Por Academia Marial Em Palavra do Associado Atualizada em 10 JUL 2020 - 11H58

Nossa Senhora de Copacabana – A Virgem do Lago Titicaca

Beto Leite
Beto Leite
Nossa Senhora de Copacabana

Título Oficial: Nossa Senhora das Candeias de Copacabana

Padroeira: Bolívia

Festa: 02 de Fevereiro

Considerado o lago mais alto do mundo e o segundo maior da América do Sul, o Titicaca, esta localizado nas montanhas dos Andes na fronteira entre o Peru e a Bolívia. O Titicaca fica entre cordilheiras andinas numa vasta bacia que compõe a maior parte do Altiplano dos Andes centrais¹. No lago, no seu terço inferior ao sul, uma grande porção de terra avança no seu interior até quase estrangulá-lo, quase que dividindo-o em duas partes, formando duas áreas chamadas de Lago Chucuito e lago de Huiñaymarca unidos pelo estreito de Tiquina, este com menos de 2 km de largura. Esta é a chamada “Península de Copacabana”². Localizada a 3 841 metros acima do nível do mar, distante 155 quilômetros da cidade de La Paz, esta o berço da fé mariana da Bolívia, a cidade de Copacabana.

Em 1530 desembarcaram no Peru os primeiros missionários católicos acompanhando as tropas espanholas que, sob as ordens de Francisco Pizarro, exploraram e conquistaram aquele vasto império. Tradições muito antigas afirmam que Copacabana foi um dos primeiros povoados que receberam o benefício da pregação evangélica. Diz a tradição também que entre os convertidos de Copacabana havia alguns tão zelosos que tudo faziam para que seus compatriotas abraçassem a religião de Jesus Cristo, deixando para sempre o paganismo³. Entre os convertidos se encontrava Dom Francisco Tito Yupanqui que era descendente da nobreza indígena. Nascido no que se chamava Khota Kawana (Mirador del Lago), ele era filho de Tola e Francisco Tito Yupanqui e veio de uma família que já conversava com o catolicismo e, no entanto, mantinha muitas das crenças aimarás4. Ele procurou também converter ao cristianismo seus familiares. Para isso, fez um voto de adquirir uma imagem de Nossa Senhora, pedindo que ela alcançasse tal graça, para ele importantíssima5Mas como levar a cabo o projeto de conseguir uma imagem da Virgem Santa? Os Peruanos tinham o saber na técnica de trabalhar os metais em especial o Ouro, mas não existia nenhum escultor ou desenhista que pudesse realizar tão prodigioso trabalho de confeccionar uma escultura ou gravura da Mãe de Deus. Compreendendo o devoto peruano as dificuldades de seu projeto, não cessava de pedir à Virgem Maria que lhe inspirasse o modo de leva-lo a efeito. Um dia, pareceu-lhe ver seu quarto iluminado por uma luz vivíssima, e no meio dessa luz uma senhora de doce e grave aspecto, coberta com um largo manto, que caía em numerosas pregas até cobrir a orla do vestido. No braço esquerdo sustinha um Menino, cuja cabecinha se reclinava no seio da senhora, e na mão direita tinha uma vela. Yupanqui não duvidou que a Senhora fosse a Virgem Imaculada e que lhe apareceu para indicar-lhe a maneira como queria ser representada (...)6.

No entendimento de Francisco Tito Yupanqui a Virgem Maria desejava ser representada como a Senhora das Candeias. Sem habilidade para esculpir, mesmo assim pôs mãos à obra, já que não havia escultor habilitado por toda a região. Era lógico, pois, que o resultado fosse insatisfatório. A imagem que ele formou não demonstrava as feições delicadas que vira no sonho, nem inspirava a devoção7. No entanto, o padre Antonio de Almeida, pastor da época, colocou a imagem em um lado do altar. Ao sair da cidade de Copacabana, o novo pastor, padre Antonio Montoro, viu a imagem da Virgem desajeitada, áspera e sem proporções; então ele a pegou do altar e a colocou em um canto da sacristia8. Muito triste diante deste fato, Dom Francisco Tito Yupanqui, decide ir a Potosí para aprender com os mestres em esculturas de imagens sagradas que lá residiam à arte de esculpir. Em Potosí, Tito Yupanqui, ingressou na oficina do espanhol Diego Ortiz e no dia 4 de junho de 1582 começou a sua imagem para conseguir esculpi-la como desejava. Com jejuns e orações fervorosas pedia à Virgem Santíssima que o ajudasse. Porém, apesar de aplicar todos os recursos de sua inteligência para que saísse com as formosas feições da visão que tinha tido, o resultado foi uma imagem imperfeitíssima, que nem de longe se assemelhava ao original. Mesmo assim, não tardou a divulgar-se em Potosí e seus arredores que o nobre Francisco T. Yupanqui tinha esculpido uma imagem da Virgem9. Porém, como narra uma lenda, aconteceu que, em 1582, um inusitado frio assolou toda a região e ameaçava destruir a safra. Os gêneros de primeira necessidade iriam faltar. A população antevia grande desgraça para o povoado. Estava muito distante e sem condições de comunicação com os grandes centros populacionais. A comunidade local, então, propôs que fossem feitas procissões e preces públicas implorando a ajuda celeste para impedir a irreparável desgraça10.

