Por Redentoristas Em Notícias Atualizada em 18 MAI 2020 - 12H29

Reestruturação e reconfiguração mudará Congregação Redentorista na próxima década

Até 2022, todas as 23 unidades da Conferência Redentorista da América Latina e Caribe vão formar 07 novas províncias. A mudança acontece devido ao processo de reestruturação e reconfiguração que atinge toda a Congregação Redentorista no mundo. 

É destaque entre essas novas unidades, a que vai congregar três em uma: Província de São Paulo, Província  do Rio e Vice-Província da Bahia. Juntas vão reunir o maior número de religiosos e grandes e complexos desafios evangelizadores.  

Padre Marlos Aurélio da Silva, C.Ss.R., superior provincial da Unidade Redentorista de São Paulo, concedeu entrevista onde oferece um panorama sobre o processo de reestruturação e reconfiguração da unidade

Abaixo, segue a entrevista completa: 

Thiago Leon
Thiago Leon
Padre Marlos Aurélio é superior da Província de São Paulo de 2019 a 2022.



O que podemos esperar da reconfiguração que toda a Congregação Redentorista está passando?

Esse é um processo que a Igreja e as Congregações, de tempos em tempos, são obrigadas a viverem. Obviamente são dados outros nomes, mas o processo é o mesmo, ou seja, para continuarem existindo as instituições eclesiais precisam continuamente se reinventarem em vista de serem fiéis à finalidade que as fizeram surgir. Para nós, Missionários Redentoristas, não poderia ser diferente. Nosso contexto atual exige respostas a inúmeros desafios para que a evangelização aconteça.

A esperança é que a Reestruturação, que por conseguinte desembocará em uma nova configuração das Unidades – Reconfiguração, nos ajudará a demonstrarmos a pertinência da nossa Missão e do nosso Carisma Missionário ao mundo. Sempre nos é recordado que todo esse esforço que estamos realizando é em vista da Missão. E de fato não poderia ser diferente!

Se a Igreja existe em razão da missão, para a Congregação Redentorista essa é também sua seiva. Portanto, a Reestruturação não visa criar facilitações de bem-estar para os congregados ou salvar patrimônios históricos, por mais valiosos e afetivos que eles sejam para nós. O escopo principal é implantar um novo dinamismo no corpo missionário que tem uma identidade específica dentro da Igreja e que quer e pode oferecer sua contribuição para que o anúncio da Copiosa Redenção continue acontecendo, sobretudo aos pobres mais abandonados!

Por fim, penso que para darmos esse passo teremos de fazer algumas renúncias porque vamos ter de estabelecer algumas prioridades missionárias, apostólicas etc. Caso contrário, tudo continuaria do mesmo modo como está. Assim, podemos admitir que a Congregação que conhecemos atualmente não será a mesma daqui uma década. Para quem sofre com transformações será muito traumático todo esse processo! Mas vejo nisso tudo uma grande oportunidade de nos tornarmos mais coerentes e fiéis à nossa vocação missionária.

Acima de tudo, precisamos aceitar que as estruturas são sempre meio, jamais fim. Em qualquer configuração institucional que houver poderemos ter espaço e liberdade para trabalhar pelo Reino de Deus! Assim, esperamos que seja um tempo de graça e crescimento para todos nós!

Como tem acontecido o processo para a unificação da nova Unidade RJ-SP-BA?

Estamos dando os passos necessários para a unificação de maneira prudente, cautelosa e muito participativa. Se não fosse assim os confrades se sentiriam alijados do processo. E tudo que é imposto por decreto, um dia é deposto! Portanto, temos de respeitar os ritmos de cada pessoa e grupo e envolvê-los o máximo possível. Mesmo sabendo que alguns poucos confrades sempre restarão à margem, mas não por falta de oportunidade, e sim por opção.

Seja por parte do Governo Geral, como da Conferência dos Redentoristas da América Latina e Caribe e das nossas Unidades temos conversado muito e feito muitas reuniões para encontrar os melhores caminhos de efetivação deste projeto.

Como é de praxe a metodologia de trabalho consistiu em constituir sub-comissões de trabalho para as diversas áreas da nossa vida redentorista, tais como: jurídico-canônica, administrativa, formação, pastoral vocacional, pastoral, leigos, integração comunitária e mídias. Essa é uma forma de envolver um maior número de confrades e favorecer que haja contribuições que enriqueçam nosso olhar e análise.

Renan Ventura
Renan Ventura
Encontro reúne missionários de São Paulo, Rio e Bahia.


O passo seguinte é o de tais sub-comissões apresentarem o resultado daquilo que delinearam para a
Comissão Central formada por representantes das três Unidades (BA, RJ e SP). Esta, de posse de todo os resultados, organizará uma Assembleia Geral com membros das três Unidades para deliberarem por qual direção desejam trilhar.

Portanto, em síntese, podemos considerar que temos buscado realizar a unificação de maneira muito participativa e num ritmo respeitoso – visando nosso conhecimento mútuo e tendo uma verdadeira comunhão de vida, considerando o ideal missionário que nos é comum!

Quais são suas expectativas para essa revitalização da missão Redentorista?

São as melhores possíveis! Temos um campo geográfico vasto para fazermos crescer nossa presença e atuação. Seremos a Nova Unidade com forte potencial evangelizador – para a região mais populosa da federação e que comporta também os desafios mais exigentes.

