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Em Aparecida, CNBB inicia a Campanha da Fraternidade 2026

Missa de abertura da CF 2026, presidida por Dom Jaime, reforça o chamado ao compromisso com a moradia digna no país

Escrito por Giovana Marques

22 FEV 2026 - 08H58 (Atualizada em 22 FEV 2026 - 11H36)

Gustavo Cabral

Na manhã do primeiro domingo da Quaresma (22), às 8h, ocorreu no Altar Central do Santuário de Aparecida, a Missa de abertura da Campanha da Fraternidade 2026, presidida por Dom Jaime Spengler, Arcebispo Metropolitano de Porto Alegre (RS) e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Concelebraram Dom Ricardo Hoepers, Bispo auxiliar de Brasília (DF) e Secretário Geral da CNBB e Dom José Carlos Chacorowski, bispo de Caraguatatuba (SP). Estiveram presentes o reitor do Santuário Nacional, Pe. Eduardo Catalfo, C.Ss.R., o coordenador de Campanhas da CNBB, padre Jean Poul Hansen, dentre outros sacerdotes, e também contou com a presença do Vice-presidente do Brasil, Geraldo Alckmin e sua esposa Maria Lúcia Alckmin.

A Campanha com o tema “Fraternidade e Moradia” e lema “Ele veio morar entre nós”, segundo o missionário redentorista e animador da celebração, Pe. Camilo Júnior, C.Ss.R., é uma oportunidade de transformarmos o cenário de dor de famílias que não tem moradia em esperança.

“Vamos dizer juntos: Ele veio morar entre nós!”

O arcebispo, em sua homilia, recordou que a Quaresma é para nós um tempo privilegiado de exercícios espirituais, um tempo de afinamento do espírito, com disponibilidade e alegria, para bem celebrarmos a Páscoa.

Gustavo Cabral Gustavo Cabral

Esse caminho quaresmal é uma oportunidade para compreender mais profundamente o que significa rezar, fazer penitência e praticar o jejum. Dom Jaime, acrescentou que é também tempo de nos alimentarmos da Palavra de Deus para, com Jesus, adentrarmos os mistérios da existência humana.

“Com Ele devemos lutar e vencer as ciladas do inimigo. Devemos vencer a mentira, as fake news, o desrespeito pela vida, a divisão entre nós, o narcotráfico, a violência. O mal existe e possui muitos rostos.”

Evangelho: Jesus, conduzido ao deserto

Ao comentar o Evangelho de Mateus (4,1-11) o arcebispo ressaltou que no deserto, o diabo tentou atingir Jesus em sua intimidade: primeiro pela necessidade material, ao propor que transformasse pedras em pão; depois, pela substituição da glória de Deus pela vanglória; por fim, pela tentativa de desviá-lo de sua missão. Contudo, não conseguiu vencer a fidelidade e a força de Jesus.

“O inimigo é contra tudo o que diz respeito à defesa, ao cuidado e à promoção da vida. E só pode ser combatido e vencido com o nosso amigo e mestre, Jesus.”, disse.

Chamado da Campanha da Fraternidade

Ainda, segundo o presidente da CNBB, somos chamados a ser discípulos, não meros adeptos, mas verdadeiros discípulos, desejosos de seguir o Senhor. Por isso é que a Igreja no Brasil realiza, a cada ano, durante a Quaresma, a Campanha da Fraternidade.

“É preciso educar para a vida e fraternidade, não para divisões e polarizações que não nos levam a lugar algum. Para renovar a consciência e responsabilidade de todos pela ação evangelizadora em vista de uma sociedade mais justa e solidária. Para isso, precisamos de conversão pessoal, comunitária e social”.

O bispo reconheceu que, nas últimas décadas, muito foi feito. Contudo, infelizmente, segundo ele, muitos brasileiros ainda vivem em situação de miséria.

“Não podemos permanecer indiferentes diante dessa realidade. Seria muito bonito que cada paróquia pudesse se propor a construir ou ajudar a reformar uma casa para quem não a tem. Além disso, seria importante a existência de uma pastoral da moradia”, acrescentou.

Por fim, desejou que possamos sempre redescobrir a dignidade da casa, da moradia digna, esse “espaço de aconchego e intimidade”, onde cada pessoa possa proclamar com verdade: “Ele veio morar entre nós”.

Mensagem do Papa Leão XIV

Ao final da celebração, Dom Jaime citou o apoio do Papa à Campanha da Fraternidade no Brasil e, na sequência, a Carta enviada pelo pontífice foi lida pelo Secretário Geral, Dom Ricardo Hoepers.

Leia + Mensagem do papa Leão XIV à CF 2026 com Bênção Apostólica

Como viver a Campanha da Fraternidade

Em entrevista ao Portal A12, Dom Jaime dirigiu algumas palavras à Igreja no Brasil, sobre transformar o apelo da Campanha da Fraternidade 2026 em uma atitude constante, não somente neste período, como afirmou o Papa Leão XIV na Carta.

Segundo o arcebispo, primeiramente é preciso alimentar e promover consciência.

“Existe uma multidão entre nós que não tem acesso à moradia digna. Por isso, pedir a Nosso Senhor a graça necessária para que convertamos nosso coração e mente para não pensarmos somente em nós mesmos, mas viver essa abertura ao outro.”

Coletiva de Imprensa

Após a celebração, Dom Jaime Spengler, Dom Ricardo Hoepers, padre Leandro Mageto, subsecretário adjunto-geral da CNBB e Dom José Carlos, concederam uma coletiva de imprensa.

Nela, o coordenador de Campanhas da CNBB, padre Jean Poul Hansen, buscou dimensionar a realidade habitacional no Brasil a partir de números. Ele afirmou que existem mais de 26 milhões de famílias vivendo em moradias inadequadas, ou seja, em casas que não oferecem condições básicas de segurança ou infraestrutura.

"Nós temos 32 milhões de moradias, se consideramos a média nacional de quatro pessoas em cada uma dessas famílias, nós temos 128 milhões de brasileiros que padecem ou a falta ou a inadequação da própria moradia".

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O padre ainda levantou o questionamento sobre o empenho que muitas vezes colocam-se em dar mais dignidade aos animais que aos seres humanos: "Nós temos mais de 360 mil pessoas vivendo na rua. Nós não deixamos muitas vezes que os pets vivam nessa situação, mas deixamos os filhos de Deus."

O coordenador ainda destacou que a Campanha da Fraternidade, iluminada pela fé, se resume em três verbos: sensibilizar, conscientizar e comprometer. 

Por fim, Dom Jaime ressaltou a importância dos meios de comunicação para auxiliar a Campanha, uma vez que ela faz chegar a todos a consciência necessária para a busca de soluções para este problema da moradia.

"A moradia não é simplesmente uma questão, viu? É um problema. Uma questão a gente debate, o problema a gente resolve. Então que juntos possamos enfrentar esse problema e assim deixar nosso Brasil um pouquinho melhor para as futuras gerações", concluiu. 

Veja + Monumento Jesus Sem Teto é inaugurado no Santuário Nacional

Colaboração: Beatriz Nery e Andreza Galvão

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