Por Luciana Gianesini Em Assembleia Geral CNBB Atualizada em 10 MAI 2019 - 14H54

Dom Amilton e Laura Galvão: 'Christus Vivit' e as urgências da Juventude

No sexto dia de Redação ao vivo especial para a 57ª Assembleia Geral da CNBB,  o tema foi a juventude. Eduardo Gois recebeu Laura Galvão, do Jovens de Maria, e Dom Amilton Manoel da Silva, bispo auxiliar de Curitiba e que foi um dos bispos a participar das Catequeses na Jornada Mundial da Juventude (JMJ) no Panamá, em janeiro deste ano, para falar sobre a Exortação Apostólica Christus Vivit, bem como das urgências da Igreja para Juventude.

O bate-papo começou com Laura comentando sobre a importância de se entender aquilo que a Igreja fala para a juventude, destacando a relevância da Christus Vivit, um profundo e amplo trabalho do Papa Francisco, no sentido de ser mais um passo dado nesse cuidado especial para com a juventude católica no mundo todo.

Na sequência, Dom Amilton afirmou que a juventude sempre deve estar no centro das atenções da Igreja, assim como Jesus convidou o jovem: “Vem para o meio” (Marcos 3, 3b). Depois do Concílio Vaticano II, de modo ainda mais especial. São João Paulo II, em seu pontificado, quando lançou as JMJs, teve esse olhar mais direto para o jovem. Agora, o Papa Francisco trabalha na continuidade. "A sociedade que não olha com carinho para a juventude é uma sociedade que envelhece sem perspectivas", observou.

O bispo auxiliar de Curitiba ainda afirmou que "a Igreja nunca deixará de olhar para a juventude com um olhar especial. É o momento de uma igreja jovem".

Gustavo Cabral
Gustavo Cabral


Laura Galvão
, em seguida, partilhou um pouco de sua percepção sobre como é produzir conteúdo jovem para a Igreja. "É sempre um desafio, mas os muitos feedbacks e testemunhos que recebemos validam o nosso trabalho. Retomando a Christus Vivit, acredito que a Igreja não deve trabalhar com receitas prontas, mas sentar junto com esses jovens, ouvir, acolher, estabelecer um diálogo. Nesse mundo de hoje, em meio a tanta informação, às vezes até a gente se perde. Então, é fundamental chamar pra perto, estabelecer esse diálogo, sentar e conversar. E, graças a Deus, muitos jovens têm bebido dessa fonte, dessa presença de Deus e de Nossa Senhora Aparecida aqui", testemunhou.

Laura completou dizendo que, quando se vai ao encontro do jovem, o feedback é sempre positivo, tal como pôde ser observado na Romaria da Juventude, realizada recentemente no Santuário Nacional. "A juventude vem e participa de corpo e alma, porque se sente identificada com o projeto da Igreja", afirmou.

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Na sequência, D. Amilton fez considerações a respeito de situações desafiadoras enfrentadas pela juventude nos tempos atuais, tais como o bullying e o suicídio, questões que considera serem de primordial atenção por parte das famílias e da sociedade como um todo. "É um contexto social muito agitado, de perda de sentido, de cobranças... Nós vivemos numa sociedade onde você vale por aquilo que produz. Se você se depara com improdutividade e desvalorização, isso se internaliza em sentimentos e emoções negativas. O papa, na Evangelii gaudium, fala dessa tristeza, do consumismo como fuga, onde o 'ter' é mais importante que o 'ser'. Por isso, nós precisamos nos redescobrir".

Dom Amilton também falou sobre a Christus Vivit que, como resultado pós-sinodal com a juventude, assim como tudo o que se falou na Jornada Mundial da Juventude (JMJ) deste ano no Panamá, busca ser um documento de motivação para o jovem. Aborda desemprego, falta de vagas em universidades e outros temas. "O jovem não pode deixar de sonhar. É importante se sentir caminhando. É importante se sentir peregrino, como na JMJ. Lá, o jovem até se cansava de caminhar, mas ao mesmo tempo, era uma metodologia. A estrada continua e existe um horizonte. Se você pára, deixa de acreditar no futuro e isso traz consequências desastrosas, para o jovem e para o ser humano em geral. Vale a pena ler, passar a olhar seus problemas como não sendo os únicos", indicou ele.

Respondendo sobre como manter o jovem na igreja, Dom Amilton disse não haver fórmula. "Várias igrejas têm tido iniciativas bonitas, como formar uma perspectiva de grupos de jovens nas paróquias e comunidades, assim como os movimentos, que fomentam a sua dimensão pastoral juvenil. Mas isso deve ser feito como se ele fosse sentindo o desejo de continuar participando, não como conteúdos que se encerram. Devem sentir que continuarão a se reunir, para debater temas que interessam a eles".

Outra inciativa proposta por Dom Amilton são os retiros e os acampamentos onde se apresenta a beleza de ser e viver como Igreja, em comunidade. "Nesses encontros, você terá muitos ombros, gente pra te escutar, pra você partilhar angústias, dúvidas, para não se isolar. E então, você vai se acostumando - de forma positiva, claro - a essa vida comunitária". Ele afirma que isso contribui, mas não existe formula pronta. "É importante cativar. O Papa Francisco cita Dom Oscar Romero, dizendo que 'o cristianismo não é uma junção de proibições. É pra você viver livre, na Lei maior que é o Amor'. Resgatar a arte, a poesia, o teatro... é por aí. A igreja necessita dessa jovialidade para continuar com coração jovem", sugeriu.

