jesus contar as parábolas dando seus ensinamentos, temos por certo que são textos autobiográficos. Ele está a dizer: assim como Eu sou e como Eu vivo, proponho que vivam do mesmo modo. Jesus se faz insistente em sua oração ininterrupta diante do Pai.

 

 

Na parábola, Jesus quer ensinar a necessidade de rezar sempre e nunca desistir (Lc 18,1). Conta, então, a parábola da velhinha insistente que vence o juiz insolente pelo cansaço. A comparação de Jesus quer mostrar que Deus “fará logo justiça a seus escolhidos, que dia e noite gritam por Ele... e fará justiça bem depressa” (7-8). Jesus sabe também que o Pai é seu socorro. E será socorro dos necessitados. O ensinamento sobre a oração é a necessidade de insistir.

 

 

Oração, diz Beato Charles de Foucauld, não é dizer muitas coisas, mas muitas vezes a mesma coisa. É para cansar Deus, em nossa linguagem. O Senhor sabe do que precisamos, mas quer que sejamos constantes porque assim estará mais em contato conosco. Para rezar é preciso uma fé forte e resistente nas “demoras de Deus”(Eclo 2,3). Por isso a recomendação de ser persistente. Deus ouvirá mais depressa que podemos pensar. Há que se contar também com a resposta de Deus que é sempre maior que nosso pedido, pois Ele sabe do que necessitamos, mesmo antes de Lho pedirmos (Mt 6,8).

 

 

É de certeza absoluta que Deus ouve nossos pedidos, mesmo nas coisas simples da vida. Como Pai, entende a conversa dos filhos pequenos. Mesmo quando pedimos coisas materiais, estamos demonstrando que até no material queremos depender Dele. Sabemos que Dele vem o socorro, por isso podemos levantar os olhos para o alto. Ele não deixa tropeçarem nossos pés (Sl 120).

 

 

De braços abertos ao alto

 

 

A cena de Moisés de braços abertos ao alto em contínua súplica a Deus, revela para nós o sentido de Cristo de braços abertos na cruz, em súplica permanente a Deus pelo seu povo. Ele reza por nós. Ele é nosso mediador e intercessor diante de Deus Pai (Hb 7,25). Jesus teme pelo futuro da fé por causa da falta de oração: “Quando vier, será que vai encontrar fé sobre a terra?” (Lc 18,8). Temos o mandamento de orar sem cessar (1Ts 5,17). A Igreja organizou a vivência deste mandamento através da oração litúrgica, sobretudo da Eucaristia que é a oração privilegiada da Igreja. Nela reza o próprio autor e sustentador da oração. Nela temos braços erguidos e “corações no alto”. Temos, nas catacumbas, a figura da orante de braços abertos ao alto. É a imagem da Igreja orante.

 

 

A Escritura alimenta a oração

Paulo insiste na necessidade da Palavra de Deus. Timóteo, desde criança, conhece as Escrituras. “Ela tem o poder de comunicar a sabedoria que conduz à salvação pela fé em Cristo Jesus” (2Tm, 3,15). A Palavra não é uma palavra qualquer, pois é inspirada por Deus e tem força para ensinar, argumentar, corrigir e educar para o aperfeiçoamento. Por isso insiste que se proclame a Palavra (2Tm 4,2). Ela é também oração. Por ela rezamos a Deus e por ela ouvimos a Deus. Ela é o caminho da oração, A Palavra, de modo particular nos salmos, tem tudo para a oração cristã. Ela percorre todos os sentimentos e possui todo ensinamento. Uma das missões da Igreja é ensinar a rezar. Rezamos pouco e mal. Não se trata de citar textos da bíblia ou ler orações, mas de buscar nela nosso relacionamento com Deus. A catequese atual, graças a Deus, tem um de seus pilares na Palavra. É oportuno, para melhorar nossa oração, buscar mais a Palavra de Deus, pois é fonte para a oração.

 

 

Leituras: Êxodo 17,8-13; Salmo 120; 2Timóteo 3,14-4,2; Lucas 18,1-8

 

 

Ficha nº 1276 - Homilia do 29º Domingo Comum (20.10.13)

 

 

 

Os ensinamentos e milagres de Jesus são autobiográficos: mostram quem Ele é. Na parábola sobre a insistência da oração conhecemos que Jesus é o persistente na oração. A velhinha dobra o juiz injusto. Quanto mais “dobrará” o bom Deus. O Senhor sabe do que precisamos. Para rezar é preciso uma fé forte e resistente nas demoras de Deus. A resposta de Deus é sempre pronta, mesmo nas coisas materiais. Dele vem o socorro. Deus dá mais e melhor do que pedimos.

 

 

Como Moisés, Jesus na Cruz está de braços abertos ao alto intercedendo por nós. Temos o mandamento de rezar sempre. A Igreja o organizou na oração litúrgica, de modo particular na Eucaristia. Nela reza o próprio autor da oração.

 

 

Paulo insiste na necessidade da Palavra de Deus que é útil para ensinar, corrigir e educar. A Palavra é também oração, de modo particular nos salmos que percorrem todos os sentimentos e ensinamentos. A Bíblia ajuda a oração.

 

 

Vencendo com a língua

 

 

Jesus conta uma parábola cômica. Uma velhinha queria que lhe fosse feito justiça numa causa. O juiz não tomou conhecimento. Tanto ela insistiu que ele fez, não porque devesse, mas porque não aguentou a insistência dela.

 

 

Se esse juiz sem caráter a atendeu diante das súplicas, será que Deus não vai ouvir os sofredores que clamam a Ele dia e noite? E não vai fazer esperar. Deus cuida dos pequeninos e fracos. Pobre não tem parente. Seu parente é Deus.

 

Temos que entender que precisamos aprender a rezar. Rezar não é dizer muitas coisas a Deus, mas muitas vezes a mesma coisa. É o convite a uma oração constante. O importante não é o que ganhamos, mas quem ganhamos. Oração não é para convencer a Deus de nossas coisas, mas convencer-nos de Deus.

 

Moisés é o exemplo da oração permanente. Por isso vencia todas as batalhas da vida do povo. Estar sempre voltado para Deus é vitória permanente.

 

 

 

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