Por Geraldo Barboza de Carvalho Em Palavra do Associado Atualizada em 20 MAR 2020 - 15H27

O rosário, uma oração evangélica e missionária

O Rosário cristão insere-se na tradição de oração, contada anterior e posterior à chegada de Jesus. O navegador Marco Polo relata que o Rei hinduísta de Malabar (Índia) usava um cordão de 108 pedras preciosas para contar orações. O hinduísmo remonta ao sec. XIV a. C. São Francisco Xavier relata que o japa-mala (rosário) era familiar aos budistas do Japão (600 a.C.), antes da chegada da fé cristã. Os muçulmanos (600 d.C) usam a Tasbih, uma corda com 33, 66, 99 contas, para contar os nomes de Alá.

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O Rosário cristão herda sua estrutura do Saltério judeu (150 Sl) e tornou-se oração diária na Igreja Católica. Ele é atribuído a São Domingos de Gusmão (1170-1221), fundador da Ordem dos Pregadores, (Dominicanos). Mas, desde a antiguidade, os cristãos rezam orações contadas. O eremita Paulo (séc. IV) repetia 300 orações por dia o dia, usando 300 pedrinhas: após cada oração, ele separava uma pedrinha.

Nas ordens monásticas antigas, em vez da missa e sufrágio pelos mortos, os monges rezavam privadamente 150 ou 50 salmos. Nas Abadias de Reichenau e São Galo (800), para cada irmão falecido os padres rezavam uma missa e 50 salmos. Com o passar do tempo, por haver muitos analfabetos, adotou-se uma forma simples de oração em substituição aos salmos, obrigatórios para os monges. Os analfabetos passariam a rezar 50 Pais-Nossos.  Os Cavaleiros Templários, quando um irmão morria, rezavam 100 Pais-Nossos por dia durante uma semana.

Devota de Nossa Senhora, a Condessa Godiva (1079) deixou-Lhe por testamento, no mosteiro edificado por seu esposo Leofric, um bracelete de pedras preciosas arranjadas num cordão, pelo qual, passando uma a uma com os dedos, contava suas orações.

No túmulo de Santa Rosália (1160), foram descobertas cordas de contar oração. Os monges da Igreja Grega usam o kombologion, corda de 100 contas, para contar sinais da cruz e genuflexões. Santo Alberto de Jerusalém (1149-1214), dobrava os joelhos cem vezes e se prostrava 50 vezes por dia erguendo-se com os dedos das mãos e dos pés, enquanto, a cada genuflexão, repetia "Ave, Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco. Bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre". Conta-se que, no fim do Concílio de Éfeso (431), que declarou Maria Mãe de Deus, contra Nestório que a negava, o Papa Celestino se ajoelhou e disse: “Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora de nossa morte. Amém”.

Desde que a recitação dos Salmos divididos em grupos de 50, tornou-se a forma favorita de devoção dos monges, o povo simples e os mais ocupados, faziam repetições de 50, 100, 150 saudações da Ave Maria, imitando os monges. Exercício devocional da metade do séc. XII ensinava que as 50 Aves deveriam ser rezadas divididas em grupos de 10, com prostrações e reverência. Portanto, na metade do séc. XII, antes de São Domingos, a prática de rezar 50, 150 Ave-Marias já era devoção familiar dos devotos cristãos.

Os mistérios do Rosário foram introduzidos pelo monge cartuxo Domingos Prussiano (séc. XV). A partir de então, o Rosário tomou o formato conhecido hoje: Pai-Nosso, Ave-Maria, Santa Maria, e meditação dos mistérios da fé cristã. (Fonte: Pequena História do Rosário, Internet).

O Rosário tem sido instrumento importante de evangelização na história da Igreja, cuja missão é anunciar os mistérios da salvação revelados em Jesus, por ordem dele: “Ide por todo o mundo e proclamai o Evangelho a toda criatura: O Reino de Deus está próximo”. O Reino de Deus é Jesus, vivendo conosco. Fiéis ao Seu mandato, missionários apropriaram-se do Rosário com os mistérios da fé meditados nele, para evangelizar os pobres na companhia da Mãe. Ele tornou-se um meio didático e eficaz para fazer o Nome de Jesus conhecido no mundo inteiro, conforme o modelo de missão instituído por Ele: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar a remissão aos presos e a recuperação da vista aos cegos, para restituir a liberdade aos oprimidos e proclamar um ano de graça do Senhor”.

