Por Academia Marial Em Palavra do Associado Atualizada em 18 MAR 2019 - 12H02

A Senhora, o sol e a vitória do povo de Deus

Portugal, Outubro de 1917. Na Cova da Iria, mais precisamente no dia 13 por volta do meio dia, em meio a uma chuva persistente, em torno de 70 mil peregrinos voltam o seu olhar para uma azinheira. Logo aparece Lúcia de Jesus, Jacinta Marto e Francisco Marto que dialogam com uma doce Senhora: era a Virgem Maria. Ela apresenta-se enfim, para eles, como a Senhora do Rosário e, ao mesmo tempo, reforça o convite para a conversão, afim de interromper as ofensas proferidas contra Deus. Nisso, abrindo suas mãos algo de extraordinário acontece: o sol começa a dançar diante da multidão. Era o tão esperado sinal pedido pelas crianças à Virgem Maria para que acreditassem que era ela que estava ali com eles. Ali, estava naquele momento, a Senhora do Rosário, o sol a dançar e o povo de Deus que se voltava ao mesmo Deus esperando vitória sobre seus males.


Papa Franscisco e Nossa Senhora de Fátima

A Senhora

Na célebre obra “Era uma Senhora mais brilhante que o sol” de Pe. João M. de Marchi, se lê na narração da última aparição a expressão clara da Virgem Maria para os três pastorinhos: “Eu sou a Senhora do Rosário”¹. Ela se reconheceu Senhora de um modo de oração que nasceu fruto da tradição do povo e que percorre os séculos. É a oração do povo cristão que, em prece a Deus, dirige-se à Virgem Maria, para que ela, em seu amor maternal, oferte flores que adornem o trono do Altíssimo. Saúdam-na com as palavras do Anjo e de Isabel (cf. Lc 1 ) e, ao mesmo tempo, expressam uma afirmação dogmática advinda do Concílio de Éfeso onde, em 431, reconhecem-na como Mãe de Deus, que roga pelos pecadores, agora, na hora da morte e os acolhe na eternidade.

Quando Maria, assume ser a “Senhora do Rosário”, assume ser verdadeira, não só a fé que se professa ao recitá-lo, mas, ao mesmo tempo, o seu ser Mãe do povo de Deus alcançado como herança por Cristo na Cruz (cf. Jo 19,27) pois, esta é uma oração que traz em si em cada conta, o povo que se volta ao seu Senhor,oferecendo a sua vida, sua história, seus passos, suas preces, dores e alegrias.

Ela assume, muito mais que um título, assume a graça que Deus a concedeu, através da Onipotência Suplicante, capaz de alcançar todos os filhos e filhas que, a Ela se dirigem por meio de singular oração. É a Senhora que caminha junto dos seus, a fim de leva-los a Jesus, como é o caráter da oração do Rosário, que em palavras ditas a Maria, mistagogicamente insere o fiel nos Mistérios do Senhor e Salvador Jesus Cristo, desde sua Encarnação, Morte, Ressurreição e a espera de sua vinda Gloriosa além, da esperança na participação das alegrias eternas.

Isso demonstra que todos estão juntos com Maria a dizer: “Vem Senhor Jesus” (cf. Ap 22, 17), no grande mistério da Igreja, sendo peregrina, padecente e triunfante. Maria quer que se trilhe bem esses passos, edificando a Igreja do Senhor, por isso, ela pede que se “construa uma Igreja”. Muito mais que todo o complexo da Cova da Iria, a Igreja pedida através de tal manifestação, é a edificada na vida do povo em todos os rincões do mundo, onde a mensagem de Fátima alcançou.

Além disso, para ser verdadeiramente Igreja, Corpo Místico de Cristo (cf. I Cor 12,27) é preciso peregrinar em busca da santidade, aí necessita-se de conversão. Quando Maria dirige suas palavras aos pastorinhos num claro convite de conversão, ela renova o convite muitas vezes expresso na Sagrada Escritura. Quando ela diz que “é preciso que se emendem, que peçam perdão dos seus pecados”², nada mais é, que o convite à conversão encontrado sobretudo nos Evangelhos (cf. Mc 1,15; Mt 3, 2) pois, o Reino chegou e, precisa-se converter e viver a Boa Nova.

