A palavra sinodalidade tem sido um convite constante para mudanças e fortalecimento na caminhada da Igreja. Ela é uma palavra que ouvimos muito, mas poucos ainda compreendem seu verdadeiro significado, que é caminhar juntos, não apenas no sentido literal da frase, mas sim com comunhão, corresponsabilidade, participação e missão.
Na Bíblia já conhecemos exemplos sinodais e hoje vamos refletir sobre Maria e os Apóstolos reunidos no dia de Pentecostes, que nos oferecem um belo modelo de sinodalidade. E quem nos ajuda nessa reflexão é a mestre em teologia e especialista em Mariologia, Celia Soares de Souza.
A especialista explica que, conforme narrado na Bíblia, Maria e os Apóstolos estavam juntos, em oração, esperando a promessa do Espírito Santo.
“A Igreja faz essa interpretação bíblica de que Maria estava ali com a comunidade e o próprio Espírito é que dá àquela comunidade e à Igreja até hoje esse ânimo, essa dinamicidade, essa vontade, esse desejo de anunciar o Evangelho a todas as criaturas, a todas as pessoas. É bonito o que o texto diz: é que cada qual saiu anunciando as maravilhas do Senhor, cada um na sua própria língua.
Esse dado diz muito respeito à sinodalidade, porque esse processo da sinodalidade exigiu também de nós uma conversão pastoral, exige cada dia essa conversão pastoral, no sentido de que é preciso escutar as pessoas. Então, quando nós escutamos cada um falar na sua própria língua, a partir da sua própria realidade, dos seus contextos, seja de sofrimento, de alegrias, de esperanças, enfim, aí então nós começamos a ampliar, a abrir mais essa tenda.”
A presença de Maria entre os Apóstolos em Pentecostes revela um modelo de Igreja que caminha junto. Naquele momento, não havia disputas ou protagonismos, mas união, escuta e confiança em Deus. Maria, presente no meio da comunidade, ajuda a manter o grupo unido e aberto à ação do Espírito.
“E aí vem a dimensão da diversidade que nós temos na Igreja, dos diversos ministérios, e como isso precisa ampliar, nós precisamos buscar essa capacidade de acolher, de dialogar, de uma abertura, de romper, de rasgar como diz o salmo: ‘rasgar o coração e não as vestes’.
Porque o que é próprio nosso é viver cada um no seu individualismo, no seu egoísmo, de viver isolado, mas o que nós precisamos é viver em comunidade, no diálogo, no acolhimento, no respeito. Então essa diversidade que o Espírito de Deus nos faz compreender a partir de um dado muito bonito que Papa Francisco tocou ‘Dilexit Nos’ (Amou-nos), que é o amor do Pai e do Filho que nos faz viver essa dimensão de querer caminhar juntos”, afirma Celia.
Esse momento mostra que a Igreja nasce sinodal: caminhar juntos, rezar juntos e discernir juntos. O Espírito Santo não desceu sobre uma pessoa isolada, mas sobre toda a comunidade reunida. Cada um recebeu dons diferentes, mas todos foram enviados na mesma missão: anunciar o Evangelho. Pentecostes revela que a missão da Igreja é sempre comunitária.
“Eu acho importante mencionar que a sinodalidade não é só caminhar juntos. Do ponto de vista teológico, do ponto de vista do sonho, do sonho de Deus para a Igreja, que todos possam caminhar emanados. Mas também tem um processo da conversão pessoal, que leva a uma conversão de relações, que leva a uma conversão estrutural”, pontua a especialista.
Celia também fala sobre os processos do Sínodo, em que o saudoso Papa Francisco nos apresentou a conversação no Espírito, conversação no Espírito, algo diferente de um debate; o discernimento e as tomadas de decisões, passos que tem como intuito guiar os passos da Igreja para fortalecer verdadeiramente o caminho sinodal nos dias atuais.
“Ele dizia que a Igreja do terceiro milênio será a Igreja que o Espírito Santo quer. Olha, é muito bonito isso. Então, ele propõe um seguinte caminho: de fazer a escuta de todas as pessoas que estão inseridas nas comunidades, nas estruturas da Igreja, mas também as pessoas que estão afastadas”, conclui.
A Igreja é chamada a viver como em Pentecostes: escutando o Espírito, valorizando a participação de todos e fortalecendo a comunhão. Assim como Maria acompanhou os apóstolos, ela também hoje inspira a Igreja a permanecer unida e aberta ao diálogo.
:: O que é sinodalidade? Reflita e compreenda seu papel nesta caminhada sinodal.
A comunicação não violenta no caminho sinodal
Comunicação não violenta e sinodalidade são fundamentais para fortalecer a escuta e o diálogo nas decisões pastorais.
Missão digital e sinodalidade: evangelizar também nas redes
Evangelizadores mostram como a missão digital fortalece a escuta, a participação e o protagonismo dos jovens na Igreja.
A Escola de Maria no caminho sinodal da Igreja
O missionário redentorista, Ir. André Luiz C.Ss.R. nos ajuda a compreender como a espiritualidade mariana inspira a formação sinodal das pastorais.
Boleto
Carregando ...
Reportar erro!
Comunique-nos sobre qualquer erro de digitação, língua portuguesa, ou de uma informação equivocada que você possa ter encontrado nesta página:
Carregando ...
Os comentários e avaliações são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site.