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Pai como José

Escrito por Academia Marial

05 AGO 2021 - 08H00 (Atualizada em 09 AGO 2021 - 08H45)

Por ocasião do 150º aniversário da declaração de São José como padroeiro universal da Igreja, o Papa Francisco lançou, em 08 de dezembro de 2020, uma carta apostólica chamada Patris Corde (com coração de Pai), que retrata de forma belíssima o coração amoroso de José, pai adotivo de Jesus e esposo de Maria, e que inaugurou o ano da Igreja dedicado a São José.

Deus dá a seus amados até enquanto dormem” (Sl 126,2). Estas palavras se aplicam a “um homem chamado José, da casa de Davi” (Lc 1,27), que recebeu de Deus um grande dom e também uma grande missão: cuidar daquele que cuidaria de nós. Apesar do profeta dizer “maldito o homem que confia em outro homem” (Jr 17,5), o Pai confiou seu Filho ao homem José, um “homem de bem” (Mt 1,19) a quem coube escolher o nome do filho de Deus: Jesus, que salvaria seu povo de seus pecados (Cf. Mt 1,21).

Não deve ter sido fácil compreender a vontade de Deus, pois seus pensamentos não são os nossos (Cf. Is 55,8) e isso exigiu do carpinteiro a arte de esculpir a própria vida a partir de uma certeza tão incerta como foi o mistério da encarnação. Incerta, não em sua verdade, mas na forma pela qual o Verbo se fez carne e veio habitar entre nós (Cf. Jo 1,14).

Se a carne foi o ventre de Maria, a casa escolhida foi a de José. Foi de José, que o Pão da vida (Cf. Jo 6,48) recebeu seu primeiro pedação de pão, que a Palavra eterna aprendeu a pronunciar suas primeiras sílabas e que o Caminho aprendeu a ficar de pé para dar seus primeiros passos.

Mr.Thanathip Phatraiwat/ Shutterstock
Mr.Thanathip Phatraiwat/ Shutterstock


Não deve ter sido fácil conciliar tudo isso. Se Maria é aquela que guardava tudo em seu coração (Cf. Lc 2,19), José guardava Maria e sonhava o sonho de Deus para seu povo: que a salvação chegasse a todos os homens e mulheres de boa vontade (Cf. Lc 2,11.14). Mas, às vezes, o sono de José era tomado pela aflição de saber que queriam matar o menino-Deus, cuja vida lhe parecia tão frágil e indefesa, tão dependente da sua. Como é possível que Deus arrisque a vida de seu próprio filho colocando-o sob a minha guarda, um pobre trabalhador? E se der errado? E se eu não conseguir? Muitas vezes as perguntas de José parecem ser também as nossas.

Mas José, mesmo quando dormia, vigiava na presença de Deus, e por isso não esperou nem o raiar do dia para seguir com Jesus e Maria para o Egito (Cf. Mt 2,14). Fugitivo? Não, sobrevivente. Medroso? Não, pai como a gente, que faz de tudo para salvar a vida de um filho. Se para a encarnação do filho de Deus, tudo dependeu do sim de Maria, para a sobrevivência do menino, tudo dependeu da coragem de José. Todas as promessas de Deus, todas as profecias de Israel, tanto a beleza do templo, quanto a dor do exílio, todo o passado de um povo e todo o seu futuro dormindo no colo de José, enquanto a nova arca da aliança, sua doce e santa Maria, repousava a seu lado, cansada da fatigante viagem.

Precisamos redescobrir a beleza da paternidade e o acolhimento do amor de Deus: Pai de cada pai e Pai nosso de cada dia. De Deus Pai provém toda paternidade no Céu e na terra (Cf. Ef 3,15), mas de todos os pais que exerceram e exercem a paternidade de forma biológica, espiritual ou adotiva, nunca houve nenhum pai como José: um homem com um coração de pai, missão de pai e coragem de pai.

No entanto, parafraseando a canção do Pe. Zezinho, “Maria de Nazaré”, poderíamos dizer que “em cada homem que Deus criou, um traço de José nos deixou”. Lembro de tantos “josés” que ficam de noite pensando no que vão colocar na mesa dos filhos no dia seguinte.

Penso nos pais que escutam os filhos pedindo biscoito e saem para conseguir mesmo não tendo dinheiro para comprar. Penso no pai que vê no tiroteio da favela o risco real de perder seu filho e não tem para onde fugir. Mas também penso nos filhos, que assim como Jesus, perderam seus pais, inclusive os pais que partiram abruptamente na pandemia. Precisamos redescobrir a beleza da paternidade e o acolhimento do amor de Deus: Pai de cada pai e Pai nosso de cada dia.

Neste ano dedicado a São José, recorramos a ele para que nos ajude a repousar e confiar nossas preocupações a Deus, a sonharmos com um mundo melhor para os nossos filhos e a nos levantarmos corajosamente todas as vezes que for necessário. Rezemos com confiança essa bela oração que o Papa Francisco nos deixou ao final de sua carta apostólica Patris Corde arrow_downward

Salve, guardião do Redentor
e esposo da Virgem Maria!
A vós, Deus confiou o seu Filho;
em vós, Maria depositou a sua confiança;
convosco, Cristo tornou-Se homem.
Ó Bem-aventurado José, mostrai-vos pai também para nós
e guiai-nos no caminho da vida.
Alcançai-nos graça, misericórdia e coragem,
e defendei-nos de todo o mal. Amém.




Vinícius da Silva Paiva@teologodemaria
Leigo casado, pai de 4 filhos, economiário com formação em Gestão de Pessoas e MBA em Transformação Digital. Bacharel em Teologia com especialização em Mariologia e mestrando em Teologia Sistemática pela PUC/RS. 

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