Portanto, o Rosário, embora conhecido como oração mariana é, na verdade, uma oração cristológica e missionária. Ao recitá-lo, anunciamos os mistérios da fé revelados em Cristo Jesus. São João Paulo II, na Carta Apostólica “O Rosário da Virgem Maria” no.1-2, diz: 

No seu cerne, o Rosário é oração cristológica. Na sobriedade dos seus elementos, concentra a profundidade de toda a mensagem evangélica: sobre o fundo das palavras da ‘Ave Maria’ passam diante dos olhos da alma os principais episódios da vida de Jesus Cristo”.

Na origem do Rosário está, pois, o zelo missionário de transmitir às pessoas simples os mistérios da salvação, tendo como Guia e Pedagoga a Mãe de Jesus e dos pecadores.

Aos que rezam o Rosário Ela diz: “Felizes, os que ouvem a palavra de Jesus e a praticam”. A Mãe sabe que Ela é “serva e o único Senhor é Jesus”. Por isto, o brilho da sua fé e dos filhos vem da glória do Pai pousada no Filho, à luz do mundo. "Quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida".

Rosário significa “coroa de rosas”. Rosa vem de “ros”, orvalho (latim). Portanto, a rosa é a flor do orvalho, que renova a vida ao amanhecer. Ele cai suavemente sobre o crepúsculo matutino e refaz a vida ameaçada pela secura do verão. Por isto, ele simboliza a graça, a bênção de Deus, que desce do céu sobre as trevas do pecado e recria a vida ameaçada pela morte.

A meditação dos mistérios da fé através do Rosário revela a misericórdia do Pai em Jesus, “em cujo corpo Deus habita em plenitude. Se observais meus mandamentos, permanecereis no meu amor, como eu guardo o mandamento do meu Pai e permaneço no seu amor. Digo-vos isto para que minha alegria esteja em vós e vossa alegria seja plena. Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo. Alegrai-vos sempre no Senhor”.

Citações bíblicas
 (1) Mc 16,15; Mt 10,7; Lc 4,18-19; 2Cor 8,9; Lc 2,46-47.51; Mc 6,2-3; Jo 1,45-46; (2) Gl 3,16; Cl 1,18; Dt 32,1-2; Mt 17,2.5; Lc 1,35.38; 11,28; 1,38; Jo 2,5; Fl 2,11; Jo 8,12; Sl 35 (36),10; Ex 34,29-30; Lc 1,78-79; Ml 3,20; Is 61,10; Ap 7,9-10.14; 12,1-2; (3) Lc 1,42; Jo 19,34; 4,14; 6,34; 7,37-38;Sl (84)85,10-14; Is 55,10-11; 45,8; Jr 2,13; Mt 5,6; Is 55,1-3;Ap19,9; 21,6; 22,16-17; Mt 5,6; Jo 15,10-11; Fl 4,4; (1) Mc 16,15; Mt 10,7; Lc 4,18-19; 2Cor 8,9; Lc 2,46-47.51; Mc 6,2-3; Jo 1,45-46; (2) Gl 3,16; Cl 1,18; Dt 32,1-2; Mt 17,2.5; Lc 1,35.38; 11,28; 1,38; Jo 2,5; Fl 2,11; Jo 8,12; Sl 35 (36),10; Ex 34,29-30; Lc 1,78-79; Ml 3,20; Is 61,10; Ap 7,9-10.14; 12,1-2; (3) Lc 1,42; Jo 19,34; 4,14; 6,34; 7,37-38;Sl (84)85,10-14; Is 55,10-11; 45,8; Jr 2,13; Mt 5,6; Is 55,1-3;Ap19,9; 21,6; 22,16-17; Mt 5,6; Jo 15,10-11; Fl 4,4;

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