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O que Maria nos ensina com a Igreja Sinodal

Escrito por Academia Marial

16 DEZ 2021 - 08H00 (Atualizada em 28 DEZ 2021 - 09H24)

Polyana Gonzaga/A12 encerramento do sínodo da amazônia (Polyana Gonzaga/A12)

“Maria, Mãe da Igreja, além de modelo e paradigma da humanidade, é artíficie de comunhão” (cf. DAp, n, 268).

Esta afirmação do Documento da V Conferência Episcopal Latino-Americana e Caribenha em 2007 (DAp), em Aparecida, remete às narrativas bíblicas que apresentam Maria de Nazaré como a colaboradora de Deus, na escuta, no serviço (cf. Lc 1,26ss).

Sua fidelidade e seu amor pela promessa e pelo Projeto de Deus é um constante aprendizado na participação do Movimento de Jesus, do qual Ela é Mãe e primeira discípula do Mestre Jesus.

Ela participa da novidade a qual Deus quer manifestar à toda humanidade: a vinda do Seu Filho muito amado, que veio para anunciar o kairós e para que todas e todos tenham vida (cf. Jo 10,10). O Documento de Aparecida afirma que “Sua figura de mulher livre e forte emerge do Evangelho, conscientemente orientada para o verdadeiro seguimento de Cristo” (DAp, n, 266).

A pertença e a participação de Maria na comunidade capacita e encoraja todos os discípulos missionários a assumirem o chamado do Mestre Jesus. Ela não desanimou da sua missão de discípula após a perda do Seu Filho Jesus. Alicerçada nos pilares da fé, da fidelidade, no serviço e na missão, ela permanece com a comunidade (cf. At 1,14). Caminhar juntos, este é o sentido máximo da sinodalidade. Maria é para nós a educadora na fé, para nos assemelhar cada vez mais a Jesus (cf. DAp, n. 300b).

O tema do Sínodo dos Bispos 2023: 'Por uma Igreja Sinodal: Comunhão, Participação e Missão', provoca toda a Igreja a sair de si mesmo, ou seja, deixar de ser autorreferencial e ensimesmada (Bergoglio, 2013) para anunciar Jesus Cristo, ser sinal de esperança, ser capaz de escutar e de ir ao encontro das pessoas afastadas, e acolher sem discriminar.

A Igreja é chamada a ser sempre a casa aberta do Pai, onde há lugar para todos que enfrentam fadigas em suas vidas. Todos podem participar da vida eclesial e fazer parte da comunidade.

A Igreja Comunhão acontece na unidade com Cristo-Cabeça. Ela é o Corpo místico de Cristo, Ele a Cabeça e nós os membros. Portanto, não há diferença, mas deve haver dignidade entre todas e todos.

Na Igreja-Comunhão, se vive o Cristo como centro da nossa fé, e não o clericalismo. É urgente concretizar esta verdade como prática da nossa fé, no nosso agir pastoral e social. Maria, nas Bodas de Caná, não se contenta e intercede pela falta de vinho: falta de alegria e de compromisso na adesão a Jesus e seu anúncio (cf. Jo 2, 5-11).

O chamado à Participação implica em um chamamento ao envolvimento de todos os que pertencem ao Povo de Deus para se empenharem no exercício de uma escuta profunda e respeitosa uns dos outros. Esta escuta cria espaço para ouvirmos juntos o Espírito Santo e guia as nossas aspirações para a Igreja do Terceiro Milênio.

A participação de Maria no Pentecostes (cf. At 2,1-11) é sinal de que toda a Igreja necessita do discernimento, dom e graça do Espírito Santo de Deus, que fala no silêncio do coração, e na comunidade reunida.

A Igreja não existe para si mesma. Sua Missão primeira é anunciar o Reino de Deus revelado por Jesus – Reino de paz e de justiça. Formar e animar todo o Povo de Deus para que, fortalecidos na fé, possam atuar, cada qual conforme sua vocação, no seu ambiente familiar, na comunidade, no trabalho, no campo, junto às pessoas vulneráveis, sofridas e tão necessitadas da justiça de Deus.

Maria é a primeira discípula missionária e servidora, Aquela que vai ao encontro (cf. Lc 1,39-56), é modelo para toda a Igreja que se dispõe no seguimento de Jesus. “Maria é a grande missionária, continuadora da missão de Seu Filho e formadora de missionários” (DAp, n. 269).

Sinodalidade prevê um processo de conversão, de abertura e participação onde as estruturas não sufocam a presença de Deus e do seu Projeto, a comunhão, a participação e a missão de todas/os batizados.

Maria soube transformar uns pobres paninhos em uma montanha de ternura (cf. EG, n. 266). Ela que é tipo da Igreja como virgem e mãe (cf. LG, n.63) nos ensine neste Caminho sinodal, com a sua santa ousadia de buscar caminhos novos para que chegue a todos o dom da beleza que não se apaga (cf. EG, n. 288).

Celia Soares de Souza
Leiga, teóloga e especializada em Mariologia.
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