Quando os Missionários Redentoristas chegaram a Aparecida, na noite do dia 28 de dezembro de 1894, foram alojados em duas pequenas casas que eram usadas para a hospedagem de peregrinos, localizadas à esquerda da atual Basílica Histórica. Com pequenos ajustes que foram sendo feitos, ali os bávaros alemães residiriam por cerca de 18 anos, sujeitos ao desconforto de uma residência improvisada.
Conforme os trabalhos pastorais foram sendo desenvolvidos pelos chamados “Padres da Capela”, não somente no santuário, como também nas cidades vizinhas e zona rural, com o início da pregação das Santas Missões em 1897, realização de desobrigas, pregação de tríduos, semanas santas e festas de padroeiros, a devoção a Nossa Senhora Aparecida foi se propagando mais e mais, trazendo mais romeiros para a “Villa d’Aparecida” e seu santuário.
Pioneiros alemães que chegaram em Aparecida em 1894.
A pequena comunidade redentorista, de início, foi formada por apenas cinco membros, posteriormente sendo ampliada não apenas com as turmas vindas da Alemanha, como também pelos primeiros brasileiros que chegaram a partir de 1908, formados no Juvenato Santo Afonso. Segundo o Livro de Crônica, em 1910, por exemplo, a comunidade já era formada por 11 padres, quatro clérigos (junioristas) e 11 irmãos. A cada novo membro que chegava, porém, o desafio se repetia: Onde alojar tal pessoa com um mínimo de conforto?
Paralelo a isso, havia o desafio de hospedar autoridades civis que visitavam o santuário e eclesiásticos que vinham a Aparecida, pois bispos e padres ali chegavam com frequência a fim de realizar os seus exercícios espirituais junto da excelsa Rainha e Padroeira do Brasil.
De pronto surgiu o desejo de se construir um convento que pudesse responder às prementes necessidades, mas faltavam recursos tanto ao Santuário Arquidiocesano, à Arquidiocese de São Paulo como à Missão Redentorista. Os superiores de então foram à luta, buscando os recursos necessários. A Província Redentorista de Munique concedeu um empréstimo à Arquidiocese de São Paulo, sem a cobrança de juros, destinado à construção do Convento, que substituiria as instalações então existentes formadas pela chamada “Casa do tesoureiro”, por uma pequena hospedaria e outros “arranjos”.
A planta do prédio foi elaborada pelo Irmão Gregório (1859-1929), da Missão Holandesa do Rio de Janeiro e a execução das obras ficaria a cargo do Pe. Antônio de Lisboa (1868-1937) que deixaria ainda outras obras hoje existentes na região.
Como era prática comum de então, a planta foi submetida ao Governo Geral da Congregação para obter a sua aprovação. A celebração dos 25 anos da missão, em 1919, com sua elevação à condição de Vice-Província, já encontrou os valentes missionários morando numa nova e mais ampla residência que também servia para atender os peregrinos, devotos de Nossa Senhora.
Construção da “Nova casa redentorista”
As Crônicas da Comunidade apontam que no dia 02 fevereiro de 1911, o tesoureiro do santuário entregou as chaves de sua velha casa para onde foi transferida a tipografia do Jornal Santuário de Aparecida que havia sido criado em 10 de novembro de 1900. A redação e a tipografia foram transferidas para essa casa.
No dia 08 abril, uma sexta-feira de páscoa, chegou o Sr. João Julian, mestre de obras que dirigiria a construção do novo convento. No dia 27 de abril começaram as demolições necessárias para limpar e preparar o terreno da construção e, a partir daí, a obra foi seguindo devagar, sendo preciso também conseguir alojamento para os membros da comunidade que foram hospedados em alguns pequenos chalés.
Demolição da casa que deu lugar à construção do Convento (1911)
Na manhã do dia 11 de dezembro de 1911, chegou o arcebispo de São Paulo, acompanhado pelo Pe. Péricles e na tarde do mesmo dia se colocou a primeira pedra do novo convento, apesar das paredes já estarem levantadas até a metade do andar superior.
Depois de quase dois anos de construção, do alicerce às ultimas fases de acabamento, em 15 de dezembro de 1912, deu-se a bênção festiva da nova casa pelo Arcebispo de São Paulo, Dom Duarte Leopoldo e Silva. A nova casa logo começou a receber romeiros, hóspedes e visitantes, tônica que sempre se repetiu ao longo de seus 114 anos (1912-2026).
Membros do episcopado brasileiro, inúmeros integrantes do clero e muitíssimos religiosos que se fizeram peregrinos ali receberam acolhida. Gente ilustre como presidentes da república e governadores de estado também percorreram seus espaços e até mesmo membros da Família Imperial Brasileira ali foram acolhidos.