Nossa Província de São Paulo, apesar de seus limites, sempre teve muita abertura e disposição tanto para ir, como para acolher confrades de outras Unidades. De modo que não nos estranha esse intercâmbio que começaremos a ter com RJ e BA. Além disso, temos uma porcentagem considerável de confrades aqui que são mineiros, como a maioria da Província do RJ. Tudo isso contribui para uma integração saudável e amistosa.

Quando se evoca o fato de nossas origens históricas serem diferentes, não vejo isso como problema ou limite. A diferença sempre nos complementa e enriquece! Afinal de contas, importa mais o que somos e queremos construir agora no presente. Já não teremos mais holandeses nem alemães entre nós. Eles, como europeus que eram, fizeram a história deles e deram a sua contribuição, deixando também suas marcas.

Daqui em diante seremos nós, os brasileiros (em sua grande maioria) e poloneses que iremos construir juntos uma nova etapa da história missionária nessa região que nos coube! Creio que nada impede nem prejudique que caminhemos juntos e bem!

:: História da Província de São Paulo
:: História da Província do Rio 
:: História da Vice-Província da Bahia

Quais os principais fatos da história da província paulista, números de religiosos e uma de suas curiosidades?

Nossa Província tem seu início com os Redentoristas alemães que desde cedo acreditaram e investiram nas vocações brasileiras. Ao longo desses anos, existimos como Província há 76 anos, conseguimos adquirir uma diversidade e complexidade muito grande de trabalhos e frentes pastorais.

Podemos considerar que duas características marcantes do nosso grupo missionário foram sempre o de cuidar e defender a religiosidade popular (daí o trabalho ininterrupto das Missões Populares e Santuários) e de valorizar e capacitar os confrades para o trabalho pastoral (investimento nos estudos de capacitação).

Ao mesmo tempo que enfrentamos inúmeros desafios, por sermos ainda uma Unidade numerosa, temos também muitos confrades generosos e dedicados. Jamais duvidamos da importância e relevância do trabalho apostólico que realizamos dentro desse território que forma a Província. Certamente que poderíamos ter feito muito mais do que fizemos até agora, sobretudo para os pobres e as periferias.

Vivendo e trabalhando na Província temos cerca de 170 confrades; nossos formandos são 80 (dentre esses 18 professos de votos temporários). São 21 casas que formam 19 comunidades canônicas.

Uma curiosidade que é recente, mas já entrará para a nossa história é que com a pandemia do coronavírus provocada pelo Covid-19, o Santuário ficou sem receber peregrinos. Algo que nos deixa muito tristes e perplexos! Mas algo semelhante, em proporções bem menores certamente, aconteceu em 1899 por conta da peste bubônica e da crise econômica que assolavam o país.

Thiago Leon
Thiago Leon
Padre Marlos durante Novena da Padroeira em 2019.



Qual a relação histórica do Santuário Nacional de Aparecida com os Missionários Redentoristas?

O Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida está na origem e na identidade da Província Redentorista de São Paulo. Pois foi em razão desse trabalho em específico que os redentoristas alemães vieram para Aparecida e Goiás.

No entanto, estando ali há mais de 125 anos, ou seja, desde 1984 eles puderam projetar nacionalmente a nossa marca redentorista para todo o Brasil. Não mencionamos isso de modo presunçoso ou orgulho, mas para explicar que o Santuário Nacional de Aparecida remete diretamente para os Redentoristas.

Thiago Leon
Thiago Leon
"Não existe em nenhuma unidade do orbe redentorista uma complexidade e diversidade como em Aparecida", padre Marlos.


Isso é por consequência um fator benéfico e positivo para todos os redentoristas.
Antes de pertencermos a esta ou aquela Unidades somos Missionários Redentoristas! O que não podemos colocar em dúvida ou sob suspeita é que gozamos de uma grande graça, e ao mesmo tempo, temos uma grande responsabilidade ao realizarmos esse serviço à Igreja do Brasil, enquanto Redentoristas!

Ademais, os que tem um conhecimento mais lato e global da Congregação do Santíssimo Redentor, sabem muito bem que, não existe em nenhuma unidade do orbe redentorista uma complexidade e diversidade tão grande de trabalho que esteja sob nossa responsabilidade como a que encontramos em Aparecida. Pois além do Santuário, mas ligado a ele temos: TV Aparecida, Rádio Aparecida, portal A12, Editora Santuário, Seminários, Obras Sociais etc. O que exige e requer gente preparada e disposta para trabalhar!

:: A12 completa 10 anos em 2020

Para encerrar, qual a sua mensagem diante desse processo de reconfiguração e reestruturação?

A História da humanidade chegou a um estágio que nos permite perceber que temos de nos ajudar mutuamente se queremos realizar algum bem. Ninguém é melhor do que ninguém! Temos dons diferentes que, quando colocados a serviço uns dos outros favorecem, a todos!

Enfim, quando nos irmanamos de verdade, somos capazes de fazer muitas coisas significativas e duradouras. Isso vale tanto para o âmbito religioso-missionário, como para todos os demais da vida humana. Portanto, não percamos tempo e aproveitemos a chance para semear e fazer o bem através da nossa Missão e da nossa vida redentorista! A Reestruturação poderá ser essa grande oportunidade, e isso dependerá sobretudo de nós!


Fonte: Entrevista feita pela jornalista Brenda Melo da Província do Rio.

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