Palavra do Associado

A devoção do Papa Leão XIV a Nossa Senhora

Escrito por Academia Marial

17 NOV 2025 - 09H45 (Atualizada em 04 DEZ 2025 - 15H19)

Reprodução/ Vatican News

Somos convidados a uma breve visita ao Papa Francisco para vermos melhor a vitalidade da devoção deste ”bondoso e alegre” Papa que nos é conhecida como o Papa do sorriso. Para isto nos servimos da espiritualidade mariana, presente ao longo dos 12 anos do papado do Papa Francisco, manifesta em suas atitudes, palavras e escritos.

a) Uma espiritualidade alegre e esperançosa: Pudemos perceber a espiritualidade mariana do Papa Francisco quando ele visitou o Santuário de Aparecida, em 2013. Quanto amor e carinho para com a Mãe do Senhor em suas atitudes e palavras! Na homilia, o Papa convidou todos e todas a termos também uma espiritualidade mariana, manifestada em atitudes concretas: como Maria, conservar a esperança, deixar-nos surpreender pela novidade de Deus e viver na alegria. A esperança e a alegria são necessárias mais que nunca. Assim como Isabel falou a Maria “feliz aquela que acreditou” (Lc 1,45), também Deus nos chama a testemunhar a felicidade de uma fé viva.

b) Uma espiritualidade do olhar: nesta espiritualidade mariana do Papa Francisco, os santuários ocupam um lugar especial. Na chegada, acontece um encontro de amor. Para o Papa, os peregrinas se encontram com o olhar da Mãe, que nos abre a alma. Diz ele: Temos necessidade do seu olhar terno, do seu olhar de Mãe, ela que nos abre a alma. O seu olhar é cheio de compaixão e de cuidado. E por isso hoje lhe dizemos: Mãe, doa-nos o teu olhar.

c) Uma espiritualidade para uma Igreja em saída: A espiritualidade mariana do Papa Francisco traz um impulso evangelizador. Para ele Maria é mãe da Igreja evangelizadora porque imprime um estilo nos cristãos devotos e devotas. O Papa explica muito bem esta espiritualidade. Trata-se de unir a “força revolucionária da ternura e do afeto” com a busca da justiça; articular a contemplação que guarda tudo no coração com a ação de caminhar.

Afinal, Maria é também a nossa Senhora da prontidão que parte apressadamente para servir (Lc 1,39). Ou seja, a espiritualidade mariana alimenta uma “Igreja em saída” que sabe rezar e construir um mundo melhor e mais justo para todos e todas e para o planeta. Enfim a espiritualidade mariana que marcou o pontificado do saudoso Papa Francisco é afetiva, alegre e esperançosa, evangelizadora e ativa, que se deixa olhar por Maria e com ela aprende a olhar e agir. A nossa alegria no último mês de maio de 2025 foi celestial, pois Deus deu-nos um novo Papa Leão XIV , além de ser o mês das flores e das mães, e, também, o mês dedicado, na tradição católica, a Nossa Senhora, Maria – a Mãe de Jesus.

Após esta breve visita ao Papa Francisco, vamos ao Santo Padre, Leão XIV que se mostrou, desde os primeiros momentos, um Papa profundamente mariano, pois no dia da sua apresentação, concluiu a sua alocução rezando uma Ave-Maria com a multidão que o acolheu com muita emoção, na Praça de São Pedro, em Roma, juntamente com os milhões que o seguiam, pelos meios de comunicação social e redes sociais.

Podemos ver por sua vez a devoção mariana do novo Papa está, também, patente no seu escudo heráldico, onde figura, com fundo azul, a flor-de-lis, o lírio branco, símbolo de Nossa Senhora, assim como a referência à Ordem de Santo Agostinho com um coração em chamas trespassado por uma flecha, que representa simbolicamente as palavras de Santo Agostinho relatadas no livro das Confissões: "Feriste o meu coração com o teu amor”.

A primeira oração pública, ao meio-dia, no domingo, foi o Regina Caeli (Rainha do Céu) onde o Papa cantou a oração mariana do tempo pascal e a sua primeira visita foi ao Santuário de Nossa Senhora do Bom Conselho, nos arredores de Roma, custodiado pelos frades agostinianos. E, no regresso, passou pela Basílica de Santa Maria Maior, onde está o ícone da padroeira de Roma, Nossa Senhora Salus Populi Romani (Salvação do Povo Romano), cuja réplica acompanha a Cruz das Jornadas Mundiais da Juventude.

