Por Redentoristas Em Notícias Atualizada em 19 FEV 2019 - 11H12

Jean Ploussard: um redentorista nômade no Saara

Reprodução.
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No dia 18 de fevereiro de 1962, em Niamei, capital do Níger, no continente africano, morria o missionário redentorista Padre Jean Baptiste Ploussard, devido a uma hemorragia cerebral. Ele viveu seus últimos anos entre os tuaregues nômades do deserto do Saara, com os quais se identificava profundamente. Ele tinha 33 anos de idade.

Nascido em Lorraine, na França, em 1928, foi batizado João Batista, mas entre o povo tuaregue ficou conhecido como irmão João de Deus (Yakhia ag Rissa, na língua tuaregue ou Tamacheq). Com eles, viveu apenas os últimos dois anos de sua vida, mas foram os que mais aproximaram o sacerdote da experiência de Deus.

Em 1964, o seu diário foi publicado sob o nome “Carnet de Route” (Diário de Estrada”), e dele pode-se conhecer um pouco mais do homem que quis viver a simplicidade entre um povo nômade.

Sua juventude foi marcada pelo escotismo, meditação, e sentia-se atraído pelas missões. Nessa época teve uma namorada, mas ao refletir sobre a sua vocação se decide por Deus. Jean ingressa na Congregação Redentorista com 19 anos.

Na sua caminhada religiosa, descobre os escritos de Charles de Foucauld e de Santa Teresa do Menino Jesus que influenciarão o resto da sua vida.


Mesmo tendo dúvidas sobre as exigências do celibato, sentia-se cativado pela vida contemplativa dos monges, e entre os redentoristas, encontra o equilíbrio de sua vida: contemplação e apostolado. Em julho de 1954, é ordenado sacerdote.

Em dezembro de 1955, é enviado ao Níger, e é imediatamente seduzido. “Eu conheci pessoas puras. Eu conheci homens santos e religiosos”, escreve ele em seu diário. Transferido para Niamei, novamente escreve para seus pais sua felicidade. “Eu me sinto cada dia mais profundamente unido à África por uma espécie de sacramento do matrimônio. Uma nova personalidade surge em mim como um novo coração”.

Em novembro de 1960, é nomeado missionário para os 300.000 tuaregues do Níger. Passa a viver em Agades como capelão das Pequenas Irmãs de Jesus do Padre de Foucault.

Em 4 de dezembro de 1960, na pequena igreja de Agades, não há tuaregues, mas ele declara: “Eu vim para você, para ficar com você, eu não vim aqui por alguns. Eu estou aqui para ficar. Eu me torno targui. Eu sou um dos tuaregue”.

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Jean toma um novo nome: Yakhia ag Rissa. Veste-se de azul, como os homens e cobre-se com um véu ao jeito tuaregue. Sobre o peito, uma simples cruz de madeira. Convicto, segue o exemplo de Charles de Foucauld, aprende a língua nômade e adota seus costumes e modo de vida. Em 1961 passa a viver em Tchirozérine.

Ali abre uma pequena escola, escava poços, semeia hortas. Os tuaregues buscam em vão convertê-lo para o islamismo. Por respeito, eles não o chamam de pagão, mas um eremita santo vivendo como “irmão” junto ao povo tuaregue.

Cada vez menos escreve em seu diário, sinal de que ele estava encontrando a serenidade que tanto procurava.

Em fevereiro, depois de sua hora de adoração e missa, preside a abertura da classe, e depois vai trabalhar no jardim. Quando volta pra casa conta que fez um ferimento na cabeça, vomita muito sangue e é encontrado desacordado na cama. Levado para o hospital de Niamei, morre no dia seguinte.

Oito anos antes, Padre Jean Ploussard escreveu em seu diário:

“Meu Deus… Amo-Te
E quero morrer de amor por Ti,
Morrer, morrer, morrer.
Último jorrar de sangue na boca,
Último espasmo na areia
ou sobre a rocha,
Morrer de amor.”

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