Por Ciro Leandro Costa da Fonsêca Em Palavra do Associado Atualizada em 26 JUL 2019 - 11H01

Por uma poética Mariana

A poesia brasileira, desde o início da colonização, bebe da fonte da religiosidade. Os jesuítas, como São José de Anchieta, teciam versos sobre a Virgem Maria como forma de aproximar os índios e os futuros leitores da face terna de Maria. Na cultura popular sertaneja, muitos cantos, poemas e benditos da época do Padre Ibiapina, dos missionários capuchinhos, do Padre Cícero Romão atravessaram os séculos e até hoje entoam na memória e na voz dos devotos a devoção a Maria nos lugares mais distantes do Brasil.
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adelia-prado-oraculos-de-maio gUm fenômeno contemporâneo desafia o relativismo da chamada pós-modernidade e nos aproxima de Maria da forma mais humana possível: a obra da poetisa mineira Adélia Prado. Em sua poética subjaz a fé em Nossa Senhora, cuja relação se dá nos momentos mais do cotidiano e também nas provações, nas dores indescritíveis como gosta de explicar a poetisa, o rosto humano de Maria tecido em versos dá um sentido cristão ao ofício literário de Adélia. Na obra Oráculos de Maio a escritora projeta na carência de afeto a sua aproximação com Maria após ter perdido a sua mãe, como nos poemas de Pedido de Adoção e Mater Dolorosa, numa simbologia de que o céu perfeito nasce no amor maternal de Maria. No poema “Ex voto” a poetisa revela sua devoção a Nossa Senhora Aparecida como podemos ver nos versos  “Que ex voto levo à Aparecida/ se não tenho doença e só lhe peço a cura?”

“Ave, Maria! Ave, carne florescida em Jesus. Ave, silêncio radioso, urdidura de paciência onde Deus fez seu amor inteligível!” Saudação (Adélia Prado) Há um capítulo a parte da obra que tem o mesmo título de Oráculos de Maio que dedica todos os poemas a Maria de forma a revelar aos leitores a vivência do mês de maio, nos poemas Exercício espiritual, Nossa Senhora das Flores, Estação de maio, Aura, Sinal do céu, Teologal e Maria. Poemas que sintetizam a escritura da poética mariana. Os versos inaugurais do primeiro poema do capítulo, Exercício Espiritual, resumem o motivo poético da obra: “Maria,/ roga a teu Filho que me mostre o Pai”. Na obra Bagagem, o poema Saudação dá o tom do viés mariano da poetisa quando escreve que Maria é o lugar urdido de paciência “onde Deus fez seu amor inteligível!”.

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O poema Anunciação ao poeta, do livro Bagagem, descreve a relação da poetisa com o Espírito Santo, como também no poema O ajudante de Deus do livro Oráculos de Maio. Adélia Prado afirma ter dito sim ao dom da poesia e que, como Maria, sua missão se faz por obra do Espírito Santo. Que a sua obra seja estudada por pesquisadores marianos como manifestação da fé do povo brasileiro em Nossa Senhora revelada na mais singela e profunda expressão da poesia brasileira na atualidade.

 Ciro Leandro Costa da Fonsêca
Doutorando em Letras pelo Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte
Associado da Academia Marial de Aparecida.

 

Ciro Leandro Costa da Fonsêca

Doutorandoem Letras pelo Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. Associado da Academia Marial de Aparecida.

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