Tudo isso não pode ser mera coincidência, mas a eleição de Leão XIV, ocorreu a 8 de maio, data em que se comemora Nossa Senhora de Luján, uma imagem da Imaculada Conceição que é padroeira de alguns países sul-americanos (da Argentina, por exemplo), e que foi coroada canonicamente, em 1887, no tempo do Papa Leão XIII. Também, nesse mesmo dia, se comemora Nossa Senhora de Pompeia, uma importante devoção mariana em Itália, em que a devoção ao Rosário que se espalhou pela mão de Bartolo Longo, um advogado italiano que compôs e promoveu a Súplica à Rainha do Santo Rosário de Pompeia, em 1884, igualmente no pontificado de Leão XIII.

O Papa Leão XIV, em seus primeiros passos como pontífice, tem demonstrado uma forte devoção a Maria, a Virgem Santíssima, e a busca por seguir seu exemplo. Ele tem frequentemente vinculado a figura de Maria ao seguimento de Jesus e à busca pela paz, especialmente em suas mensagens e orações. Em suas aparições e discursos, o Papa Leão XIV tem destacado a importância de Maria como modelo de fé, esperança e obediência a Deus, incentivando os fiéis a imitá-la. Ele também a invoca como intercessora, especialmente em momentos de dificuldade e violência, pedindo sua proteção e auxílio para a Igreja e para o mundo.

Os cardeais portugueses, regressados de Roma, propuseram ao bispo de Leiria-Fátima a consagração do pontificado de Leão XIV a Nossa Senhora do Rosário de Fátima e ela foi realizada diante da imagem da Capelinha das Aparições, na Cova da Iria, junto com mais de 200.000 peregrinos, no dia 13 de maio. Disse o Bispo de Leiria-Fátima:

Estamos a Vossos pés, os Bispos de Portugal e esta multidão de peregrinos, no 108.º aniversário da Vossa Aparição aos Pastorinhos (…) para Vos consagrar o Ministério do atual sucessor de Pedro e Bispo de Roma (…). Enchei o seu coração da ternura de Deus (…) para que ele possa abraçar todos os homens e mulheres deste tempo com o amor do Vosso Filho Jesus Cristo.

Ainda, neste 13 de maio de 2025, completaram-se 25 anos após a divulgação da terceira parte do «Segredo de Fátima» em que era descrita a perseguição e a guerra à Igreja e aos cristãos, assim como o ataque ao «bispo vestido de branco», que é o Papa. Na mensagem de Fátima há inúmeras referências ao Papa e à necessidade de orar por ele e pela sua missão. E, na Cova da Iria, rezou-se e reza-se diariamente pelo Santo Padre. No dia 18 de maio, teve lugar a missa de inauguração solene do pontificado do Santo Padre Leão XIV. Por feliz coincidência, é a data de nascimento do grande Papa Mariano, São João Paulo II (18.05.1920) e que tinha o lema: “Todo teu, ó Maria” («Totus tuus, Maria»).

O Papa Leão XIV transcorreu a Solenidade da Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria em Castelo Gandolfo, cidade próxima a Roma, na reflexão que precedeu o Angelus, o Pontífice buscou enaltecer a figura de Maria, "fonte viva de esperança", em versos de Dante Alighieri (1265-1321), o maior poeta da língua italiana; como através dos Padres do Concílio Vaticano II que "deixaram um texto maravilhoso sobre a Virgem Maria". No final do documento sobre a Igreja, o Concílio se refere à Mãe de Jesus, como "imagem e início da Igreja" que "brilha como sinal de esperança segura e de consolação para o Povo de Deus ainda peregrinante".

Uma verdade da nossa fé, disse Leão XIV, que "está em perfeita sintonia com o tema do Jubileu que estamos vivendo: «Peregrinos de esperança»". Isso porque "o peregrino precisa de uma meta que oriente a sua viagem", que "reavive sempre no seu coração o desejo e a esperança": "esta meta é Deus, Amor infinito e eterno, plenitude de vida, de paz, de alegria e de todo o bem", recordou o Papa aos fiéis reunidos na Praça da Liberdade, em Castel Gandolfo.

“Maria, que Cristo ressuscitado levou consigo, em corpo e alma, para a glória, brilha como ícone de esperança para os seus filhos peregrinos na história. Trata-se de um único mistério de amor e, portanto, de liberdade. Assim como Jesus disse 'sim', Maria também disse 'sim', acreditou na palavra do Senhor. E toda a sua vida foi uma peregrinação de esperança com o Filho de Deus e seu, uma peregrinação que, através da Cruz e da Ressurreição, a conduziu à pátria, ao abraço de Deus. Por isso, enquanto estivermos a caminho, como indivíduos, como família, em comunidade, especialmente quando as nuvens chegarem e o caminho se tornar incerto e difícil, levantemos os olhos, olhemos para ela, nossa Mãe, e reencontraremos a esperança que não engana.”


Pe. Sílvio Firmo do Nascimento

Associado da Academia Marial de Aparecida

Fonte: Vatican News

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