Por Redação A12 Em Redação A12 Atualizada em 03 JUN 2019 - 12H52

Padre Pedro Cunha fala sobre o Papa Francisco, suas lições e humanidades

Tema do Redação A12 ao vivo destaca o diferenciado pontificado do papa argentino

Hoje o Padre Pedro Cunha é quem participa do Redação A12 ao vivo, para falar do nosso querido Papa Francisco, suas lições e humanidades.

Eduardo Gois iniciou o bate-papo comentando a viagem apostólica do Papa Francisco à Romênia, um país do leste europeu de tradição ortodoxa. Padre Pedro diz que a pessoa do Papa Francisco é 'muito fácil de ser gostada', por sua transparência e simplicidade e que diferenças de credo não são um obstáculo para ele. O padre também diz que é muito difícil defini-lo, devido às suas muitas características: humano, bem resolvido, equilibrado, sabe se colocar no seu lugar. Ele considera que, de fato, Francisco é uma expressão viva do Bom Pastor, Jesus Cristo. Ele consegue fazer com que esse pastoreio chegue às suas ovelhas.

Ele também afirma que se percebe no Papa um coração totalmente aberto, a qualquer pessoa, quando ela chegar. "Sempre preocupado com o bem-estar do outro e do mundo, principalmente com os pobres e os mais pobres ainda. Poderia ficar com tranquilidade, até amanhã citando características dele. Ele pauta sua vida, suas palavras, sua doutrina e seu pastoreio no Evangelho. E como ele consegue transmitir as verdades do Evangelho de maneira compreensível e acessível a qualquer pessoa! Essa é uma característica extraordinária dele. Nisso, o Papa Francisco segue a Jesus Cristo de uma maneira muito interessante", diz.

Renan Ventura
Renan Ventura


O A12 selecionou as últimas notícias divulgadas sobre o Santo Padre, para que o sacerdote comente suas impressões a respeito deste pontificado tão diferenciado do jesuíta argentino.

:: 1. Carta acusa Papa Francisco de cometer heresias

Padre Pedro considera que essas acusações mereciam um processo, pois são absurdas. "Esse povo não escuta o papa, não lê o que ele escreve?", exclama. Ele diz que não dá pra levar a sério essas pessoas, mas lamenta que o Papa Francisco talvez chegue ao tribunal e, tal como a Jesus, alguém deverá perguntar "de que te acusam?" (cf. Mc 14, 60). "Quem o acusa deve se perguntar em que ele se opõe ao Evangelho. É dever dele acolher a quem quer que seja. Ele deve dar a sua vida por toda pessoa humana e essa é a verdade do Evangelho", destaca.

O padre diz que é difícil compreender as motivações de tais acusações, mas destaca que estamos diante de uma intolerância crescente e de um ódio reinante, principalmente nas redes sociais: "As pessoas leem somente as manchetes e já partem para o julgamento. A gente deveria se reposicionar diante disso". Ele diz que não é somente um admirador, mas um rezador por Francisco, desde a visita do Pontífice a Aparecida, em 2013. "Mas não somente como sacerdote, no momento da Oração Eucarística da missa", salienta. Padre Pedro ressalta que reza a ele como pessoa que é, pois o considera um refrigério para todos os católicos. "O Papa não é um homem só de palavras, mas de gestos, atitudes e falas", diz.

:: 2. Papa Francisco diz que 'descartar comida é descartar pessoas'

Padre Pedro diz que, para quem passa fome, quem joga comida fora faz, sim, jogar a elas próprias fora. Aconselha que, se sobra comida em casa, deve-se procurar partilhar, porque existem pobres em todos os lugares e o Papa Francisco tem muita propriedade para falar sobre isso, pois conhece essas realidades de perto e, em sua atuação apostólica, sempre procura estar em contato com os mais pobres e necessitados

:: 3. Papa Francisco publica novas normas para quem comete ou encobre abusos sexuais

O padre destaca que, até então, isto não estava normatizado, embora seja o mínimo que se espera. Ou seja, agora, a não observância destas normas incorre em sanções diretas a quem comete tais abusos. Primeiro, é necessário que o bispo, ao tomar ciência de algum fato semelhante, deve tomar providências instantâneas. Para isso, deve constituir uma comissão que o auxilie na apuração e comprovação dos fatos. E estas providências devem ser não somente eclesiásticas, mas também civis. Ele salienta que, na Igreja, as coisas precisam ser muito bem elaboradas, porque é para o mundo inteiro e, por isso, talvez alguns considerem que as coisas se demorem. Porém, não se pode mais dizer que nada está sendo feito, porque está.