Até fevereiro de 1936, o Governo da Vice-Província Bávaro-Brasileira teve ali a sua sede, mudando-se nesse ano para a Comunidade instalada no Bairro da Penha, em São Paulo. Além dos membros do Governo e dos membros da comunidade responsável pela pastoral do Santuário e da paróquia, em diversos momentos o vetusto casarão abrigou equipes missionárias, clérigos e irmãos para o noviciado, estudos de filosofia ou teologia.
O Venerável Padre Vitor Coelho também ali viveu durante a maior parte de sua vida e de seu ministério em Aparecida, tanto no santuário como na Rádio Aparecida.
Construção do convento, com o andar térreo já levantado (1912).
Ampliações e reformas necessárias
Mesmo sendo uma imponente construção, dotada de muitos quartos, capelas e outras instalações, com o passar do tempo adaptações, reformas e ampliações também se fizeram necessárias como a construção do galpão usado para o recreio e descanso da comunidade ou as dependências ocupadas em parte pela Livraria Santuário.
O velho chalé existente nos fundos da casa, onde teve início o Seminário Santo Afonso em 3 de outubro de 1898, também passou a ser utilizado em várias ocasiões, seja para abrigar membros da comunidade, como também servir de casa de formação em diversos períodos para estudantes maiores, para estudantes de filosofia ou casa de noviciado.
Do lado de fora, no fundo do quintal, bem próxima da antiga cervejaria, uma singela capela foi construída em 1919, onde por muito tempo foram depositadas as urnas com os restos mortais dos missionários falecidos.
Em 2007, foi realizada a reforma e manutenção da fachada do convento que, por ser tombado como patrimônio histórico, precisou por bem manter as suas características originais.
Vista dos fundos do Convento Histórico. É possível identificar as oficinas gráficas e o Seminário Santo Afonso (1929)
Novos habitantes
Depois de 70 anos, em 1982 a Comunidade do Santuário mudou-se para o novo convento, construído ao lado da Basílica Nova, declarado como Santuário Nacional pela Conferência dos Bispos do Brasil (CNBB).
As portas do velho casarão se abriram para acolher então a Comunidade das Comunicações que até então vivia no prédio do antigo Colégio Padroeira, transformado depois em Centro Pastoral, próximo à Rádio Aparecida, onde hoje funciona a Casa do Pequeno.
Para isso, algumas mudanças e reformas emergenciais se fizeram necessárias porque o tempo havia desgastado e tornado obsoletas algumas instalações daquele que passou a ser chamado de “Convento Histórico” em contraste com o Convento Novo ao lado do Santuário Nacional.
Até o fim de 2007 e início de 2008, aí moraram os responsáveis pelos meios de comunicação da então Província de São Paulo, Rádio Aparecida, Editora Santuário, TV Aparecida e membros da equipe paroquial.
Depois, o Convento Velho passou a abrigar um terceiro grupo de missionários redentoristas, a renomeada Padre Gebardo, uma comunidade bem variada que prestava serviços também variados à Província, seja no cuidado da Paróquia Nossa Senhora da Conceição, no auxilio nas atividades do Santuário Nacional, cuidado do Memorial Redentorista ou do Patrimônio Histórico da Congregação.
Em outubro de 1998, foi inaugurado o “Memorial Redentorista” nos fundos do “Convento Histórico”. O antigo chalé foi transformado em capela onde foram colocados os restos mortais dos missionários falecidos. A antiga capela reformada tornou-se o local do túmulo do Venerável Pe. Vitor Coelho de Almeida.
Antiga Capela que abrigava o ossário redentorista (1928)
Renovação, mas missão que continua
E agora, depois de uma ampla e completa reforma, com a construção do novo Memorial a casa está pronta para receber os seus novos moradores, os hóspedes que a procurarem e para cumprir as funções delegadas pela província aos membros da comunidade redentorista.
Entre todas as casas da antiga Província de São Paulo, o nosso “Convento Histórico” era, sem dúvida alguma, aquela que mais estava no afetivo das muitas gerações de redentoristas, mesmo daqueles que nunca ali residiram. Ali estiveram os pais de nossa província, ali estiveram os primeiros missionários que saíram para pregar as Santas Missões ou propagar a devoção de Nossa Senhora Aparecida.
Ali moraram muitas gerações de redentoristas que gastaram e continuarão a gastar, seus dias e talentos em favor dos redimidos. Nosso “Convento Velho” agora renascido continua sendo o testemunho histórico, cultural e simbólico de uma nobre missão e dos valorosos filhos espirituais de Santo Afonso Maria de Ligório. E, se suas paredes pudessem falar, veríamos que esta casa “tem muitas histórias para contar”.
Fonte: Instituto Histórico Redentorista
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