Por Pe. Antonio Clayton Sant ´Anna, C.Ss.R. Em Homilias Atualizada em 02 OUT 2017 - 13H30

Anunciação do Senhor

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Hoje nós recordamos o fato bíblico narrado no evangelho de São Lucas: a Anunciação do Senhor. Na liturgia esta solenidade festiva interrompe o tom penitencial e austero da Quaresma. É natural que a Igreja introduza no seu calendário um dia para nos lembrar de modo específico o anúncio da encarnação de Jesus Cristo no seio de Maria. A encarnação do Verbo eterno de Deus. Aquela oração tradicional muito difundida em todo o orbe católico resume a narrativa bíblica da revelação divina a Maria e a sua resposta com a decisão de submeter-se ao querer de Deus. É a oração do “Ângelus”: o Anjo do Senhor anunciou a Maria e ela concebeu do Espírito Santo. Em centenas de cidades do Brasil há até hoje o costume de se rezar o “Anjo do Senhor” nos alto falantes na torre das Igrejas ou mesmo nas rádios onde se faz ainda uma reflexão diária.

A Anunciação marcou o início da Redenção de Jesus. O momento sublime em que Deus fez acontecer na História a sua graça de salvação, a intervenção maior do seu projeto de amor por nós. E Maria foi chamada a ser parceira no diálogo com Deus sobre a história da salvação. Diálogo que começara com a criação de Adão e Eva no jardim do Éden e com Maria chegou ao ponto máximo e decisivo. Por outro lado, Maria se fez uma perfeita oferenda da humanidade toda quando em seu seio puríssimo o Espírito Santo de Deus gerou a carne humana do seu Verbo. Na pessoa de Maria nos foi dado conhecer o lado humano do mistério divino da Encarnação. Por isso se fala que Maria é o rosto materno de Deus. Estamos nos albores do 3º milênio da história cristã e é bom lembrar que o seu início foi a gravidez da Virgem. Gravidez que aconteceu diretamente pela “força do Altíssimo” (Lc.1,35), ou seja, sem nenhum concurso masculino. São Paulo nas suas cartas escreve que ao se encarnar Jesus aceitou nossa condição humana com toda a sua miséria. Mas Jesus Cristo não se identifica com a realidade humana pecadora, ele a supera e transcende. Ele pré existia na glória eterna do mistério de Deus. O Verbo que se fez carne no tempo da história existia desde toda a eternidade. Quando Maria se tornou ciente no mais profundo do seu íntimo do projeto divino da Encarnação foi envolvida por ele. O Evangelho de Lucas nos conta isso na forma de uma aparição de um mensageiro de Deus, o anjo Gabriel. Solicitada a participar, Maria deu sua adesão total: “Eis a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra”. E aí se tornou a nova Eva ou a representante de toda a humanidade. Leia a narrativa bíblica em: Lucas, 1, 26-38.

Lucas faz a catequese de uma revelação divina que explica o mistério de Jesus. Trata-se do fundamento da fé nele. Como aconteceu a sua concepção, qual a origem humana dele e qual a origem sobrenatural. O “sim” de Maria ajustando sua vida ao projeto de Deus é parte integrante dessa explicação teológico-catequética de Lucas. Ela nos deu um exemplo maravilhoso de disponibilidade a Deus. Sem a sua adesão de fé, sem o seu “faça-se em mim”, não teríamos Jesus.

A voz do anjo, que pode simbolizar aqui a revelação divina, saúda Maria com a expressão: “cheia de graça!” Graça na Bíblia significa aquilo que Deus é. Deus é a graça que se comunica. É a identidade mais profunda do seu ser. Se Maria é a “cheia dessa graça” ela é totalmente possuída por Deus por ter acolhido a oferta dele: Jesus.

Mas, segundo o texto, Maria perturbou-se com a saudação. O que significa isto? Segundo os estudiosos significa a preocupação interior da humilde Maria de Nazaré não entendendo todo o alcance daquele anúncio para a sua vida. A vontade de Deus parecia lhe trazer problemas. Foi tranqüilizada a simplesmente aceitar o mistério do Salvador como o Filho do Altíssimo, pois o próprio Espírito de Deus a cobriria com seu poder. Dela nasceria um filho que não era só dela e não teria um pai carnal, mas seria o Filho do Altíssimo. Ela devia dar-lhe o nome de Jesus porque ele seria o Messias esperado como descendente de Davi. Jesus o salvador-messias, esperado por todos e também por ela, estava chegando a todos por meio dela. Ela não precisava temer nada, pois agradara a Deus e Ele a fizera cheia da sua graça.

Esta narrativa bíblica da Anunciação deve ser lida, meditada, rezada muitas e muitas vezes. Ela é a porta de entrada para a vida com o Senhor Jesus. Queremos repetir o sim obediente e confiante de Maria e com a sua ajuda viver a nossa fé em tantas e tantas situações que nos deixam temerosos, preocupados e perplexos. Por um “sim” tão curto e simples é possível entrar em cheio no mistério da graça salvadora de Cristo, vivendo as realidades da família, do trabalho e da vida em sociedade iluminando-as sempre com a oração

Anunciação do Senhor – Lc.1,26-38

 

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