Por Pe. Antonio Clayton Sant’Anna, C.Ss.R. Em Homilias Atualizada em 25 MAR 2020 - 09H35

A Anunciação do Senhor e a adesão total de Maria

Hoje nós recordamos o fato bíblico narrado no evangelho de São Lucas: a Anunciação do Senhor. Na liturgia, esta solenidade festiva interrompe o tom penitencial e austero da Quaresma.

É natural que a Igreja introduza no seu calendário um dia para nos lembrar, de modo específico, o anúncio da encarnação de Jesus Cristo no seio de Maria. A encarnação do Verbo eterno de Deus.

Shutterstock/Por Inspiring
Shutterstock/Por Inspiring


Aquela oração tradicional, muito difundida em todo o orbe católico, resume a narrativa bíblica da
revelação divina a Maria e a sua resposta com a decisão de submeter-se ao querer de Deus. É a oração do “Ângelus”: o Anjo do Senhor anunciou a Maria e ela concebeu do Espírito Santo.

Em centenas de cidades do Brasil há até hoje o costume de se rezar o “Anjo do Senhor” nos alto falantes na torre das Igrejas ou mesmo nas rádios onde se faz ainda uma reflexão diária.

A Anunciação marcou o início da Redenção de Jesus. O momento sublime em que Deus fez acontecer na História a sua graça de salvação, a intervenção maior do seu projeto de amor por nós. E Maria foi chamada a ser parceira no diálogo com Deus sobre a história da salvação. Diálogo que começara com a criação de Adão e Eva no jardim do Éden e, com Maria, chegou ao ponto máximo e decisivo. Por outro lado, Maria se fez uma perfeita oferenda da humanidade toda quando em seu seio puríssimo o Espírito Santo de Deus gerou a carne humana do seu Verbo.

Na pessoa de Maria, nos foi dado conhecer o lado humano do mistério divino da Encarnação. Por isso se fala que Maria é o rosto materno de Deus. Estamos nos albores do 3º milênio da história cristã e é bom lembrar que o seu início foi a gravidez da Virgem. Gravidez que aconteceu diretamente pela “força do Altíssimo” (Lc 1,35).

São Paulo, nas suas cartas, escreve que ao se encarnar, Jesus aceitou nossa condição humana com toda a sua miséria. Mas Jesus Cristo não se identifica com a realidade humana pecadora; ele a supera e transcende. Ele pré existia na glória eterna do mistério de Deus. O Verbo que se fez carne no tempo da história existia desde toda a eternidade.

shutterstock
shutterstock


Quando
Maria se tornou ciente, no mais profundo do seu íntimo, do projeto divino da Encarnação foi envolvida por ele. O Evangelho de Lucas nos conta isso na forma de uma aparição de um mensageiro de Deus, o anjo Gabriel. Solicitada a participar, Maria deu sua adesão total: Eis a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra. E aí se tornou a nova Eva, ou a representante de toda a humanidade.

Lucas faz a catequese de uma revelação divina que explica o mistério de Jesus. Trata-se do fundamento da fé nele. Como aconteceu a sua concepção, qual a origem humana dele e qual a origem sobrenatural. O “sim” de Maria ajustando sua vida ao projeto de Deus é parte integrante dessa explicação teológico-catequética de Lucas. Ela nos deu um exemplo maravilhoso de disponibilidade a Deus. Sem a sua adesão de fé, sem o seu “faça-se em mim”, não teríamos Jesus.

A voz do anjo, que pode simbolizar aqui a revelação divina, saúda Maria com a expressão: “cheia de graça!” Graça na Bíblia significa aquilo que Deus é. Deus é a graça que se comunica. É a identidade mais profunda do seu ser. Se Maria é a “cheia dessa graça” ela é totalmente possuída por Deus por ter acolhido a oferta dele: Jesus.

Mas, segundo o texto, Maria perturbou-se com a saudação. O que significa isto? Segundo os estudiosos significa a preocupação interior da humilde Maria de Nazaré não entendendo todo o alcance daquele anúncio para a sua vida. A vontade de Deus parecia lhe trazer problemas. Foi tranquilizada a simplesmente aceitar o mistério do Salvador como o Filho do Altíssimo, pois o próprio Espírito de Deus a cobriria com seu poder. Dela nasceria um filho que não era só dela e não teria um pai carnal, mas seria o Filho do Altíssimo. Ela devia dar-lhe o nome de Jesus porque ele seria o Messias esperado como descendente de Davi. Jesus o salvador-messias, esperado por todos e também por ela, estava chegando a todos por meio dela. Ela não precisava temer nada, pois agradara a Deus e Ele a fizera cheia da sua graça.

Esta narrativa bíblica da Anunciação deve ser lida, meditada, rezada muitas e muitas vezes. Ela é a porta de entrada para a vida com o Senhor Jesus. Queremos repetir o sim obediente e confiante de Maria e com a sua ajuda viver a nossa fé em tantas e tantas situações que nos deixam temerosos, preocupados e perplexos. Por um “sim” tão curto e simples é possível entrar em cheio no mistério da graça salvadora de Cristo, vivendo as realidades da família, do trabalho e da vida em sociedade iluminando-as sempre com a oração.

check_circle Leia e medite com sua família - Anunciação do Senhor – Lc.1,26-38

Seja o primeiro a comentar

Os comentários e avaliações são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site.

0

Boleto

Reportar erro! Comunique-nos sobre qualquer erro de digitação, língua portuguesa, ou
de informação equivocada que você possa ter encontrado nesta página:

Por Pe. Antonio Clayton Sant’Anna, C.Ss.R., em Homilias

Obs.: Link e título da página são enviados automaticamente.