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Ainda sobre a questão do acolhimento do jovem na Igreja, Laura Galvão destacou que é importante é promover iniciativas para que ele tenha um lugar. "A igreja precisa ser lar; o jovem precisa encontrar casa na igreja. Uma casa em que ele se sinta bem, sendo jovem, sendo quem ele é", ponderou. Ela e Dom Amilton também observam que padres e catequistas precisam estimular grupos de jovens pós-crisma. Nesta fase, a maioria são adolescentes. Então, a acolhida não é só dizer que eles têm espaço, mas deve ser feita numa linguagem atenta a essa fase de transição. Nesse sentido, Dom Amilton indicou o conteúdo dos subsídios do site Jovens Conectados, a dimensão jovem da CNBB. "Linguagem, proximidade, escuta, discernimento são palavras-chave para esse público", destacou.

Laura completou dizendo que "o jovem, em geral, é a melhor pessoa para falar com o jovem. Dom Gilson, em uma de suas falas aqui na 57ª AG, disse: 'Que nada seja feito para os jovens, sem os jovens'". Dom Amilton ainda aponta que "é preciso analisar as iniciativas que já acontecem e ver aquilo que está dando certo e, a partir disso, pensar em novas iniciativas. Aí facilita esse diálogo e essa evangelização", observou.

A respeito do Sínodo, Laura disse que é algo que responde a muitas expectativas dos jovens, inclusive porque o pré-sínodo ouviu muitos jovens que, naquela oportunidade, disseram o que estavam esperando. Nesse sentido, ela lembrou do infográfico produzido pelo Jovens de Maria em 2018, chamado "Essa é a Juventude do Papa", que ouviu jovens de todos os continentes, onde eles partilharam suas expectativas para o Sínodo.

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Dom Amilton então lembrou a importância do resgate da sinodalidade, que é o caminhar juntos, escutar. "É preciso olhar para o que temos em nossas comunidades e caminhar juntos. Estamos juntos porque a pessoa de Jesus, o encontro com Jesus, morto e depois ressuscitado, transforma a minha vida. É a experiência querigmática do encontro com Cristo. É uma alegria que precisa ser compartilhada, pois é nela que se dá a evangelização", pontuou.

Destacando novamente a Christus Vivit, Dom Amilton ainda lembrou das três verdades apresentadas no capítulo 4 do documento: Cristo ama, Cristo salva e Cristo vive. "Cristo ama, tal como Deus ama. Sou amado por Deus e devo sentir e ter certeza disso. Cristo salva, olha para meus pecados, dos quais me arrependo e abro meu coração, pois tenho certeza de que ele está ali para me banhar em Sua misericórdia. Cristo vive, não é coisa do passado. É pessoa, não ideia. Não é apenas fonte de inspiração. A pessoa de Cristo é alguém com quem eu me relaciono diretamente. Ele age em minha vida e quero agir com Ele, por Ele e n'Ele, como rezamos na Doxologia da Missa. Cristo deve ser uma experiência constante na vida do jovem e de todos nós", acrescentou. 

Por fim, o bispo fez um balanço de sua participação na 57ª AG da CNBB: "Esta assembleia é a segunda da qual eu participo e é sempre uma experiência nova. Neste ano, a característica principal são as novas diretrizes, numa nova roupagem. As novidades são os pilares da casa-igreja: pão, palavra, liturgia, compromisso, solidariedade. Temos muitos capítulos direcionados para o jovem, em seu protagonismo eclesial e social; é importante ler e conhecer. E também destaco a nova presidência, pois temos bispos muito contribuintes, com grandes motivações".

Laura também falou sobre o momento especial para a juventude nesta Assembleia Geral, onde três bispos falaram especificamente sobre o Sínodo da juventude, sobre a Christus Vivit e sobre a JMJ, provocando os demais para não cruzarem os braços diante da juventude: "É o momento do jovem ser motivado, mas padres e bispos precisam estar abertos e motivados primeiro", disse. Ela também lembrou da expectativa para a indicação da nova presidência da Comissão para a Juventude da CNBB, que até esta quarta-feira (08) ainda não havia sido divulgada.

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Como mensagem final, Dom Amilton disse: "Que os jovens continuem a acreditar que sua história tem sentido nesse mundo e sua vida é muito importante. Tem muita gente que te ama e aposta em você. Não deixe que isso seja peso de cobrança. Vá se descobrindo. 'Conheça-te, acolha-te e supera-te', como nos diz Santo Agostinho. Somos humanos, não existe perfeição. Existe busca de acertar, de santidade. Para crescer, não se ache já vencido. Você está em crescimento, não deixe se tender aos extremos. Precisamos dialogar, escutar e respeitar. Tem coisa para somarmos. Você está aqui com uma missão especial. Com o vigor do Cristo, com certeza seu futuro será bonito. Se aproxime, busque testemunhar sua alegria, algo q está dentro de você. Deus está com você, Cristo vive! Deus te ama, Deus te salva e Deus te faz livre e feliz!".

Confira a íntegra da entrevista no vídeo abaixo.


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