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Santo Padre

O que os Papas já falaram sobre intolerância religiosa?

Veja o que Papas como Francisco, Bento XVI, João Paulo II e Paulo VI disseram sobre intolerância religiosa e os desafios atuais da convivência entre a fé.

Escrito por Beatriz Nery

21 JAN 2026 - 14H08 (Atualizada em 21 JAN 2026 - 16H25)

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O Dia Mundial da Religião e o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, celebrado no Brasil em 21 de janeiro, faz um alerta para os católicos de todo o mundo. É visível a todos o quanto os conflitos, discursos de ódio e violência simbólica ou física abalam o mundo e, nesse contexto, a fé segue sendo usada, muitas vezes, para a divisão.

Ao longo das últimas décadas, os Papas têm sido firmes ao denunciar essa distorção. Suas palavras ajudam a entender onde estamos e o quanto ainda precisamos avançar.

Leão XIV: A fé nunca pode justificar a violência

Na sua primeira Viagem Apostólica, durante o Encontro Ecumênico de Oração em Istambul em novembro de 2025, o Papa Leão XIV criticou quem manipula a Palavra de Deus para legitimar guerras e agressões.

“A reconciliação é hoje um apelo que vem da inteira humanidade afligida por conflitos e violência. O desejo de plena comunhão entre todos os que creem em Jesus Cristo é sempre acompanhado pela busca da fraternidade entre todos os seres humanos”.

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Francisco: O diálogo como resposta ao ódio

Em novembro de 2024, o Papa Francisco retomou esse tema ao discursar no centenário da conferência “Todas as Religiões”. O contexto global, segundo ele, vem sendo manchado pela intolerância e pelo ódio.

“Todas as religiões ensinam a verdade fundamental de que, como filhos do único Deus, devemos amar-nos e honrar-nos uns aos outros, respeitar a diversidade e as diferenças num espírito de fraternidade e inclusão, cuidando uns dos outros, bem como da terra, nossa casa comum. O desrespeito pelos nobres ensinamentos das religiões é uma das causas da situação conturbada em que o mundo se encontra atualmente.”

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Bento XIV: Liberdade religiosa é para todos

O Santo Padre tratou do tema em janeiro de 2011, ao falar ao Corpo Diplomático junto à Santa Sé. Para ele, liberdade religiosa é permitir que comunidades atuem livremente na sociedade, na educação, na caridade e no social.

Bento XVI falou que não se pode criar uma escala na gravidade de intolerância com as religiões “onde atos discriminatórios contra cristãos sempre são aqueles que se consideram menos graves” para que se possa assegurar o pleno respeito da liberdade religiosa para todos.

Ele também sublinhou o perigo de se querer colocar em contraste o direito à liberdade religiosa e outros direitos humanos, bem como contrapor esse direito com pretensos direitos, “que, na realidade, são apenas a expressão de desejos egoístas e não encontram o seu fundamento na natureza humana”.

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São João Paulo II: Religião não é instrumento de morte

São João Paulo II foi ainda mais enfático ao receber líderes religiosos do Azerbaijão, no Vaticano.

Ninguém tem o direito de apresentar ou utilizar as religiões como instrumento de intolerância, como meio de agressão, de violência e de morte. A tolerância é possível e constitui um valor de civilização, que mostra a promessa de um desenvolvimento humano mais amplo e solidário”.

Reprodução/christianunity.va Reprodução/christianunity.va

São Paulo VI: Declaração “Nostra Aetate”

Em 1965, o Papa publicou uma declaração que se tornou uma virada histórica ao enfrentar a intolerância religiosa a partir do Concílio Vaticano II. Com a Nostra Aetate, Paulo VI ajudou a Igreja a condenar explicitamente toda forma de discriminação religiosa, racial ou social, considerada incompatível com o espírito de Cristo.

“Hoje, que o gênero humano se torna cada vez mais unido, e aumentam as relações entre os vários povos, a Igreja considera mais atentamente qual a sua relação com as religiões não-cristãs. E, na sua função de fomentar a união e a caridade entre os homens e até entre os povos, considera primeiramente tudo aquilo que os homens têm de comum e os leva à convivência. Com efeito, os homens constituem todos uma só comunidade; todos têm a mesma origem, pois foi Deus quem fez habitar em toda a terra o inteiro gênero humano.”

O Papa reforçou a ideia de fraternidade universal ao lembrar que não é possível chamar Deus de Pai comum quando se nega o outro como irmão. O documento também reconheceu que outras religiões carregam “raios de verdade”, abrindo caminho para a superação de séculos de desconfiança, especialmente com o judaísmo e o islamismo.

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Um caminho que ainda exige conversão

Apesar de avanços legais e maior debate público, a intolerância religiosa persiste. Muitas vezes, ela se manifesta em piadas, discursos digitais, ataques a templos ou exclusão social.

Dados mostram que a intolerância religiosa no Brasil teve um aumento alarmante, com o Disque 100 registrando 2.472 denúncias em 2024, um salto de 66,8% em relação a 2023, sendo as religiões de matriz africana (Umbanda e Candomblé) as mais visadas, seguidas por Evangélicos, Católicos e Espíritas, com São Paulo e Rio de Janeiro liderando os casos e mulheres sendo as principais vítimas.

Os dados apontam um crescimento contínuo e destacam a necessidade urgente de políticas públicas para garantir a liberdade de crença, conforme previsto na Constituição. Mesmo com pontificados em épocas distintas, os Papas convergem no ponto essencial da fé autêntica gerar respeito, para um caminho ecumênico para todos no mundo.

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Fonte: Vatican News/Agencia Ecclesia/CNBB/Agência Brasil

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