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Beato Donizetti: ilustre devoto da Senhora Aparecida

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Escrito por Academia Marial - Editado por Luciana Gianesini

17 JAN 2020 - 09H13 (Atualizada em 16 JUN 2026 - 10H04)

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Desde 2019, a Igreja do Brasil viveu momentos importantes e históricos com a canonização da Irmã Dulce, agora Santa Dulce dos Pobres, e a beatificação do Padre Donizetti, hoje Beato Donizetti Tavares de Lima, chamado “Apóstolo da Acolhida”, em 23 de novembro de 2019.

O milagre em favor do menino Bruno Henrique Arruda de Oliveira, que nasceu com pé torto congênito, foi reconhecido pela Igreja e abriu caminho para a beatificação. Queremos tratar, aqui, especialmente, da devoção que o sacerdote nutria à Virgem Maria sob o título de Nossa Senhora Aparecida, o que, sem dúvida, ajudou sua fama de santidade a crescer e se espalhar por todo o país.

Padre Donizetti nasceu em 3 de janeiro de 1882, em Cássia (MG). Sua família, extremamente religiosa e fiel à Igreja, foi essencial para que o menino Donizetti desenvolvesse o gosto pelas coisas de Deus e descobrisse a vocação sacerdotal.

No seio familiar, teve desperto o amor filial por Maria Santíssima, como ele mesmo afirmava: “A devoção a Nossa Senhora Aparecida foi transmitida desde o leite materno pela minha saudosa e santa mãe”. Antes de ser padre, formou-se em Música e cursou Direito. Como seminarista, estudou em São Paulo e, mais tarde, em Pouso Alegre (MG), onde foi ordenado presbítero em 12 de julho de 1908.

Com a transferência de Dom Nery para Campinas, Padre Donizetti o acompanhou e assumiu algumas paróquias até ser, finalmente, em 1926, nomeado vigário da Paróquia de Santo Antônio de Tambaú (SP), onde o sacerdote se tornou célebre. Em 2026, completam-se 100 anos de sua chegada a Tambaú, cidade que marcou profundamente sua missão sacerdotal.

A atuação como pastor daquele povo foi notável por sua dedicação, caridade, paciência, solicitude e espírito profético, que exprimem o zelo do Cristo Bom Pastor no meio das suas ovelhas. Líder nato, criou na paróquia corporações musicais; clubes de atividades esportivas; associações religiosas para os rapazes e as moças; armazém comunitário; obras de assistência social e de saúde para idosos, casais e crianças.

Também defendia os direitos e a dignidade dos trabalhadores rurais e operários explorados, denunciando a opressão de seus patrões; ajudava e protegia os pobres, os humildes, os desamparados, as crianças e os doentes. Por isso, inúmeras vezes, o padre foi vítima de perseguição e difamação por parte dos poderosos e daqueles que não concordavam com a sua opção pelos mais necessitados. Seu zelo pela Liturgia, pelas procissões, pela moral e pela conservação do templo também sempre foram constantes e notáveis.

O padre era extremamente humilde, praticava penitências e vivia a pobreza na radicalidade em sua casa paroquial, localizada ao lado de uma antiga igrejinha de São José, que deu lugar, hoje, ao santuário que ele almejava para a Senhora Aparecida. Uma réplica dessa antiga igrejinha foi erigida próximo dali.

Padre Donizetti solicitou que fosse enviada do Santuário de Aparecida (SP) uma réplica fiel da imagem da Rainha e Padroeira do Brasil para Tambaú. No dia em que a imagem chegou de trem à cidade, chovia fortemente. Mas um milagre aconteceu: por onde passava a procissão que conduziu a imagem da estação até a Matriz, a chuva cessava!

Outro grandioso milagre da Senhora Aparecida se deu em meio ao incêndio que destruiu a Matriz de Santo Antônio em 11 de outubro de 1929. Tudo foi consumido pelo fogo. A igreja se desfez, exceto a imagem da Senhora. Padre Donizetti tomou a imagem, apertou-a contra o peito e dirigiu-se sem nada dizer à casa paroquial. Em menos de dois anos, a igreja foi reconstruída.

Na década de 1950, a fama de santidade do padre se espalhava e era reconhecida pelo povo de Tambaú e de fora de lá. Começavam os fenômenos das grandes romarias, que invadiam a cidade aos milhares, em busca das bênçãos públicas que o padre administrava na praça da igrejinha de São José.

O presbítero, sem vaidade alguma, sempre atribuía todo o mérito à Virgem: “Não faço milagres, sou um simples padre de aldeia. Apenas peço a Nossa Senhora Aparecida sua intercessão junto a Deus. Só Deus realiza milagres”.

Os casos dos inúmeros doentes curados por meio da bênção do padre eram difundidos pela imprensa, especialmente pelo radialista Pedro Geraldo Costa, da Rádio Nacional, o que só aumentava o movimento religioso na pequena cidade. Destacamos, neste ponto, o saudoso jornalista Joelmir Beting, que foi coroinha do padre e, por intermédio dele, alcançou uma graça ainda criança.

Já com a saúde debilitada, Padre Donizetti ministrou sua última bênção pública em 30 de maio de 1955, sob uma chuva de pétalas de rosas caindo de aviões, num belo espetáculo organizado pelo supracitado radialista. Sobre o bondoso vigário de Tambaú, conta-se que ele possuía dons extraordinários, como a levitação, a premonição e a bilocação.

O padre santo faleceu em 16 de junho de 1961, sendo sepultado no dia seguinte no cemitério municipal. Em 2026, a Igreja recorda os 65 anos de sua morte, celebrando a memória de um sacerdote que marcou a história de Tambaú e da devoção a Nossa Senhora Aparecida. Seu sonho de ver erguido na pequena cidade um santuário dedicado a Nossa Senhora Aparecida se concretizou somente após a sua morte.

A igrejinha de São José, como dissemos, deu lugar ao Santuário da Virgem Aparecida, cuja pedra fundamental foi lançada em 1961 e onde, atualmente, repousam os restos mortais desse grande devoto de Maria, o Beato Donizetti, a quem milhares de fiéis recorrem incessantemente, de modo especial durante as comemorações em sua honra, como a Marcha da Fé, realizada em junho.

Leonardo Caetano de Almeida
Associado da Academia Marial de Aparecida
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