Agora pois, todos são convidados pelo Senhor, através da Virgem Maria, a retornar para Ele, renunciando tantos ídolos e tantas práticas que não condizem com sua vontade (cf. Ez 14, 6). Quando ainda diz “Não ofendam mais a Deus Nosso Senhor que já está muito ofendido”³, Maria repete o mesmo convite feito outrora ao povo de Deus, para que busquem o perdão dos pecados e se convertam da sua má conduta (Jr 36,7) em um abandono dos caminhos errados de injustiças e guerras, voltando-se ao Senhor afim, de viver segundo a Sua vontade (Is 55, 6-9). Esse convite ainda vem em profunda sintonia com o Apostolo Paulo que nos diz: “Reconciliai-vos com Deus” (2 Cor 5,20).

Agencia Ecclesia - DR
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Fátima - Milagre do Sol

O sol

Tais elementos encontrados na Aparição de Outubro de 1917 são marcantes, mas, um se destaca: o sol que se pôs a dançar. A primeira pergunta é: Porque um sinal no sol? Com tantas possibilidades de sinais, porque o sol? O sol foi tido e cultuado muitas vezes como um ídolo, por diferentes povos e suas culturas, mas, tal concepção fora superada pela tradição cristã, que ao olhar para tal astro, obra da criação do Senhor, lembra-se do sol que nunca se apaga: Jesus Cristo! Maria cumpre o seu papel e nos aponta para o Verdadeiro Sol Invicto que é Cristo Jesus. É por isso, que os três pastorinhos mergulhados nesse grande mistério, não se atêm ao sol mas, à imagem do Senhor Jesus que a eles se revela e abençoa diversas vezes o povo.

O Interessante é que o sol se põe a dançar, se põe a bailar diante da Senhora mais brilhante que ele. Quando o sol dança, ele lembra quem é que está ali diante de todos: a Arca da Aliança, Aquela que trouxe o Senhor! Se outrora Davi dançou diante da Arca da Aliança (2 Sm 6, 9.14) e também João no ventre de Isabel (cf. Lc 1,41-43) confirmando ser Maria a Nova Arca da Aliança, agora são os Pastorinhos e todos os presentes que vendo o sol dançar poderiam mesmo ter exclamado: “Como podemos merecer que Mãe do nosso Senhor nos tenha vindo visitar? ”

A vitória do povo de Deus

Naquele momento, portanto, quando o sol dança, ele reafirma que Maria é a Arca da Aliança Naquele momento, portanto, quando o sol dança, ele reafirma que Maria é a Arca da Aliança! A Arca da Aliança no Primeiro Testamento trazia em si a presença de Deus, no Segundo Testamento a Arca da Aliança Maria, traz Deus dentro de si mesma, gerando-o no seu ventre. Nessa lógica, pode-se afirmar que Maria não estava ali sozinha! Deus mesmo se fez presente em todo o acontecimento na Cova da Iria! Porque a Arca por si só é Arca, mas, com a presença do Senhor, ela é a Arca da Aliança!

Maria, é a Arca da Aliança que oferece novamente o Senhor em sua visita na Cova da Iria. Tudo é envolvido por esse Divino Mistério, que esparja sua luz sobre todos! Como a luz do sol que alcançava desde o solo, os arbustos ou mesmo as pessoas, agora a criação volta-se para o seu Senhor e se prostra de joelhos diante de sua infinita misericórdia (cf.Fl 2, 10).

Por fim, Maria abrindo as suas mãos, lembra Moisés na batalha de Israel contra Amalec no livro do Êxodo (cf. Ex 17,11-12) e, do modo como aconteceu outrora, as mãos permanecem levantadas suplicando por todos, a fim de que, seja alcançada a vitória sobre o mal. E, com suas mãos refletidas no sol, Maria é a profetisa da esperança que nos lidera e, como Josué (cf.Js 10,12) se volta para o sol e garante o seu controle, a fim de que o povo de Deus alcance a vitória contra o inimigo. Ela dá a certeza assim, de que se está em constante batalha contra o mal, mas, venceremos, por intermédio do seu Imaculado Coração!

Silas Oliveira
Postulante Rogacionista
Associado da Academia Marial

__________________________________
¹DE MARCHI, João M.; IMC, Era uma Senhora mais brilhante que o sol, Fátima, Editora Missões Consolata, 1966. 
²Ibdem
³Ibdem

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