Por Pe. Ulysses da Silva, C.Ss.R. Em Notícias

5 vezes em que São Clemente foi pobre com os pobres

São Clemente Maria Hofbauer abraçou a pobreza consagrada como uma amiga de quem jamais se separara. Ele nasceu pobre, viveu pobremente e cuidou dos pobres.

Jamais a vida religiosa e clerical lhe proporcionou qualquer privilégio material. Podemos afirmar que ele não precisou fazer nenhuma opção pelos pobres, porque nunca saiu da pobreza e do meio dos pobres, com quem repartiu seus bens materiais e, principalmente, espirituais.

A pobreza é uma dimensão essencial da consagração missionária do Redentorista.

A primeira razão é a nossa configuração com Jesus, que se fez pobre com os pobres pela sua kénosis, para nos tornar ricos com sua copiosa redenção.

O segundo motivo é a constituição de uma comunidade missionária de partilha fraterna de todos os bens, como ideal de vida evangélica e como disponibilidade apostólica.

A terceira razão é a nossa solidariedade com os pobres, parceiros de Evangelização, de quem devemos estar próximos em nosso estilo de vida e em nossa dedicação ao trabalho. Finalmente, a pobreza é condição para a nossa disponibilidade missionária, que não faz exigências materiais ou culturais para sair ao encontro dos mais abandonados.

Conheça as cinco vezes em que São Clemente foi pobre com os pobres: 


2020 é o Ano Clementino pelos 200 anos de sua morte


A pobreza em família

São Clemente foi levado a “participar da insegurança e da penúria dos pobres” desde a sua infância. Nono entre doze irmãos, São Clemente vê seu pai falecer antes de completar 7 anos. Começou então a luta pela sobrevivência de uma família numerosa, em que os filhos tinham que envolver-se no trabalho diário para não faltar comida para todos. Teria sido a precariedade de bens a ceifar a vida de 7 dos seus irmãos ainda crianças? Mesmo sonhando em ser sacerdote, São Clemente jamais teria condições de pagar seus estudos. Já adolescente, procurou a profissão de padeiro, para dar ajuda financeira à sua família. Assim o binômio pobreza e trabalho moldou o estilo de vida de São Clemente. Como Redentorista sentiu-se “obrigado à lei do trabalho”, e foi sempre um trabalhador incansável para garantir a sobrevivência dos seus confrades e dos seus pobres.

A pobreza em seu caminho vocacional

São Clemente viveu 69 anos, mas nada em nenhum momento foi fácil para ele. Teve que lutar muito, e somente sua fé e tenacidade venceram os obstáculos e a precariedade constantes. Para realizar seus estudos, empregou-se como padeiro em um mosteiro. Quando terminou o curso, viu-se novamente sem recursos para seguir adiante. Como ansiava entregar-se a Deus totalmente, decidiu ser eremita. Com 24 anos, começou uma experiência de eremita e de peregrino, que vai se estender por 9 anos. Essa experiência de pobreza e de insegurança o levou a uma intimidade e uma confiança total em Deus, ao mesmo tempo em que o encorajava a enfrentar as surpresas boas e ruins dos caminhos que percorria, sem nunca desanimar.

Somente aos 32 anos, já adulto, conseguiu prosseguir em seus estudos, e, enfim, aos 33 anos, peregrinando mais uma vez a Roma, dá-se o encontro com os Redentoristas, o que marcou o seu ponto de chegada vocacional e o seu ponto de partida missionária. Noviciado e Ordenação se juntaram no período de um ano, e, numa reviravolta jamais prevista, São Clemente, aos 34 anos, e Pe. Tadeu Hübl partem para o norte como sacerdotes redentoristas, sem dinheiro e sem destino certo.

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A pobreza em sua pastoral missionária

São Clemente inaugurou a primeira fundação redentorista transalpina dos redentoristas em São Beno, na periferia de Varsóvia, com uma pequena igreja e uma casa muito simples. Ali os três primeiros redentoristas não italianos lançaram a semente da Congregação redentorista que mais floresceu e irradiou o carisma de Santo Afonso por todos os continentes. Não lhes faltavam os pobres nem o ardor missionário por Jesus, mas não tinham liberdade para pregar missões populares, como na Itália. Não se acomodaram diante dessas limitações e tiveram a sabedoria de iniciar uma missão permanente na Igreja de São Beno, em que o ministério do acolhimento contínuo e das celebrações bem cuidadas se irradiavam e atraíam a todos.

