Na celebração da Epifania do Senhor, em 6 de janeiro, as mãos do Papa Leão XIV carregavam sua cruz pastoral em uma nova férula papal. Segundo o Departamento das Celebrações Litúrgicas do Vaticano, o novo objeto “se coloca em continuidade” com as férulas usadas por seus predecessores e expressa, de forma visual, o centro da fé cristã: o mistério pascal.
A nota oficial explica que a nova cruz não mostra Cristo derrotado pela morte. Pelo contrário, Ele aparece glorificado, no ato de subir ao Pai, ainda portando as chagas da Paixão.
“O mistério pascal, centro gravitacional do anúncio apostólico, torna-se assim motivo de esperança para a humanidade, porque a morte já não tem qualquer poder sobre o homem, uma vez que aquilo que Cristo assumiu, Ele também redimiu. Apresenta aos seus as chagas da cruz, como sinais luminosos de vitória que, embora não apaguem a dor humana, a transfiguram numa aurora de vida divina”.
Um dos erros mais comuns é chamar a férula de “báculo do Papa”. O próprio Vaticano corrige essa ideia. O Departamento das Celebrações Litúrgicas recorda que o báculo, símbolo do pastoreio e da jurisdição de um bispo sobre uma diocese, “nunca fez parte das insígnias próprias do romano Pontífice”.
Desde a Alta Idade Média, os papas usam outro tipo de bastão: a ferula pontificalis, com uma cruz na parte superior. Ela indica um poder que não se limita a um território, mas se estende a toda a Igreja.
Essa distinção já era clara para Santo Tomás de Aquino, que escreveu no Scriptum super Sententiis (Comentário sobre as Sentenças):
“O Romano Pontífice não faz uso do báculo […] esse também é um sinal de que não tem poder limitado, o que representa a curvatura do báculo.” (Super Sent., lib. 4 d. 24 q. 3 a. 3 ad 8).
Por isso, enquanto o bispo carrega um "cajado curvo", o Papa segura uma cruz reta.
Durante séculos, a férula não fazia parte da rotina litúrgica do Papa. Ela aparecia em momentos solenes, como na abertura da Porta Santa ou na dedicação de igrejas. Os pontífices a recebiam oficialmente quando tomavam posse de sua cátedra na Basílica de São João de Latrão.
A mudança veio em 1965. No encerramento do Concílio Vaticano II, São Paulo VI apareceu diante do mundo com uma férula inédita: uma cruz de prata com o Cristo crucificado, criada pelo escultor italiano Lello Scorzelli.
Ela traduzia o versículo que o Papa havia escolhido como programa espiritual: “Pois entre vós, não tive a pretensão de conhecer coisa alguma, a não ser Jesus Cristo e Jesus Cristo crucificado.” (1Cor 2,2). A partir daquele dia, a férula deixou de ser rara e passou a acompanhar o Papa nas grandes celebrações.
Foi com São João Paulo II que a férula de Scorzelli ganhou fama mundial. Ele a usou quase sempre, transformando aquela cruz de aparência austera em uma das imagens mais reconhecíveis de seu pontificado.
Bento XVI manteve a tradição por alguns anos, mas depois preferiu uma férula sem o corpo de Cristo, com o Cordeiro Pascal e o monograma de Jesus, para destacar a unidade entre cruz e Ressurreição.
Francisco, por sua vez, resgatou a férula de Paulo VI logo em 2013. Em uma viagem à Bósnia, ela chegou a se quebrar e foi provisoriamente reparada com fita adesiva prateada, antes de ser restaurada.
Leão XIV, ao usá-la na missa de início de seu pontificado e agora ao apresentar uma nova férula, reafirma essa linha de continuidade.
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Fonte: Vatican News/Ad Sacram
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