Diante dos fatos concebeu-se a ideia de fundar uma confraria em honra da Virgem da Candelária. Ideia aceita por muitos e rejeitada por vários. A rejeição se dava por já haver uma confraria em honra de São Sebastião. Um piedoso devoto da Virgem Maria de nome Afonso Viracocha, que era residente de Copacabana e a favor da criação da Confraria de Nossa Senhora das Candeias sabendo que Yupanqui tinha esculpido uma Virgem da Candelária decide ir a Potosí e pedir que cedesse a mesma Virgem para a confraria. Yupanqui cedeu de bom grado a imagem mesmo sabendo de suas imperfeições. Afonso apresentou ao prelado um memorial em regras juntamente com a imagem da Candelária de Yupanqui. O bispo ao olhar a imagem e ver suas imperfeições artísticas rejeitou a petição da criação da confraria informando que aquela imagem seria motivo de críticas e zombarias. O piedoso Yupanqui ficou consternado ao certificar-se de que a Virgem não podia ser honrada por causa de sua pouca habilidade. Mas não desanimou e, confiante, resolveu fazer doce violência ao Coração de Maria com novos jejuns e orações, a fim de que aceitasse corrigir seu trabalho, e, não satisfeito com isso regressou a Potosí, com a ideia de ir a La Paz para experimentar lá a reforma da imagem. Procurou compatriotas seus que se encontravam em Potosí, e eles o ajudaram a levar aos ombros, bem condicionada, sua imagem. Porém ao desembrulha-la para tê-la pronta quando chegasse ao dourador com quem tinha falado, pedindo-lhe que fornecesse o ouro necessário para dourá-la e deixá-la perfeita, teve a grande tristeza (...)11. Quando o dourador a recebeu e abriu a caixa, encontrou-a prejudicada e com avarias, mas verificou, por outro lado, que era de uma beleza extraordinária, de majestade imponente. Sua aparência, nobre. As feições e olhos meigos inspiravam devoção, infundiam respeito e confiança. Comoviam a alma e os corações mais endurecidos. Diante dessa maravilhosa transformação, brotou a piedosa lenda de que dois anjos retocaram a imagem, imprimindo nela uma singular beleza, sobretudo nos rostos da Mãe e de seu filho Jesus12. Em 2 de fevereiro de 1583, a Virgem da Candelária (de Yupanqui) fez sua entrada solene, no meio de regozijo público, no povoado de Copacabana, e foi colocada em modesta capela, que com o correr dos anos devia transformar-se em um dos Santuários mais celebres da cristandade à margem do lago Titicaca, onde é venerada ainda hoje sob o titulo de Nossa Senhora de Copacabana13. Em 2 de agosto de 1925 Nossa Senhora de Copacabana foi proclamada padroeira da nação boliviana. Sua devoção superou fronteiras e hoje encontram-se igrejas a ela dedicadas em várias partes do mundo, inclusive no Brasil14.

Vinícius Aparecido de Lima Oliveira
Associado da Academia Marial de Aparecida

Referências:

1. Lago Titicaca I Britannica Escola - https://escola.britannica.com.br/artigo/lago-Titicaca/483592

2. A origem de Copacabana I Copacabana em foco - https://ama2345decopacabana.wordpress.com/as-lendas-e-os-mitos-de-nossa-de-senhora-de-copacabana/

3. ADUCCI, Edésia – Maria e seus títulos gloriosos / Nossa Senhora de Copacabana (pagina 242) – 3° edição – Edições Loyola.

4. WIKIPEDIA, La enciclopedia libre – Francisco Tito Yupanqui - https://es.wikipedia.org/wiki/Francisco_Tito_Yupanqui

5. BERALDI, Roque Vicente – 101 títulos de Nossa Senhora na devoção popular / Roque Vicente Beraldi – São Paulo: Editora Ave Maria, 2012 - Nossa Senhora de Copacabana (pagina 159).

6. ADUCCI, Edésia – Maria e seus títulos gloriosos / Nossa Senhora de Copacabana (pagina 243) – 3° edição – Edições Loyola.

7. BERALDI, Roque Vicente – 101 títulos de Nossa Senhora na devoção popular / Roque Vicente Beraldi – São Paulo: Editora Ave Maria, 2012 - Nossa Senhora de Copacabana (pagina 159).

8. Prensa CELAM IGLESIA EN SALIDA, MISIONERA Y SINODAL - Peregrinacion virtual virgen de Copacabana patrona de bolivia - https://prensacelam.org/2020/05/19/peregrinacion-virtual-virgen-de-copacabana-patrona-de-bolivia/

9. ADUCCI, Edésia – Maria e seus títulos gloriosos / Nossa Senhora de Copacabana (pagina 143) – 3° edição – Edições Loyola.

10. BERALDI, Roque Vicente – 101 títulos de Nossa Senhora na devoção popular / Roque Vicente Beraldi – São Paulo: Editora Ave Maria, 2012 - Nossa Senhora de Copacabana (pagina 160).

11. ADUCCI, Edésia – Maria e seus títulos gloriosos / Nossa Senhora de Copacabana (pagina 244) – 3° edição – Edições Loyola.

12. BERALDI, Roque Vicente – 101 títulos de Nossa Senhora na devoção popular / Roque Vicente Beraldi – São Paulo: Editora Ave Maria, 2012 - Nossa Senhora de Copacabana (pagina 160).

13. ADUCCI, Edésia – Maria e seus títulos gloriosos / Nossa Senhora de Copacabana (pagina 245) – 3° edição – Edições Loyola.

14. Academia Marial de Aparecida (AMA) – A12.com – Títulos de Nossa Senhora – Nossa Senhora de Copacabana - https://www.a12.com/academia/titulos-de-nossa-senhora?s=nossa-senhora-de-copacabana

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