Por Redentoristas Em Notícias Atualizada em 03 JUN 2020 - 09H55

9 lições que uma comunidade religiosa aprendeu na pandemia

Na convivência desses dias de pandemia, é nos dada uma ocasião para aprender algumas lições e partilhar na melhor escola que é a vida. Vejamos algumas delas.

Arquivo da Comunidade.
Arquivo da Comunidade.
Do centro para a esquerda: Padre e reitor João Batista, Pe. Eugênio, Pe.Pessanha, Ir.Joelson, Pe.Bertanha, Ir Osvaldo e Pe. Dionísio. Do centro para a direita: Pe.Ivair, Pe.Célio, Pe.Roberto, Pe.Júlio, Pe.Tulher, Pe. Peixoto e Irmão Viveiros.


1 - Cada pessoa é um dom

Pouco sabemos das suas alegrias, histórias, sofrimentos, valores, visões, sonhos... Portanto, esse foi um tempo de encontro pessoal, de descobrir o outro, de um 'tu a tu', de escuta, convivência, partilhas maiores.

2 - Valor da comunidade

Se cada pessoa é um dom, quando vivemos em comunidade temos possibilidade da descoberta de tantas qualidades, serviços, aptidões, gostos, etc. colocados em comum, a serviço de todos; temos mais tempo para conviver, vivenciar as riquezas e tristezas comunitárias descobrindo talentos e dons dos irmãos. Aumentou a importância de viver e crescer em comunidade na fraternidade. Trabalhar juntos como é bom: na cozinha, lavanderia, limpeza da casa, do banheiro, e nos cuidados dos mais idosos.

Desde quando a Covid-19 foi definida como uma pandemia e, sobretudo, quando o Ministério da Saúde orientou para o isolamento social, ficamos angustiados e com medo, mas, ao mesmo tempo, confiantes em Deus e esperançosos de que em breve iríamos voltar à normalidade. O aproveitamento desse tempo para as reuniões e estudos da Equipe Missionária nas terças feiras foi muito positivo. Tempo oportuno para refletir sobre o sentido da vida, da própria consagração para viver juntos, sobre nossa missão e vocação na Igreja e no mundo.

3 - Morte como vida

Talvez nunca tenhamos sentido e ouvido falar da morte tão intensa e próxima de nós. Daí um despertar maior para os valores vitais, como os cuidados com a saúde, valorização dos que trabalham nessa área, o respeito à vida não importando a idade, busca da ciência e da técnica para salvar e melhorar vidas. Portanto, falar de morte é falar da vida. Daí, o assumir o compromisso de ficar em casa, junto à Comunidade Redentorista, no intuito de nos proteger e proteger também os outros.

4 - Meio ambiente ou ecossistema

Vemos como os animais começam a voltar às cidades, quintais, casas, tornam-se mais mansos e familiares. Menos poluição sonora e do ar parecem trazer mais paz, vida aos ambientes urbanos; admiramos com nova maneira as maravilhas da natureza, o colorido das plantas, o encanto da noite e do luar. Vivemos como integrados, interdependentes no universo.

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A vida nos ensina que quanto maior a necessidade, o sofrimento humano, a vida ameaçada, as catástrofes, etc., surgem e aumentam gestos de solidariedade, de ajuda mútua, seja nos indivíduos, como em organismos, empresas, entidades sociais.

Isso acontece nos vários aspectos da vida humana, inclusive no religioso, espiritual. Celebrações expressivas na capela interna da comunidade redentorista através da mídia: TV Web Amigos da Santa Cruz, redes sociais, aplicativos e rádio. Interação com o povo em lives, Terço dos Homens, etc. Essa organização, possibilitou realizar os momentos de oração e celebração com maior criatividade e sem correria. Pelo fato de serem transmitidas, as celebrações exigiram maiores cuidados e preparação prévia, o que foi positivo.

6 - Novas formas de convivência

É um tempo de mudança. As rotinas agitadas do dia a dia e a falta de tempo cederam espaço para momentos de reflexão, leitura, oração, e de estar mais perto dos uns dos outros. O fato de se ter dispensado os funcionários e os membros da comunidade e assumir as atividades da casa, contribuiu para se criar um ambiente de mútua ajuda e convivência fraterna. Uma vez que o ritmo dito ‘normal’ foi quebrado, se cria novas formas para se viver o dia a dia. Trabalhos e atividades são aprendidas e realizadas em casa.

A vida familiar torna-se mais intensa devido à reclusão social, às vezes trazendo até alguns transtornos, neuroses. Com o passar do tempo, percebendo o crescente número de infectados e mortos no mundo, sobretudo no Brasil, vítimas do coronavírus, pode se ficar mais angustiado. O agravamento da crise econômica e política no Brasil também causaram angústia e indignação.

Com o uso das técnicas e mídias, aprendemos novas formas de comunicação, interagindo com familiares e amigos nas redes sociais, indo ao encontro das pessoas, grupos, associações, dando notícias, saboreando cultura, arte, conhecimento, dando conforto, unindo-nos numa só família humana. Esse tempo foi para dormir mais, fazer atividades físicas e leituras interessantes.

Foi gratificante perceber a dedicação e o esforço de todos e de cada um no seu setor, para que tudo esteja bem e todos se sintam bem num crescente espírito comunitário! A boa ocupação do tempo com trabalho, oração e estudos permitiu suportar o desafio de tanto tempo dentro de casa, longe das atividades missionárias. O período de isolamento social em nossa comunidade Santa Cruz tornou-se um tempo de aproximação, partilha, integração comunitária e oração. Possibilitou conhecer melhor e conviver com os confrades das missões e com os da comunidade. Com a pandemia arrumamos um jeito de ficarmos juntos e cuidarmos uns dos outros.

:: Tempo de viver Igreja doméstica e união da vida religiosa

7 - Desigualdades sociais

Na pandemia, pudemos sentir ainda mais as diferenças entre as pessoas, regiões, países, com o mínimo de condições vitais e aqueles que possuem recursos demasiados. Eis os desafios para reconhecer tais realidades e buscar juntos soluções, pistas, mudanças econômicas e estruturais, sistemas educacionais. Propostas novas e respostas são necessárias.

8 - Repensar a vida e a convivência social

Há tantas outras pandemias que perduram entre nós: fome, migração, guerras, doenças endêmicas, condições subumanas de vida, violência, desrespeito aos direitos,etc. A pandemia maior que nos damos conta que precisa ser curada é o individualismo e o egoísmo. A humanidade não vai ser mais a mesma coisa, tampouco a vida religiosa consagrada. Daqui para frente será diferente o jeito de ser e de se relacionar com o mundo. O sentimento de medo existe, pois ele é inerente ao ser humano; mas é necessário seguir em frente, com fé, esperança e amor, e disponibilidade para vivenciar novos tempos.

9 - Mística redentora

Aprendemos muito com o sofrimento, dor, morte, mesmo quando não os aceitamos ou entendamos. Isso nos leva a buscar os valores básicos, o foco vital e essencial da nossa existência e convivência. Perdas, mortes, desânimos, separações, desilusões, fracassos, relatividade, vulnerabilidade podem gerar nova vida em nós, atitudes, forças novas, esperanças.

“Que a graça de Deus, cresça em nós sem cessar! 
E de Ti, nosso Pai, venha o Espírito Santo de amor,
pra gerar e formar Cristo em nós”.


Fonte: Equipe Missionária Redentorista de Araraquara, abril e maio de 2020.

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