Na manhã desta quarta-feira (26), o Santuário Nacional celebrou a Santa Missa no Altar Central com a temática do combate à violência de gênero, reunindo fiéis, religiosos, leigos, representantes de pastorais, movimentos e romarias de diversas regiões do país.
Ao iniciar a celebração, o arcebispo Metropolitano da Arquidiocese de Aparecida, Dom Mário Antonio, acolheu os peregrinos presentes na Casa da Mãe Aparecida.
Também dirigiu uma saudação especial à presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) do Estado de São Paulo e da 114ª Subseção de Aparecida, Ana Maria Seraphim, além de autoridades, advogados e representantes presentes da OAB.
A celebração ainda contou com a participação de mulheres que fazem parte da Campanha Nacional Agosto Lilás, que acompanharam a Missa com cartazes e outras expressões de conscientização sobre a importância da prevenção e do enfrentamento à violência contra a mulher.
Participantes do movimento contra a violência de gênero no Santuário Nacional
Quando o amor dá lugar à violência?
Durante a homilia, Dom Mário começou refletindo sobre o Evangelho de Mateus, em que Jesus se dirige com palavras aos escribas e fariseus: "Vós sois como sepulcros caiados: por fora parecem belos, mas por dentro estão cheios de ossos de mortos e de toda podridão" (Mt 23,27-32).
Neste contexto, o arcebispo explicou que Jesus denunciou uma contradição: a aparência de justiça por fora e, por dentro, a injustiça. Para ele, essa reflexão também questiona a sociedade diante da violência sofrida por tantas mulheres.
"Essa palavra nos ajuda a compreender uma realidade que não podemos esconder, especialmente neste agosto lilás, mês de conscientização e mobilização no combate à violência contra as mulheres. Não podemos maquiar a realidade. Não podemos pintar de bonito aquilo que, por dentro, está ferindo, humilhando, ameaçando e destruindo vidas", alertou.
Ainda no mesmo pensamento, Dom Mário Antonio expôs que, muitas vezes, a violência contra a mulher começa de forma silenciosa, por meio de atitudes, palavras e comportamentos que acabam abrindo caminho para agressões mais graves.
"Começa no controle excessivo. No ciúme apresentado como prova de amor, na vigilância do celular, no isolamento dos familiares e amigos, na humilhação, na ameaça, no controle do dinheiro, na desvalorização constante. E isso pode chegar à agressão física, à violência sexual e, tragicamente, ao feminicídio", completou.
Dom Mário durante a reflexão de sua homilia no Santuário Nacional
O arcebispo também ressaltou que o mês do Agosto Lilás não pode ser apenas uma campanha do calendário, mas precisa despertar a consciência, a conversão e a responsabilidade no combate à violência contra as mulheres.
Ainda durante a homilia, Dom Mário ressaltou que existem sinais e atitudes que revelam quando uma relação deixa de ser marcada pelo amor e passa a ser marcada pela violência.
"Precisamos dizer isso com clareza: ciúme não é amor, controle não é cuidado, humilhação não é educação, ameaça não é proteção, violência não é condição de casal", concluiu.
A dignidade humana vem de Deus
Ao refletir sobre a violência contra a mulher, Dom Mário destacou que toda agressão atinge diretamente a dignidade da pessoa humana. Segundo ele, quando uma mulher é agredida, humilhada, ameaçada ou controlada, não é apenas sua liberdade que é ferida, mas também a dignidade que recebeu do próprio Deus.
Nesse sentido, recordou o ensinamento presente no Livro do Gênesis, afirmando que o ser humano foi criado à imagem e semelhança de Deus, fundamento que sustenta o valor e o respeito devido a toda vida humana.
Mulheres participando da Santa Missa no Santuário Nacional
"Mulher e homem carregam em si a imagem de Deus. Por isso, quem agride uma pessoa, seja criança, adolescente, jovem, adulto ou idoso, não apenas está causando um problema pessoal, mas está ferindo uma pessoa criada à imagem e semelhança de Deus", completou.
Caminhando para o final da homilia, Dom Mário destacou que a Boa-Nova de Jesus Cristo convida os cristãos a não permanecerem indiferentes diante das injustiças.
Recordando a atitude de Jesus para com aqueles que eram colocados à margem da sociedade, o arcebispo ressaltou que o seguimento de Cristo exige compromisso concreto com a defesa da dignidade humana e com a promoção da vida.
"Ele escutou mulheres, defendeu-as e restituiu dignidade a elas. Não permitiu que a sociedade de seu tempo reduzisse a pessoa humana à sua condição social, moral ou cultural", disse.
Jesus não compactua com a violência
Diante da reflexão sobre as atitudes de Cristo, Dom Mário Antonio citou o exemplo de Jesus, que não concorda com a violência e o julgamento coletivo, mas sim, colocando a pessoa humana diante da misericórdia e da verdade.
"Por isso, a Igreja que anuncia Jesus Cristo não pode ser indiferente quando uma mulher sofre. A comunidade cristã precisa ser casa que acolhe, comunidade que escuta, presença que protege e voz que denuncia a violência", refletiu.
Encerrando a homilia, o arcebispo ressaltou o convite em que Cristo convida seus discípulos a viverem na verdade, rejeitando toda forma de injustiça, violência e indiferença.
Ao final, destacou a presença da Mãe Aparecida como exemplo de mulher de fé, mulher forte e de esperança, pedindo para que ela auxilie na construção de relações em que prevaleçam o respeito, a justiça, o cuidado e a paz.
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