Na pobreza de vivenciar o carisma missionário de Santo Afonso, São Clemente achou um modo de anunciar o Evangelho com ardor sempre novo.

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A pobreza como cuidado com os pobres

São Clemente “era chamado de ‘pai dos pobres‘; e de fato os pobres, os abandonados e os marginalizados encontravam nele um companheiro e um amigo sincero. Viveu junto dos pobres, sendo pobre ele mesmo, e partilhando generosamente com eles o que possuía. Com frequência passava um bom tempo com os enfermos e moribundos, preparando-os através do sacramento da reconciliação para seu encontro com Cristo Redentor" (Carta do Pe. Geral, 02/02/2020).

Em Varsóvia, São Clemente identificou esses pobres abandonados nas crianças pobres, principalmente nos órfãos, frutos de tantas guerras. Acolheu-as como lhe foi possível e se desgastou para dar-lhes de comer, oferecer-lhes formação escolar e catequizá-las. Sua imagem batendo à porta do sacrário, pedindo comida para as suas crianças, é um ícone do seu amor afetivo e efetivo pelos pobres. Essa mesma sensibilidade ele passava à sua comunidade, para que jamais deixasse de oferecer alimento aos pobres que batiam às suas portas.

A pobreza na comunidade redentorista

A comunidade de Varsóvia dependia inteiramente do trabalho de cada confrade e dos benfeitores que a acudiam nos momentos de crise. Muitas vezes, São Clemente assumia a cozinha para preparar as refeições para seus confrades. Possuíam uma moradia pequena demais para o número crescente de membros. Mesmo assim, ainda era dividida com os órfãos.

São Clemente, mesmo tendo uma comunidade internacional, com membros de países invadidos e de países invasores, manifestava uma estima muito grande pelos confrades e os julgava a todos santos. Durante as perseguições e injustiças que sofreram, São Clemente apelou a Deus e a todas as autoridades possíveis para proteger sua comunidade. Sabemos que foi em vão e eles foram obrigados a se dispersarem. A solidariedade de São Clemente com os confrades da Itália o levava a colaborar economicamente com eles, apesar de toda a sua penúria, principalmente para que pudessem custear a canonização de Santo Afonso.

:: O contexto sociopolítico e religioso no qual São Clemente Maria Hofbauer viveu

Sem dúvida, São Clemente pregou o que viveu e viveu o que pregou.

Ele tinha a coragem de quem confia de que “é Deus quem dirige tudo”. Por isso, podia insistir em seu lema: “Anunciar o Evangelho de modo sempre novo!” Sua pobreza constituiu sua riqueza missionária, a partir da qual permitiu que Deus operasse maravilhas através da sua história e do seu dinamismo missionário. Sua própria morte foi seu último ato de pobreza, porque dela brotou a árvore frondosa da Congregação Redentorista em todos os cantos do mundo. Por isso, vale a pena homenageá-lo como cofundador da nossa família missionária, cujo carisma se soma e complementa o carisma fundacional de Santo Afonso.

ORAÇÃO

Senhor Jesus, nosso Santíssimo Redentor, vós nos destes um carisma missionário, que se enraíza no anúncio da vossa missão em Nazaré (Lc 4,18-21). Vós nos ungistes com o vosso Espírito para sermos portadores de uma Boa Notícia aos pobres e aos abandonados. E nos destes em nossos santos, como São Clemente Maria, exemplos concretos desse carisma, para nos estimular a sermos bons missionários e a nos tornarmos santos.

Diante do testemunho de pobreza da vida e da missão de São Clemente, renovai em cada um de nós e em nossas comunidades a inquietação pela vivência da pobreza em todas as suas dimensões. Livrai-nos do comodismo e do individualismo, dai-nos uma grande sensibilidade diante de cada pessoa pobre e diante das injustiças sociais do nosso mundo.

Fazei-nos praticar a pobreza e a partilha de todos os bens como fonte de alegria para a vida fraterna em comunidade, como empenho pelo trabalho de cada dia e como disponibilidade missionária para servir aonde formos convocados.

É o que pedimos a Vós, nosso Santíssimo Redentor, por intercessão de São Clemente Maria Hofbauer, como um presente deste Ano Jubilar, ao celebrar os 200 anos da sua morte. Amém!


Escrito por
Pe. Ulysses da Silva, C.Ss.R. (Aquivo redentorista)
Pe. Ulysses da Silva, C.Ss.R.

Missionário Redentorista

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