Maria é reconhecida como figura da Igreja sinodal, missionária e misericordiosa. Mas como a espiritualidade mariana é vivida hoje nos grupos e movimentos da Igreja? E de que forma esses espaços têm buscado viver uma autêntica sinodalidade, marcada pela escuta, oração, diálogo, acolhida e serviço?
Para refletir sobre “caminhar juntos”, conversamos com Dom Edmilson Amador Caetano, referencial para a RCC de São Paulo, e com os jovens Natália Rapôso, da Juventude Mariana Vicentina, em Recife (PE); e Jonathan Teodoro, do Grupo de Oração Jovem Maranathá, em Potim (SP).
Assista e aprofunde essa reflexão sobre o carisma mariano e a vivência da sinodalidade na Igreja.
Por que Maria é um modelo da Igreja sinodal?
O Documento Final do Sínodo coloca Maria como modelo da Igreja sinodal porque Ela escuta, dialoga, reza, discerne e age.
"Dela aprendemos a arte da escuta, a atenção à vontade de Deus, a obediência à sua Palavra, a capacidade de colher as necessidades dos pobres, a coragem de pôr-se a caminho, o amor que ajuda, o canto de louvor e a exultação no Espírito. Por isso, como afirmava São Paulo VI, 'a ação da Igreja no mundo é como que um prolongamento da solicitude de Maria'", descreve o documento.
Para Dom Edmilson Caetano, que acompanha a Renovação Carismática Católica no estado de São Paulo, o modelo de Maria para a Igreja sinodal é marcado, além da escuta, pela obediência da fé.
"Maria se coloca à escuta do projeto de Deus e não é uma escuta simplesmente passiva. Na anunciação, a Virgem Maria não duvida, mas pergunta 'como acontecerá isso se eu não conheço homem' e, após escutar, ela se coloca na disponibilidade. Essa disponibilidade envolve a humildade porque não é a minha vontade, mas eu me coloco sem até mesmo entender muitas coisas na vontade do Pai, na humildade e na obediência da fé; que é a característica importante da Virgem Maria", reflete.
A espiritualidade mariana reflete o rosto de uma Igreja sinodal, onde Maria é vista como modelo de escuta, diálogo e serviço. Movimentos como a Renovação Carismática Católica (RCC) e a Juventude Mariana Vicentina (JMV) traduzem esse carisma no cotidiano por meio da vivência comunitária, da oração e do acolhimento.
Natália Rapôso, integrante da Juventude Mariana Vicentina, no Recife (PE), uma associação internacional de jovens católicos que busca traduzir em gestos concretos a proximidade de Maria e a caridade da Igreja, reflete que a escuta é uma atitude importante no trabalho que realizam nas ruas.
"Às vezes não é comida, não é só comida! A gente precisa sanar a necessidade momentânea do pobre, mas também precisa acolhê-lo de forma geral, como ser humano, como uma pessoa que tem suas necessidades, que tem fome, mas também tem fome de escuta, fome de ser visto, fome de ser reconhecido", reforça.
Jonathan Teodoro, coordenador do Grupo de Oração Jovem Maranathá, em Potim (SP), vê no acolhimento uma atitude mariana que aproxima os jovens que vêm até o grupo desanimados. "Com Maria nós aprendemos a acolher e com Jesus nós realizamos ali a necessidade que muitas das vezes aquele jovem precisa, que vem até o nosso grupo desanimado, mas que acolhido se torna alguém apaixonado por Jesus".
Quais são os caminhos do Espírito?
O "caminhar juntos" da Igreja sinodal ressalta a realidade dos diversos carismas e ministérios da Igreja. Em Pentecostes, Maria e os Apóstolos representam um modelo de Igreja sinodal que caminha na unidade junto com o Espírito Santo. Segundo Dom Edmilson, a sinodalidade deseja fazer com que a Igreja busque cada vez mais viver esse espírito sem que ninguém perca sua identidade.
"Todos os movimentos, todas as espiritualidades marianas, tudo aquilo que tiver, não vai ser desfigurado na Igreja sinodal. A sinodalidade não significa uma planificação todo mundo igual. Temos igual dignidade, mas na diversidade de carismas e ministérios. Agora, essa igual dignidade que nos une é preciso a escuta, é preciso partilhar com o outro", reforça o bispo.
Para sermos um só corpo mesmo na diversidade, Dom Edmilson analisa o desafio de uma verdadeira abertura ao Espírito que nos ilumina e ajuda na superação de divisões na Igreja.
"Preciso entender e compreender que esta mesma dignidade batismal, esse mesmo Espírito Santo que eu recebi, esse dom maravilhoso do meu carisma, do meu ministério que eu vivo na Igreja, esse dom do amor de Deus está presente no outro. Então, tenho que saber escutar o outro, porque nós não sabemos quais são os caminhos do Espírito. O Espírito sopra onde quer e quem ouve a voz do Espírito se deixa conduzir pelo Espírito. Por isso, que um dos grandes elementos e instrumentos da prática da Igreja sinodal é a conversação no Espírito. O Espírito de Deus também se manifesta no outro".
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