Por Leonardo C. de Almeida Em Palavra do Associado Atualizada em 27 MAI 2020 - 09H41

Maria, Mãe e companheira da Igreja Doméstica




Ao comer a Páscoa com os apóstolos, Jesus despede-se deles, falando de sua partida para o Pai e deixa o seu testamento (cf. Jo 13-14). Percebendo, no entanto, a tristeza e insegurança daqueles que participavam da Ceia, Cristo assegura-lhes a vinda do Consolador, o Espírito da Verdade que lhes enxugará o pranto e será sua força e segurança.

De fato, a Igreja foi assistida pelo Espírito Santo, em toda a sua História, durante as adversidades, perseguições, provações, frustrações e, também, no sucesso da sua ação evangelizadora. E, ainda hoje, o Dom de Deus continua a reger e consolar os seguidores de Jesus. Por sua vez, Maria, como Mãe da Igreja, caminha ao nosso lado e se faz presente em nossas moradas, tal como quando cuidava de seu lar em Nazaré, junto a Jesus e José, enfrentando os tantos desafios próprios de seu tempo e cumprindo o plano amoroso do Pai.

Nestes tempos terríveis e tristemente históricos de pandemia, qual a Igreja Primitiva (cf. Jo 20,19-23), estamos com as portas de nossas casas fechadas (não por medo das autoridades dos judeus, como os discípulos, mas por medo do Coronavírus e da instabilidade que assola o cenário mundial em todos os setores). Sentimos insegurança, ansiedade, cansaço e incertezas: frágeis como os que estavam no Cenáculo em Pentecostes. Nossos sofrimentos e nossas agruras, contudo, devem dar lugar à certeza de que o Espírito Divino, enviado sobre a Igreja de uma vez por todas, habita igualmente em nós. Redescobrimos, então, em nossos lares, a nossa identidade de batizados, o valor da Igreja Doméstica e a intercessão de Maria de Nazaré, Companheira dos seguidores de Cristo, no meio dos quais Ele está.



A presença invisível do Ressuscitado em nosso meio se dá pelo Santo Espírito que consola e anima. E da mesma forma que no Cenáculo, está conosco Maria, nossa Mãe, Senhora dos nossos lares, que são também Igreja, conforme dissemos.

Ela não desampara e nos oferece seu colo materno como refúgio e proteção. Acolhe-nos e compreende-nos sem preconceitos e cerimônias, afagando nossas almas fatigadas com seu coração doce e amoroso.

Lembramos, neste momento, de tantas práticas de piedade mariana que acompanham as famílias e/ou aqueles que vivem sozinhos, deprimidos, enlutados e reclusos em seus lares, nos hospitais, nos abrigos, nas prisões: a récita do terço (como, inclusive, recomenda e insiste o Papa Francisco), as novenas, as consagrações (inclusive acompanhadas pelo rádio, pela TV ou pela internet) etc.

Essas devoções servem como sinal exterior de uma incomparável realidade interior: a presença de Maria em nossas vidas, atualizando aquilo que se lê em Jo 19,27: “E a partir dessa hora, o discípulo a recebeu em sua casa”. Muito além de um simples pedido de proteção pessoal, nossas orações e nossos louvores a Maria Santíssima são eficazes à proporção que nos despertam para o serviço à vida, especialmente quando e onde ela estiver mais vulnerável e ameaçada. De fato, a fé não nos acomoda, mas nos inquieta para sermos sinais do Cristo libertador nos âmbitos pessoal e comunitário.

É importante viver esse recolhimento em nossas casas como expressão de caridade e coerência com o Ressuscitado, Senhor da Vida e não do egoísmo e da opressão. Aliás, a caridade é o dom maior concedido pelo Espírito aos batizados (cf. I Cor 13,1-13). Dessa forma, nossa Mãezinha formosa e amada nos auxilie para que, “depois deste desterro”, continuemos, no mundo, a missão que já iniciamos em nossos lares, como destemidos servidores dos pobres, dos excluídos e da vida que desvanece, imbuídos do Espírito de Deus, que renova a face da Terra (cf. Sl 103/104).

Leonardo Caetano de Almeida
Associado da Academia Marial de Aparecida

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