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Morro do Cruzeiro: uma colina de oração na cidade da Mãe Aparecida

Escrito por Tereza Pasin

15 MAR 2021 - 13H02 (Atualizada em 23 AGO 2021 - 10H31)

Thiago Leon

O projeto da construção do Monte do Calvário surgiu em 1905. Passados os anos, foram feitas dezesseis cruzes pequenas, de diferentes madeiras preciosas do Brasil, que deveriam fazer parte das Estações da Via Sacra.

As cruzes foram levadas para serem colocadas no “Sepulcro de Nosso Senhor Jesus Cristo” e bentas pelo Papa Pio X, em audiência especial. Ficaram guardadas no Consistório da Irmandade do SS. Sacramento da Catedral Metropolitana de São Paulo. Foi trazida para a cidade de Aparecida pelo Cardeal Dom Carlos Carmelo de Vasconcellos Motta. Hoje, estão sob os cuidados da Cúria Metropolitana da Arquidiocese de Aparecida.

No jornal “A Liberdade”, de 26 de julho de 1925, páginas 2 e 3 lemos: “[...] o Sr. Luiz Pasin, ótimo chefe de família que teve uma ideia estupenda, a de erigir numa das colinas que circunda a nossa Aparecida, um cruzeiro com o nobre fim de comemorar o ano santo. Há tempos houve quem tivesse a iniciativa da construção do Calvário. Infelizmente, esse “desideratum” não foi por diante. Hoje já vão adiantados os trabalhos de uma cruz gigantesca em pedestal de granito. [...] Os que passam por aqui os bons peregrinos e todos enfim hão de ter nos recônditos de suas almas e pensamentos. Por tantas calamidades que assolam o mundo: ‘Perdão meu Jesus, perdão.’ “

Aos 2 de agosto de 1925, às 15 horas, saiu da Basílica a procissão levando no Calvário a Imagem do Bom Jesus do Monte, como recordação do Ano Santo. Ao pé da Cruz, foi colocada num nicho a imagem de Nosso Senhor do Bom Jesus do Monte.

Na data de 6 de setembro, foi dada a benção pelo Padre Thiago Klinger – Vice Provincial dos Redentoristas. O morro recebeu o nome de Morro do Cruzeiro. O ato foi abrilhantado pela banda de música “Aurora Aparecidense.”

Thiago Leon
Thiago Leon


“Para o último dia das Missões estava marcada uma apoteose a Nossa Senhora: às 8 horas da noite, o Missionário avisaria os fiéis da iluminação do Santo Cruzeiro, colocado no alto da Rua Nova. Então os foguetes subiriam, aqui embaixo os sinos repicariam e a banda de música entraria com os hinos Nacional e Pontifício, além do “Dai-nos a benção, ó Mãe Querida...”
. Carvalho, Côn. Augusto José. Trem de Manobra – Pouso Alegre (MG).

Em 23 de novembro de 1939, chegou à cidade de Aparecida o Arcebispo Dom José Gaspar de Afonseca e Silva, de São Paulo. Assumiu perante a Imagem de Nossa Senhora Aparecida e os fiéis, um solene compromisso, de construir uma nova Basílica. As vistas do Arcebispo estavam voltadas para as colinas ao leste de Aparecida, o Morro do Cruzeiro.

Aos 12 de setembro de 1940, na festa do santíssimo nome de Maria, a Cúria Metropolitana de São Paulo adquiriu os terrenos. São cerca de 200 alqueires.

Três engenheiros de São Paulo: Dr. Guilherme Winter, Luiz Anhaia Melo e Amador Cintra Prado, em companhia do Arcebispo, o vigário Padre Oscar Chagas, C.Ss.R. e o Prefeito Américo Alves, subiram a colina. Com exceção do vigário e do prefeito, todos subiram a cavalo, para mais facilmente percorrerem toda a área e localizarem com mais precisão os pontos em estudo; a impressão foi magnífica!

Declarando os engenheiros que ali o terreno era erosivo, foi escolhido os morros situados a oeste de Aparecida, o morro das Pitas.

No dia 27 de agosto de 1943, o rádio espalha a triste notícia de que no Rio de Janeiro, em desastre de avião, morreram o Arcebispo Dom José Gaspar de Afonseca e Silva e seus companheiros de viagem.

Durante a celebração da Semana Santa no ano de 1948, no dia 6 de abril foram inauguradas as 14 capelinhas da estação da Via-Sacra, pelo vigário Pe. Antônio Pinto de Andrade.

Por volta de 1960, era costume as romarias fazerem a Via-Sacra no Morro do Cruzeiro, contemplando os sofrimentos de Cristo. Com seu ziguezague, tornam a subida de 685m de altitude mais suave. Os seminaristas do Seminário Santo Afonso plantaram eucaliptos em todo o morro, com um suave perfume pela manhã.

Hoje um ponto turístico onde acontece, toda sexta feira da Quaresma, a tradicional Via-Sacra.

A reinauguração do Morro do Cruzeiro aconteceu em 21 de abril de 2000.

Na entrada do morro, um par de mãos postas em oração, de 15m de altura, do artista plástico Adélio Sarro Sobrinho, da cidade de Andradina-SP. Em todo trabalho usou um pigmento especial de cimento que imita o bronze.

“Grandes Mãos postas em oração, de 15 m de altura, é o sinal de que aqui é um local de oração, meditação e peregrinação.” Padre José Ulysses da Silva, C.Ss.R.

Thiago Leon
Thiago Leon


O projeto arquitetônico é do
artista sacro Cláudio Pastro (in memoriam) e o paisagístico de Gustaas Henricos Winters. As estações, do artista Adélio. Um grande cruzeiro de aço, de 23 metros de altura, obra do artista Cláudio Pastro. O material da cruz foi doado pela empresa Usiminas. Sobre um mirante de 30 metros foi colocada a cruz. É possível ter uma vista de 360º da região, do rio Paraíba do Sul e da Serra da Mantiqueira.

Na praça central foi construída uma concha que acolhe um altar, para as celebrações.

“O Morro do Cruzeiro não é da Igreja. É do Povo!” com estas palavras o Cardeal Aloísio reinaugurou o Morro do Cruzeiro. “O novo Cruzeiro presta uma homenagem aos 500 anos de evangelização no Brasil, e traz escrito: ‘Brasil terra de Santa Cruz – 1500 – 2000’".

O Morro tem acesso a qualquer hora do dia, com vigilância 24 horas.

Ligando o Santuário Nacional ao Morro do Cruzeiro foi inaugurado os Bondinhos Aéreos no dia 25 de junho de 2014. Com 47 bondinhos, as cabines são para até 6 pessoas sentadas, num percurso de 1.100 metros, com altura aproximada de 120 metros.

É um belo passeio, preparando-se para os momentos de oração!

 (OBS: Até o dia 30 de março de 2021, o Morro do Cruzeiro estará fechado, conforme regras do Plano São Paulo de prevenção à Covid-19)


Tereza Galvão Pasin 
Professora e Historiadora
 

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