Por Pe. Antonio Clayton Sant'Anna, CSsR Em Grão de Trigo Atualizada em 09 MAI 2018 - 12H30

Pentecostes: a língua e o fogo!

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De domingo em domingo a Igreja vai desdobrando no seu calendário litúrgico as celebrações da fé católica. Nós vamos revivendo os mistérios da vida de Jesus, procurando sentir os apelos que a fé nos faz a nós e ao nosso tempo, construindo entre nós a unidade e a comunhão, sempre pondo a serviço uns dos outros os dons que o Espírito Santo nos deu. É imensa a riqueza que o culto católico nos dá! O nosso culto chama-se “liturgia”. A liturgia dominical nos dá a chance de celebrar no tempo e no espaço o que Deus mesmo fez para nos salvar, ou o projeto histórico-salvífico que o Pai realizou a nosso favor, em Cristo, mediante a ação do Espírito Santo. Quando rezamos e celebramos os mistérios da fé cristã, na missa e nos demais ritos sacramentais, o hálito da vida espiritual, o sopro vital do Espírito de Deus torna-se manifesto para santificar tudo o que fazemos unidos a Cristo.

No calendário cristão é o dia de Pentecostes. A palavra faz parte da língua grega. Muito antigamente, para o povo bíblico do Antigo Testamento, era uma festa agrícola em que se fazia a colheita do trigo. Contava-se o tempo: 7 semanas após o início da colheita de trigo, portanto no 50º dia, fazia-se a festa. Mais tarde ela ficou ligada à celebração da Páscoa: cinquenta dias após a recordação pascal da libertação do povo israelita da escravidão do Egito, era celebrada a entrega dos 10 Mandamentos a Moisés. Deus, como conta o livro do Êxodo no capítulo 19, fez uma aliança especial com o seu povo. Cerne dessa Antiga Aliança foram os 10 mandamentos que Javé revelou a Moisés no alto da montanha do Sinai.

A partir do Novo Testamento, no calendário cristão, a festa de Pentecostes é o ponto culminante da Páscoa. Jesus, com sua morte e ressurreição liberta a humanidade da escravidão do pecado. Essa libertação continua acontecendo no mistério da sua igreja. É a formação de um novo Israel ou o povo da Nova Aliança sobre o qual o Espírito Santo derrama seus dons para que haja diálogo, serviço mútuo e compromisso com a missão de Jesus no perdão dos pecados!

Leia MaisO que é o Pentecostes?Um minuto com Maria - PentecostesPentecostes: características e simbolismoPentecostes: "Onde parece haver divisão, o Espírito Santo traz a união" A 1ª leitura deste domingo é dos At 2,1-11. O evangelista Lucas escreveu o livro dos Atos ou a obra dos apóstolos. Aqui, ele retoma como foco inspirador, o fato central da organização do povo israelita lá no Antigo Testamento, ou seja: a Aliança com Deus no Sinai. O povo todo reunido ao pé da montanha sentiu o poder do Senhor nos fenômenos da natureza: trovões, relâmpagos, tremor de terra, etc. Esses sinais inspiraram os apóstolos e discípulos na teofania da vinda do Espírito Santo: forte ventania, grande barulho, línguas de fogo, o ser ouvido e entendido por milhares de pessoas de linguagem diversa. Essa descrição retrata também, o nascimento e a universalidade da Igreja Católica. Movida pelo sopro (o vento) do Espírito, a Igreja dialoga com povos de línguas e culturas diversas. Significa que a Nova Aliança conquista o mundo e forma um novo povo sob uma nova lei: a do Espírito Santo dado por Jesus aos seus!

A 2ª leitura da missa é tirada da 1ª carta de Paulo aos Coríntios, capítulo 12. É um texto que condena a pretensão de se monopolizar a ação do Espírito Santo nos projetos e na vida das comunidades. Ou seja, o critério único que prova a legitimidade e o interesse do bem comum na Igreja, é sempre o reconhecimento da soberania de Jesus. Quem nos dá esse reconhecimento é a ação do Espírito Santo: os seus dons são diversos e os ministérios da comunidade e todas as atividades apontam sempre para a mesma fonte: o mesmo Espírito, o mesmo Senhor, o mesmo Deus. Por isso, deve haver o diálogo e a mútua complementação entre todas as pastorais, movimentos e serviços da comunidade!

 

Para que a Igreja também seja fiel, Jesus “sopra sobre ela, desde os primeiros discípulos, o poder do seu Espírito divino”: perdoar, reconciliar, libertar do medo, do desânimo, da falta de fé.

O Evangelho da festa de Pentecostes é texto de São João 20,19-23. Aqui se mostra o Senhor Jesus confiando à sua Igreja a missão que Ele levou até o fim com plena fidelidade! Para que a Igreja também seja fiel, Jesus “sopra sobre ela, desde os primeiros discípulos, o poder do seu Espírito divino”: perdoar, reconciliar, libertar do medo, do desânimo, da falta de fé.

Assim o Papa Francisco falou sobre Pentecostes: “Como naquele dia de Pentecostes, o Espírito Santo é derramado continuamente também hoje sobre a Igreja e sobre cada um de nós, para que abandonemos as nossas mediocridades e egoísmos e comuniquemos ao mundo inteiro o amor misericordioso do Senhor. Comunicar o amor misericordioso do Senhor: eis a nossa missão!” “Confiemo-nos à intercessão maternal de Maria Santíssima que estava presente como Mãe no meio dos discípulos no Cenáculo: é a mãe da Igreja, a mãe de Jesus que se tornou mãe da Igreja”. (L’Osservatore Romano, 28-05-2015, pg. 2).

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