Por Ir. Marco Lucas, C.Ss.R. Em Palavra Redentorista Atualizada em 09 SET 2019 - 10H50

Quem são os Redentoristas Transalpinos?

Desde que Santo Afonso Maria de Ligório fundou a Congregação do Santíssimo Redentor, em 1732, seus filhos espirituais ficaram conhecidos como Redentoristas. Já o nome  Redentoristas Transalpinos surgiu após divergências entre religiosos redentoristas, após a realização do Concílio Vaticano.

Entenda esta história. 

Reprodução.
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Grupo de seminaristas em mosteiro na Escócia.


Quando um instituto religioso nasce, a Igreja Católica exige que se apresente uma
regra que fundamente o estilo de vida e o carisma da nova comunidade. Assim também aconteceu com a Congregação do Santíssimo Redentor, que obteve aprovação de suas regras em 25 de fevereiro de 1749, 16 anos após a sua fundação. O caráter dessa regra não tem só um sentido jurídico, mas também tem um caráter espiritual, sendo a verdadeira fonte da riqueza da espiritualidade Alfonsiana.

Para a elaboração desse guia espiritual e jurídico dos Redentoristas, conta-se com a colaboração dos próprios membros da Congregação e de outros peritos. As regras expressam o sentido da verdadeira adesão que os missionários fazem por Jesus Cristo, levando-os a uma verdadeira experiência de fé realizada na missão com os mais pobres e abandonados, os feridos da sociedade.

As Constituições Redentoristas não são definidas como cláusulas pétreas, isto é, diante das exigências e mudanças da sociedade, do contexto, elas podem ser alteradas. Por isso, de tempos em tempos, os Missionários Redentoristas se reúnem em Capítulos Gerais e podem decidir por novas e devidas mudanças, a fim de facilitar a evangelização e o trabalho missionário. Isso ocorre a partir de uma leitura da realidade da sociedade e da Igreja (em nível local e mundial).

Durante os anos de 1962 a 1965, a Igreja Católica, sob o pastoreio do Papa São João XXIII, convocou e fez realizar Concílio Vaticano II com a finalidade de discutir assuntos pertinentes às mudanças da sociedade e da própria Igreja. Os bispos de todos os lugares do mundo foram chamados a Roma para expor as dificuldades e desafios, como também os seus anseios e as suas expectativas da Igreja Católica a fim de que ela buscasse meios atuais e eficazes para levar o Evangelho a todos os povos e nações.

Com o Concílio Vaticano iniciado por São João XXIII e concluído com o São Paulo VI, muitas iniciativas e propostas foram acolhidas pela Igreja do mundo inteiro a fim de poder criar métodos e dinâmicas renovadas para a sociedade moderna, que direta ou indiretamente interfeririam na Igreja como um todo.

Os documentos produzidos pelo Concílio podem ser considerados um verdadeiro abrir da janela para ver a beleza que não tinha sido explorada ainda e, com a proposta de mudança feita pelos padres do Concílio, a Igreja, de um modo geral, foi chamada a renovar-se. Com isso, também a Vida Religiosa Consagrada foi provocada a fazer mudanças em suas regras que já não correspondiam ao novo modo de ser e fazer Igreja.

Logo após o Concílio Vaticano II, a Vida Religiosa ainda não sabia como e por onde começar a reforma de suas regras, estatutos e constituições. A Congregação do Santíssimo Redentor foi uma das primeiras a fazer a releitura de suas Constituições, propondo-as de um novo modo que comungasse com as decisões da Igreja.

:: Conheça os documentos do Concílio Vaticano II 

Entre os anos 1967 a 1969, os Redentoristas atualizaram as suas regras e depois disso, as novas Constituições e Estatutos foram emprestados a outras congregações como modelo para que essas atualizassem as suas.

Alguns padres e irmãos redentoristas do mundo não compartilharam ou não comungaram dessa mudança. Muitos as consideraram drásticas, radicais, sem fundamento ou sem sentido. Na época, muitos religiosos chegavam a se perguntar qual o sentido da sua crença e por que mudar assim de repente, se elas vigoraram por tanto tempo!

Alguns mais radicais não entenderam o novo sentido da Vida Religiosa que a Igreja estava propondo e acabaram abandonando a vida religiosa e sacerdotal. Outros ainda optaram por não comungar com a nova primavera da Vida Religiosa na Igreja, opondo-se a essa nova proposta, seguindo as orientações da Igreja Pré-Conciliar.

Com alguns redentoristas não foi diferente. Eles não aceitaram as novas regras e continuaram seguindo a antiga, não aceitando as adaptações aos tempos e lugares.

Claro que, para aqueles que foram formados do jeito antigo, não foi fácil acostumar-se com a nova regra, mas com esforço, oração e confiança no Deus que age através de seu Espírito, conduzindo por Ele a Igreja, fizeram um processo de conversão para continuar mesmo assim vivendo a vocação a qual foram chamados.

Um pequeno grupo, opondo-se e não aceitando, preferiu deixar a Congregação, formar um grupo à parte, se autodenominando de Redentoristas Transalpinos.

Aqui é importante fazer uma distinção histórica. No início do século XIX, o grupo que acompanhou São Clemente quando a Congregação entrou na Europa Central, além dos Alpes, foram chamados de Transalpinos, mas só por uma razão geográfica. Eles não estavam separados da Congregação. No pós-Vaticano II, o grupo que se autodenominou de Redentoristas Transalpinos não aceitou as mudanças advindas do Concílio.

Este grupo foi depois expulso pelo Governo Geral da Congregação, porque estava separado e desunido dos redentoristas do mundo. Para complicar ainda mais, em 1988, este grupo se desvinculou totalmente da Congregação, sendo chamados de “Filhos do Santíssimo Redentor (F.Ss.R.)”, mas sem nenhum vínculo com a Congregação.

Os F.Ss.R. usam o hábito antigo e a regra antiga, não aceitando nenhuma adaptação às necessidades da Igreja e da Congregação nos dias atuais. A partir do rompimento com a Congregação, o grupo uniu-se a D. Marcel Lefebvre na Fraternidade Sacerdotal São Pio X – FSSPX, que eram cismáticos à época. Por mais ou menos 20 anos, seus membros foram considerados cismáticos em relação à Igreja Católica e, só em 07 de julho de 2007, três padres procuraram regularizar sua situação em relação à Igreja no pontificado de Bento XVI, após a publicação do Summorum Pontificum, rompendo com a FSSPX.

Após visitas de bispos e padres, a mandato da Santa Sé, em 12 de junho de 2012, os Redentoristas Transalpinos regularizaram a nova comunidade religiosa, que oficialmente é reconhecida pela Igreja Católica como “Filhos do Santíssimo Redentor”, erigidos como um instituto religioso de direito diocesano, como prevê o cân. 579 do Código de Direito Canônico de 1983.

Os Filhos do Santíssimo Redentor vivem na Ilha de Papa Stronsay, no arquipélago das Ilhas de Orkney, desde 1999. Essa Ilha está localizada na Escócia, onde eles realizam seus trabalhos missionários, pastorais e sacramentais, podendo, então, segundo a orientação da Igreja, celebrar no Rito Romano. No momento, o grupo é bem pequeno e não há muita procura por jovens que desejam unir-se a eles.

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Grupo de seminaristas e padres redentoristas transalpinos, no Mosteiro em Papa Stronsay.


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