Por Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho Em Palavra do Associado Atualizada em 27 MAR 2019 - 10H25

Amar a virgem Maria exige conhecê- la - parte I

Vamos fazer um caminho neste artigo, iluminados pela Palavra de Deus, recordando alguns aspectos da Mariologia que a Igreja já apresentou ao povo devoto por meio dos Documentos, Catequeses, orientações e até mesmo reflexões de teólogos reconhecidos pelos cristãos católicos que demostraram sua filial adesão ao Depósito Da Fé no tempo e na história da Era Cristã. O Papa Francisco em conversa com o meu irmão no sacerdócio Padre Alexandre Awi, diálogo este que resultou em um livro, chegou a afirmar uma frase muito conhecida no mundo católico acadêmico: “Se quiser conhecer Maria, pergunte aos teólogos. Se quiser saber como amá-la, pergunte ao povo ”. Porém, hoje percebemos que não se pode conhecer a Virgem Maria sem amá-la, e não se pode amar Maria sem conhecê-la! Eis a nossa grande responsabilidade, fazer conhecida a Mãe do Senhor em sua vida histórica e em sua missão-espiritual, amando-a e procurando imitá-la em suas virtudes. Como afirma Paredes, “Maria não precisa de nossas mentiras ” para ser honrada e louvada, pois Deus a honrou por primeiro e a elevou acima de toda a criatura, conforme vemos no hino do Magnificat e na narrativa do Apocalipse capítulo doze. 


O Pai a escolhe “entre todas as mulheres”.

Com o avanço dos estudos mais rigorosos da Mariologia, fortalecidos e reconhecidos no Concílio Vaticano II e depois dele, possibilitou-nos uma retomada da visão teológica sobre a Economia da Salvação, reconhecendo com mais nitidez a presença ativa e ímpar de Maria de Nazaré à luz do Mistério Pascal, da Revelação Bíblica, da Patrística e da Teologia cristã católica. Isto é algo inovador! O Espírito Santo de Deus mostrou-nos que “havia chegado o tempo” para que, uma vez reconhecida a Trindade, o Verbo, sua Divindade-Humanidade, a Igreja e os Sacramentos, agora poderíamos sem sombra de dúvidas, olhar para a Virgem Maria e conhecer mais sobre ela. Sobre o tempo, falaremos mais adiante, quando nos detivermos na teologia da filiação. 

Percebamos que Igreja não “inventa” um discurso sobre a Mãe de Jesus. Como na pesquisa astrológica se encontra novos planetas nas galáxias, sendo que eles sempre estiveram ali a milhões de anos e não são novidades para Deus, o homem “descobre” dentro algo que outrora não seria possível ou por falta de instrumentos ou por falta de interesse; assim, os Dogmas para a Igreja, incluindo os marianos, sempre foram verdades de fé que estiveram contemplados dentro do plano divino da salvação, mas, só com o passar do tempo, o Espírito Santo foi oferecendo ferramentas possíveis para revelá-los a seu povo.

Maria é a criatura humana com a qual se abre a promessa da antiga aliança (Gn 3, 15) e com ela se encerra por meio das palavras de Simeão a antiga profecia (Lc 2, 25-35). É a Mulher que teve e tem um contato pleno com a Santíssima Trindade na história. O Pai a escolhe “entre todas as mulheres”, e por isto ela já estava no coração dEle; o Espírito Santo também realiza a sua ação a sua ação nela quando “engendra o Filho” em suas entranhas, recebendo Deus uma carne e um sangue totalmente do corpo dela. Se por “Eva entrou o pecado no mundo, pela Virgem Maria entrou a salvação”, assim afirmaram os Padres da Igreja.

É a Virgem Maria a primeira pessoa que decidiu seguir a Jesus até as últimas consequências, sem deixar-se levar pelo medo ou a indiferença. Ela, muito antes que os discípulos, foi a primeira em aceitar e assumir a aventura da Cruz, quer dizer, a entrega constante, a fim de trabalhar pela causa de Jesus Cristo Vítima e Sacerdote, com a abertura à realidade histórica que lhe tocou viver. Seu caminho, como o dos grandes profetas, não foi nada fácil, pois ao ser Mãe de Jesus, logicamente, se viu envolta na incompreensão e, por suposto, na paixão dolorosa de seu Filho amado.

Ela, diferentemente de muitos outros, logrou enfrentar as inseguridades da vida, confiando no amor e na ação de Deus. Ela não duvidou! A maioria de nós, quando estamos de viagem, nos preocupamos muito em reservar um hotel ou pousada, a fim de ser ter um pouco de segurança e conforto. Em meio a pobreza da Sagrada Família, a Virgem Maria não teve a oportunidade de “reservar” um lugar para passar a noite, e, mais ainda, sendo pega de surpresa para dar a luz, mas confiou sem reversa na providência do Senhor. Isto não significa que deveremos renunciar as seguranças da vida, porque necessitados delas, mas é importante que reconheçamos ou imitemos a fé incondicional da Mãe do Senhor, tendo a certeza de que estamos nas mãos de Deus. Ele continua escrevendo nossa história.


“Maria de Nazaré não é um simples personagem”

Algo nos chama a atenção dentro deste Tratado que estamos falando aqui, porque o próprio autor já predissera sobre ele, vejamos: “Prevejo que muitos animais frementes virão em fúria para rasgar com seus dentes diabólicos este pequeno escrito e aquele de quem o Espírito Santo se serviu para o compor. Ou pelo menos procurarão envolver este livrinho nas trevas e no silêncio de uma arca, a fim de que não apareça” (nº 114) . E, historicamente é comprovado o quanto esta obra foi combatida em diversas universidades, grupos de estudos, etc. porém, quem a conhece sabe que é pelas mãos de Maria que Montfort propõe o reinado de Jesus no mundo, mostrando de que esta consagração como algo necessário porque Jesus é o fim último da devoção a Nossa Senhora. Se olharmos para a própria Imagem de Aparecida, como exemplo, perceberemos o quanto São Luís estava teologicamente certo, pois com Maria “de mãos postas” nos dirigimos a Nosso Senhor Jesus Cristo, e isto vai contra as forças do mal que quer nos tirar do Caminho (Jo 14, 6), o próprio Filho de Deus. 

É necessário conhecer a pessoa da Virgem Maria e seu papel na vida de Jesus e na missão da Igreja. Este conhecimento resulta para os fiéis cristãos em uma espécie de purificação na forma de se comportar diante dela e também na forma de rezar a ela. Também gera uma depuração na vida da Igreja no aspecto da devoção, fazendo com que se abandone os devocionismos estéreis que nasce fora do contesto bíblico, da Tradição da Igreja e da vida da Eclesialidade comprometida com a causa do Reino.

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Em segundo lugar, assim como a Virgem Maria foi indispensável para Deus com necessidade chamada hipotética, quer dizer, proveniente da vontade divina, concluímos que ela é também uma ajuda necessária à salvação dos homens.

Côn. José Wilson Fabrício da Silva, crl
Membro da Academia Marial de Aparecida

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