Por Academia Marial Em Artigos Atualizada em 27 JAN 2020 - 11H25

Padre Donizetti: ilustre devoto da Senhora Aparecida

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Nos últimos meses, a Igreja do Brasil viveu momentos importantes e históricos com a canonização da Irmã Dulce, agora Santa Dulce dos Pobres, e a beatificação do Padre Donizetti, hoje BEATO DONIZETTI TAVARES DE LIMA, chamado “Apóstolo da Acolhida”, em 23 de novembro de 2019. O milagre em favor do menino Bruno Henrique A. de Oliveira, que possuía uma deformidade congênita de nascença, garantiu a beatificação. Queremos tratar, aqui, especialmente, da devoção que o religioso nutria à Virgem Maria sob o título de Nossa Senhora Aparecida, o que, sem dúvida, garantiu que sua fama crescesse e se espalhasse por todo o país.

Padre Donizetti nasceu em 1882 em Cássia (MG). Sua família, extremamente religiosa e fiel à Igreja, foi essencial para que o menino Donizetti desenvolvesse o gosto pelas coisas de Deus e descobrisse a vocação sacerdotal. No seio familiar, teve desperto o amor filial por Maria Santíssima, como ele mesmo afirmava: “A devoção a Nossa Senhora Aparecida foi transmitida desde o leite materno pela minha saudosa e santa mãe”. Antes de ser padre, formou-se em Música e cursou Direito. Como seminarista, estudou em São Paulo e, mais tarde, em Pouso Alegre (MG), a convite de Dom Nery, que o ordenou presbítero na Catedral dessa diocese em 1908.

Com a transferência de Dom Nery para Campinas, Padre Donizetti o acompanha e assume algumas paróquias até ser, finalmente, em 1926, nomeado vigário da Paróquia de Santo Antônio de Tambaú (SP), onde o sacerdote se torna célebre.

A atuação como pastor daquele povo foi notável por sua tamanha dedicação, caridade, paciência, solicitude e espírito profético, que exprimem o zelo do Cristo Bom Pastor no meio das suas ovelhas. Líder nato, criou na Paróquia corporações musicais; clubes de atividades esportivas; associações religiosas para os rapazes e as moças; armazém comunitário; obras de assistência social e de saúde para idosos, casais e crianças. Também defendia os direitos e a dignidade dos trabalhadores rurais e operários explorados, denunciando a opressão de seus patrões; ajudava e protegia os pobres, os humildes, os desamparados, as crianças e os doentes. Por isso, inúmeras vezes, o padre foi vítima de perseguição e difamação por parte dos poderosos e daqueles que não concordavam com a sua opção pelos mais necessitados. Seu zelo pela Liturgia, pelas procissões, pela moral e pela conservação do templo também sempre foram constantes e notáveis.

O padre era extremamente humilde, praticava penitências e vivia a pobreza na radicalidade em sua casa paroquial, localizada ao lado de uma extinta igrejinha de São José (que deu lugar, hoje, ao Santuário que ele almejava para a Senhora Aparecida). Uma réplica dessa antiga igrejinha foi erigida próximo dali.

Padre Donizetti solicitou que fosse enviada do Santuário de Aparecida (SP) uma réplica fiel da imagem da Rainha e Padroeira do Brasil para Tambaú. No dia em que a imagem chegou de trem à cidade, chovia fortemente. Mas um milagre aconteceu: por onde passava a procissão que conduziu a imagem da estação até a Matriz, a chuva cessava!

Outro grandioso milagre da Senhora Aparecida se deu em meio ao incêndio que destruiu a Matriz de Santo Antônio em 11 de outubro de 1929. Tudo foi consumido pelo fogo. A igreja se desfez, exceto a imagem miraculosa da Senhora. Padre Donizetti tomou a imagem, apertou-a contra o peito e dirigiu-se sem nada dizer à casa paroquial. Em menos de dois anos a igreja foi reconstruída.

Na década de 1950, a fama de santidade do padre se espalhava e era reconhecida pelo povo de Tambaú e de fora de lá. Começavam os fenômenos das grandes romarias, que invadiam a cidade aos milhares, em busca das bênçãos públicas milagrosas que o padre administrava na praça da igrejinha de São José. O presbítero, sem vaidade alguma, sempre atribuía todo o mérito à Virgem: “Não faço milagres, sou um simples padre de aldeia. Apenas peço a Nossa Senhora Aparecida sua intercessão junto a Deus. Só Deus realiza milagres”.

Os casos dos inúmeros doentes curados por meio da bênção do padre eram difundidos pela imprensa, especialmente pelo radialista Pedro Geraldo Costa, da Rádio Nacional, o que só aumentava o movimento religioso na pequena cidade. Destacamos, neste ponto, o saudoso jornalista Joelmir Beting, que foi coroinha do padre e, por intermédio dele, alcançou uma graça ainda criança.

Já com a saúde debilitada, Padre Donizetti ministrou sua última bênção pública em 30 de maio de 1955, sob uma chuva de pétalas de rosas caindo de aviões num belo espetáculo organizado pelo supracitado radialista. Sobre o bondoso vigário de Tambaú, conta-se que ele possuía os dons da levitação, da premonição e da bilocação.

O padre santo faleceu em 16 de junho de 1961, sendo sepultado no dia seguinte no cemitério municipal. Seu sonho de ver erguido na pequena Tambaú um Santuário dedicado a Nossa Senhora Aparecida se concretizou somente após a sua morte. A igrejinha de São José, como dissemos, deu lugar ao monumental Santuário da Virgem Aparecida, cuja pedra fundamental foi lançada em 1961 e onde, atualmente, repousam os restos mortais desse grande “devoto” de Maria, o Padre Donizetti, a quem milhares de devotos recorrem incessantemente, de modo especial durante as comemorações em sua honra, como a “Marcha da Fé” em junho.

Leonardo Caetano de Almeida
Associado da Academia Marial de Aparecida

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