Shutterstock
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Papa Francisco tem se destacado por seus gestos de simplicidade e proximidade com o povo


:: 4. Papa diz que bispo não pode ser um príncipe

"Não pode mesmo, uai!", exclama Padre Pedro. "Bispo é bispo, não deveria se portar como príncipe, mas sim como pastor. O Papa Francisco diz que o bispo, como pastor, deve ter o cheiro de suas ovelhas. Quem fica apenas no seu palácio, não tem esse cheiro, pois não se mistura com elas", diz. "E nós hoje temos belos exemplos de bispos pastores de fato. Mas, infelizmente, aqui e acolá, temos alguns bispos-príncipes, que vivem em função do poder, do status, etc., o que é uma pena, pois estas pessoas não são muito felizes...", pondera.

Ele diz que seria maravilhoso "que todo bispo fosse bispo, fosse pastor". O sacerdote diz ter orgulho de conhecer alguns destes bons exemplos e de escutar falar sobre outros que ainda não conhece, mas que deixam boas impressões sobre suas ovelhas, que lhe contam quando vão visitar o Santuário de Santa Cabeça, em Lorena (SP), onde o sacerdote atua. Padre Pedro também afirma que o Papa Francisco foi um dos únicos papas a ter a coragem de falar sobre isso, porque as pessoas precisam ouvir para modificar a própria vida. "As pessoas, se não tomam cuidado, acostumam-se. Ao chamar a atenção para estas coisas, o Papa ajuda os bispos a manterem os pés no chão", pondera.

:: 5. 'É um escândalo ir à Igreja e odiar os outros', diz Papa Francisco

"Se supõe que quem vai à Igreja, vai se encontra com Cristo, com os outros e consigo. Então, me pergunto, o que uma pessoa vai fazer na Igreja se ela odeia seu irmão? Como ela vai se relacionar com Cristo, sabendo que Ele se faz presente naquela pessoa que ela odeia? Isso, de fato, é um escândalo, mas não só pros outros", diz o padre.

"Em primeiro lugar, é um escândalo pra nós mesmos, chegar ao ponto de que, na nossa conversa com Cristo, na Igreja, a gente não se lembre que, lá fora, a gente odiou a Ele no nosso irmão lá fora. Não tem jeito de odiar o irmão e dizer que ama a Cristo", acrescenta. Eduardo pontua que chega até a ser uma atitude de egoísmo, de querer Jesus só pra si e querer desconectar Cristo do seu próprio irmão. "Tudo o que fizeres ao menor dos meus, a mim o fareis" (cf. Mateus 25,40), cita o padre, concordando. 

Ele ainda diz que "existe uma problemática na vivência da real fraternidade", pois os relacionamentos podem machucar e, enquanto a ferida dói, é muito difícil amar a quem nos feriu. Entretanto, isso não deve nos levar ao ódio, mas sim a buscar ainda mais uma proximidade com Cristo, para curar estas feridas e restaurar as relações.

:: 6. Papa beija os pés de líderes do Sudão do Sul para pedir paz

Nesse gesto, Padre Pedro aponta que há dois grandes simbolismos. O primeiro é o da atitude, que diz às pessoas que a atitude de Cristo é esta, e não outra. "É pra vocês fazerem o mesmo uns com os outros", diz. A segunda mensagem é física. "Sabemos que ele tem uma saúde fragilizada pela idade, por ter somente um pulmão, por ter dificuldades em caminhar... O abaixar-se não é só isso, mas ele de fato vai ao chão. Ele sabe de sua condição física, mas a ultrapassa. Ele sofre fisicamente para ter aquela atitude, que é fundamental para que as pessoas entendam não só a sua palavra, mas o que está dentro dele, em seu coração", destaca.

Eduardo ainda considera que essa atitude também espera uma resposta. "Ele se dispôs a curvar-se, mas e nós, o que estamos dispostos a fazer pelos nossos irmãos?" Padre Pedro finaliza dizendo que o Papa mostra que pode dar a sua própria vida por aquele povo, e espera de nós o mesmo. "Ele é um profeta dos dias de hoje, com atitudes existenciais práticas extraordinárias", conclui.

Confira a entrevista, na íntegra, abaixo.


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