O fundador do Santuário de Pompeia, sul da Itália, foi proclamado santo por Leão XIV, que o definiu como benfeitor da humanidade.
Em 1980, foi João Paulo II quem o beatificou, apresentando-o como o homem de Nossa Senhora. Ambas as celebrações ocorreram em outubro, mês do Rosário, como se lembrassem que ele deu vida a um movimento de espiritualidade mariana, de alcance global.
Sua figura, carismática e às vezes profética, tem muito a dizer aos cristãos de hoje. Terciário dominicano e ligado à espiritualidade da Ordem dos Pregadores, Bartolo Longo era um homem de amplas perspectivas e amplitude eclesiástica.
Em sua jornada de fé, ele recorreu a inúmeras escolas de espiritualidade e contou com os conselhos e orientações de diversos confessores e diretores espirituais. Ele também tinha amigos e conselheiros espirituais como São Luís de Casòria e Santa Catarina Volpicelli.
Marca redentorista em sua espiritualidade
Se ele é quase sempre apresentado como um leigo dominicano, ele é também um oblato redentorista, uma afiliação que desde 1894 o agregou à grande família alfonsiana. Esse aspecto, desconsiderado pela historiografia, foi redescoberto por ocasião de sua canonização, nos permitindo focar na influência que a espiritualidade redentorista teve em sua vida, por meio do trabalho de três veneráveis redentoristas que foram seus diretores espirituais.
Convertido do ocultismo, do qual fora militante, o jovem advogado apúlio foi recebido pelo dominicano Pe. Alberto Radente, seu confessor por onze anos. Ao mesmo tempo, conheceu a figura angelical do redentorista Pe. Emanuele Ribera (1811-1874), pai espiritual do clero de Nápoles, no centro de um grande movimento espiritual que reuniu eclesiásticos, leigos e fundadores que, com suas obras, contribuíram para a renovação da Igreja no sul da Itália.
Conquistado por sua afabilidade, Bartolo Longo tornou-se um de seus discípulos mais afetuosos e confiou em seu discernimento. Era o Pe. Ribera, a quem chamou de maior santo vivo de nossos tempos, para lhe mostrar qual era sua vocação, com uma previsão que estava à frente de seu tempo: chegará o dia em que os leigos estarão à frente de grandes organizações religiosas, encorajando-o a não assumir nenhuma vocação religiosa, mas a aprofundar a dimensão do leigo, comprometido com a missão.
Ele também o formou na vida interior por meio da leitura de obras ascéticas, das quais foi um grande divulgador. Assim, o jovem advogado conheceu os escritos de Santo Afonso e do Beato Gennaro Maria Sarnelli.
O segundo diretor espiritual foi o Pe. Giuseppe Maria Leone (1829-1902), que por dezoito anos o acompanhou na difícil tarefa de fundar a Obra para os Filhos dos Prisioneiros, das Irmãs Dominicanas Filhas do Santo Rosário de Pompeia, da qual ele escreveu as regras; da fundação do Orfanato, para o qual elaborou os regulamentos; e do grande movimento para promover a definição dogmática da Assunção de Nossa Senhora, da qual Bartolo Longo foi o animador em nível europeu.
O Pe. Leone baseou seus ensinamentos na oração e na intenção correta e confirmou o advogado em sua missão como divulgador e escritor de Nossa Senhora. Mas a ação pedagógica do místico redentorista provou ser fundamental no apoio psicológico que ele deu a Bartolo Longo em um momento difícil de sua vida, quando, sobrecarregado de trabalho e responsabilidade, arriscou perder o equilíbrio e o controle de suas emoções, sendo julgado por calúnias e mal-entendidos.
O último redentorista que a Providência colocou no caminho de Bartolo Longo e sua esposa, a Condessa De Fusco, foi o Pe. Antonio Maria Losito (1838-1917), que foi apontado pelo próprio moribundo a seus dois filhos espirituais: vá confessar ao meu confessor!
O Pe. Losito, definido pela pena de Bartolo Longo como a imagem da bondade de Deus, os guiou em um momento tempestuoso, na difícil relação com o Papa Pio X e as autoridades eclesiásticas, que estavam mal informadas sobre sua administração. Padre Losito o defendeu diante do Papa, por quem era estimado e frequentemente recebido em audiência, inocentando-o de todas as acusações. Formou nos cônjuges fundadores uma consciência eclesial sólida, por meio da obediência confiante à Igreja, resumida no lema alfonsiano: a vontade do Papa, a vontade de Deus.
Padre Losito apoiou Bartolo na fundação da Obra para as Filhas dos Prisioneiros, oposta de muitos lados, e o ajudou a superar escrúpulos e ansiedades espirituais, levando-o a atravessar o limiar da maturidade espiritual, através do ascetismo do distanciamento e da busca pela paz interior.
Por quarenta e três anos, Bartolo Longo respirou o ar alfonsiano diariamente. Isso é documentado pelas edições das obras do Santo, presentes em sua biblioteca pessoal e entre as mais postuladas.
De Santo Afonso e do Beato Sarnelli, assimilou o fervor mariano, o amor pelos abandonados e a obediência à Igreja. Na escola dos três Veneráveis Redentoristas, aprendeu a se tornar santo, por meio da contemplação e da generosa dedicação aos outros.
Sua figura multifacetada e altamente atual torna-se fonte de inspiração para leigos que querem se comprometer com a missão. E testemunha, contra qualquer pretensão de eficiência pastoral, que a vida interior e a oração são a alma de todo apostolado e o segredo de todo sucesso.
.:: Bartolo Longo: a santidade "nos bastidores" de quem o acompanhou ::.
Fonte: Tradução livre: Pe. Inácio Medeiros, C.Ss.R.
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